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Kim Collins ganhou primeira medalha de São Cristóvão e Nevis. Brett e Shaune Fraser levarão primeiro ouro para as Ilhas Cayman

Vicente Seda/iG
Kim Collins superou dor de lesão no tendão para ficar com a prata nos 100m rasos
Enquanto países como Estados Unidos, Brasil, Cuba, Canadá e outros colecionam dezenas de medalhas a cada edição dos Jogos Pan-Americanos , há aqueles que jamais sentiram, até o início das competições em Guadalajara, o prazer desta conquista. Kim Collins, do pouco conhecido estado caribenho São Cristóvão e Nevis, passou despercebido após a medalha de prata nos 100m rasos nesta terça-feira. Não foi solicitado para entrevista coletiva, viu poucos flashes de câmeras registrar o momento em que saiu mancando por ter terminado a prova com muitas dores na perna. Quase ninguém no estádio mexicano parecia saber que Collins, mesmo sem ter vencido a corrida, fez história.

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Nascido no menor país das Américas em extensão territorial, um par de ilhas com população de pouco mais 42 mil habitantes (dados de 2005), Collins deixou a pista direto para o centro médico, para colocar gelo nos músculos. Voltou para a premiação mancando e, não fosse por isso, talvez tivesse vencido o jamaicano Lerone Clarke. Campeão mundial dos 100m rasos em 2003, quando superou o campeão olímpico Maurice Greene em Paris, o atleta de 35 anos sentiu o peso da idade.

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“Campeonatos são assim, você nunca sabe quem vai surgir e vencer. Mas estou feliz por ainda competir na minha idade. Estou desapontado por não ter vencido e também por isso ter acontecido. Vou me tratar porque o tendão está doendo bastante. É a primeira medalha para o meu país, talvez eu seja um dos mais velhos a conseguir uma medalha nessa prova. É história, estou feliz independente de tudo, você nem sempre consegue o que quer. Eu queria o ouro, porque todo mundo pensa que o ouro é a única medalha. A gente só vê ouro, não vemos prata ou bronze”, lamentou o velocista.

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Apesar da idade, Collins, ou “árvore perene”, como é chamado em São Cristóvão e Neves, mira as Olimpíadas de Londres em 2012. Em nenhum momento, fala em parar de correr. “Acho que vou conseguir estar nos Jogos, é a única medalha que falta no meu currículo. Estou confiante, vou dar o melhor que puder. Vou correr enquanto o meu corpo aguentar. Aqui eu tentei terminar do melhor jeito, mas é doloroso correr com uma lesão que aconteceu no meio da prova, você sente cada vez mais dor. Mas pelo menos consegui essa medalha para o meu país”.

Dobradinha de irmãos em Guadalajara
Outros países, como as Ilhas Cayman, também têm muito o que comemorar em Guadalajara. Até o Pan de 2011, o país só tinha três medalhas de prata em toda a sua história na competição. No México, o número dobrou, e veio o primeiro ouro. Tudo por conta do desempenho dos irmãos nadadores Brett e Shaune Fraser. O primeiro conquistou o ouro inédito nos 200m livres, com Shaune ficando com o bronze na prova. Ambos treinam nos Estados Unidos com o atleta considerado sucessor do campeão olímpico Michael Phelps, Ryan Lochte, que ficou com cinco ouros no Mundial de Xangai neste ano.

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“Nem imagino o que meu país deve ter sentido com esse primeiro ouro. É algo sensacional porque somos um país pequeno, que não forma grandes esportistas até por não ter tanta mão de obra assim. E ganhar ainda do lado do meu irmão, poder estar do lado dele na hora do hino, parece que conseguimos dois ouros por causa disso. Somos muito amigos, um exige do outro. Acho que por isso que fizemos essa vitória dobrada, um vai ali tentando ganhar do outro”, disse Brett.

Shaune, por sua vez, lembrou da competição no Pan de 2007, no Rio de Janeiro, quando ficou com a prata e comemorou o fato de, desta vez, não ter perdido para um rival. “Foi por pouco lá, fiquei feliz que desta vez quem estava na minha frente era o meu irmão".

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