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Rogério Dutra Silva pode repetir Fernando Meligeni e Flávio Saretta e ter a grande conquista em torneio esvaziado de tops

Getty Images
Rogério Dutra Silva comemora vitória que o colocou na semifinal do torneio de tênis do Pan do México
Aos 27 anos, o tenista Rogério Dutra Silva tem a chance nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara de conquistar o que poderá ser seu grande título no esporte, e repetir dois atletas que venceram o torneio e são lembrados no Brasil principalmente por esse feito.

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Rogerinho enfrenta nesta sexta-feira, valendo vaga na final, o equatoriano Julio Cesar Campozano, às 19h (horário de Brasília). Ele é o único brasileiro que sobrou na disputa de simples, já que Ricardo Mello e João Soares Souza , o Feijão, foram eliminados, apesar de a disputa do tênis no Pan não ter os melhores ranqueados dos países participantes.

“Tenho carreira pela frente ainda, é difícil dizer o que uma medalha aqui vai significar ao final dela. Mas é claro que uma vitória marca, ainda mais em uma competição que o Brasil acompanha de perto”, disse ao iG Rogerinho, logo depois de vencer o colombiano Juan Sebastián Cabal, por 2 sets a 0, com parciais de 7/6 (12-11) e 6/3, nas quartas de final.

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Fernando Meligeni comemora a coqnuista do ouro no Pan de Santo Domingo-2003
COB
Fernando Meligeni comemora a coqnuista do ouro no Pan de Santo Domingo-2003
A situação de Rogerinho é um pouco diferente do que viviam Fernando Meligeni, ouro em 2003 em Santo Domingo, e Flávio Saretta, vencedor no Rio em 2007. Ambos estavam com a carreira no final e o Pan foi uma espécie de redenção. Atualmente 116° no ranking da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais), e o quarto do Brasil, Rogerinho está em evolução e acha que a boa campanha no Pan mostra isso - o ouro seria uma consolidação na carreira, e não (ainda) o principal momento.

“Disputei meu primeiro Grand Slam este ano (o US Open , eliminado na segunda rodada), fui para o time da Davis. As coisas aconteceram um pouco tarde para mim, por isso estou em fase de crescimento. O foco nessa medalha é que, com ela, isso vai se consolidar”.

“Fininho” chegou a 25° do mundo e a uma semifinal de Roland Garros, mas sempre esteve à sombra do maior tenista brasileiro, Gustavo Kuerten. O ouro na República Dominicana foi, para ele, a grande conquista. Saretta esteve entre os top 50, mas a carreira não decolou e o título dentro de casa foi sua grande marca como tenista. “Estamos falando aí de dois grandes tenistas. Me comparar a eles seria sensacional”, disse Rogerinho.

Altitude

Rogerinho é filho de um ex-tenista profissional, Eulício Teodózio da Silva, e apesar de jogar tênis desde os sete anos, só passou a treinar seriamente e pensar em ser federado aos 17. Ele nunca venceu um torneio da ATP, apenas Challengers (torneios com menor pontuação), e teve como melhor ranking a 111ª posição, conquistada neste ano. Dos três brasileiros em Guadalajara, é o pior ranqueado: Ricardo Mello está em 112° e João Souza em 107°. O número 1 do Brasil, Thomaz Bellucci , ignorou o Pan (ele é o 36°).

“Pena que eles foram eliminados, esperava ter três brasileiros aí juntos na semifinal. Mas vamos ver, estou jogando por eles agora também”, disse.

Ele contou que temeu antes da competição não conseguir se adaptar à altitude e à bola. O torneio está usando uma bolinha especial para lugares altos (Guadalajara está a 1.500 m), que não é utilizada faz tempo no circuito. Ela quica mais do que as normais.

“Na altura, o saque fica mais complicado. Estão acontecendo alguns lances inusitados, por isso nunca se sabe o que vai acontecer na partida”, disse. Campozano, seu adversário na semi, está mais acostumado com a altura. “Ele joga em Quito (2.764 m acima do nível do mar), então talvez tenha vantagem. Mas dentro do jogo tudo pode acontecer”, disse o brasileiro.

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