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Foto: Rodrigo Gazzanel
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Turíbio Leite de Barros, mestre e doutor em fisiologia do exercício, um dos comandantes da preparação extra campo do São Paulo, nos anos 90, costumava dizer: futebol é ciclo.

Ou seja, não há nenhuma equipe capaz de ficar por cima por um longo período, papando os títulos mais importantes.

Naquele mesmo período, Barros revelou um dos segredos do time de Raí e Cafu, máquina de jogar bola: o uso de creatina, a suplementação mais estudada no mundo hoje em dia, relacionada ao ganho de força e à recuperação muscular.

Trinta anos depois, o mundo do futebol está diante de uma nova hegemonia. No caso, o ciclo está difícil de ser quebrado. Desde 2018, a equipe de futebol feminino do Corinthians vem chegando em pelo menos duas das mais importantes finais de todos os campeonatos que disputa.

Esse ano, já conquistou a Supercopa, a Libertadores e o Brasileirão. Só falta o Paulista, no qual está mais uma vez na final.

O jogo de volta, contra o São Paulo, é no domingo (26), na Neo Química Arena. O primeiro, na Vila Belmiro, foi vencido pelas tricolores por 2 a 1.

As “brabas”, como são conhecidas as corintianas, tornaram-se pentacampeãs brasileiras (os últimos quatro títulos consecutivos), e tetracampeãs da América.

Se a creatina era um dos segredos do reinado do São Paulo dos anos 90, qual é o do Corinthians, no futebol feminino, há pelo menos cinco anos?

“Eu sempre fiz essa pergunta antes de trabalhar com a equipe. Agora entendi porque esse time é o que é. O que vivencio aqui, nunca tinha visto em nenhum outro clube”, diz Eduardo Duci, fisioterapeuta das meninas do Corinthians.

Tirando o aspecto técnico, o fato de ser uma equipe recheada de talentos – cinco ou seis jogadoras, por exemplo, estão sempre entre as convocadas para a seleção nacional –, e o carinho com que a base é cuidada, há outros fatores que explicam a hegemonia das “brabas”.

Duci se refere ao trabalho cuidadoso, conjunto e muito bem planejado que os departamentos médico, de preparação física, de fisioterapia e de nutrição fazem com o time.

Com um calendário tão apertado, também para o feminino, o que não se vê fora do campo é até mais importante do que se observa nele.

“Para alcançarmos nossos objetivos, é melhor perder um ou dois dias de treino, privilegiando a recuperação da atleta, dependendo do caso”, confessa ele, sem rodeios, na tentativa de explicar porque as corintianas estão sempre no auge da boa forma.

Para se ter ideia, o time pode disputar até nove jogos por mês, cerca de 45 por ano, sendo que as selecionáveis chegam a ter até 20 partidas a mais nesse período.

“Planejamos o ano de cada jogadora, levando em conta as competições e as individualidades, como o histórico de lesões e a idade. Diante disso, entendemos que, muitas vezes, é melhor a atleta focar na preparação física e no que se refere a isso”, revela o fisioterapeuta.

Corpos diferentes

A equipe principal feminina do Corinthians conta com 31 jogadoras, com idades entre 19 e 42 anos. O alerta entra no radar de Duci e demais profissionais que trabalham com o time, quando a atleta possui no currículo duas cirurgias de joelho e oito lesões musculares.

Geralmente, mulheres costumam ter mais problemas com o ligamento cruzado. Não há consenso que explique isso. Antigamente, acreditava-se que essa lesão estivesse relacionada à constituição do quadril, que é diferente em homens e mulheres.

De todo modo, a recuperação e o tratamento das dores musculares são estratégias importantes para manter todo elenco em condições de jogo em toda temporada, minimizando, ainda, o risco de a atleta bater cartão no departamento médico.

Nesse sentido, uma das apostas é a LEDterapia, algo que vem fazendo bastante sucesso, nos últimos três anos, entre os especialistas da reabilitação física. Trata-se de uma manta de led (Sportllux), como o nome sugere, que emite radiação NIR (vermelho e infravermelho).

Ainda que seja indicada para o tratamento de dores musculares, reduzindo processos inflamatórios, a grande aposta do Corinthians ao usar esse tipo de tecnologia, está na contenção da fadiga muscular.

Se bem que esse foi um dos recursos utilizados para recuperar a zagueira Tarciane, em cerca de 24 horas, após sofrer uma pancada na panturrilha, durante um dos jogos da Libertadores desse ano. Como ela é sensível ao toque de uma massagem, por exemplo, a LEDterapia funcionou muito bem no caso.

Também fazem parte da cartilha de recuperação muscular corintiana, a crioimersão (em uma banheira de gelo) ou a imersão em água morna.

“Na verdade, combinamos várias formas de tratamento. O curioso é que cada atleta responde melhor a determinada metodologia, não existindo uma regra que funcione para todas. Alguns vão bem com o frio e outras com o calor. Por isso que bato sempre na tecla da individualidade”, explica Duci.

Também estão inseridos no arsenal de recuperação da equipe, o uso de botas de compreensão pneumática, que melhoram a oxigenação muscular e, claro, a tradicional massagem mais profunda para soltar os músculos.

“Agora, nada disso faz sentido se as atletas não fizerem a parte delas fora dos nossos domínios, que compreende alimentação adequada e hidratação”, completa Duci.

Mas, pelo que se vê em campo, nota-se que todo elenco segue, religiosamente, a cartilha da recuperação física que, não se engane, também é rota para a conquista de títulos. O São Paulo que se cuide no jogo de volta. As “brabas” vão vir babando para virar a final do Paulista, porque estão seguras do potencial da equipe.

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