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Patrícia Pereira dos Santos foi baleada durante assalto, ficou tetraplégica e hoje é atleta da natação brasileira nas Paralimpíadas

Natação é a nova vida de Patrícia Pereira dos Santos após ficar tetraplégica
A Gazeta
Natação é a nova vida de Patrícia Pereira dos Santos após ficar tetraplégica

Antes de entrar para natação paralímpica, Patrícia Pereira dos Santos trabalhava numa lotérica do Espírito Santo e levou um tiro durante assalto ao local. Lá em 25 de janeiro de 2002. Era o segundo assalto em menos de uma semana e, dessa vez, com uma consequência que mudou a sua vida: ela ficou tetraplégica. Antes do acidente praticava esportes e jogava futebol, mas ao ter que se locomover em cadeira de rodas precisou fazer reabilitação e conheceu o basquete, mas acabou virando nadadora.

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“Como foi a primeira convocação para equipe de natação da Paralimpíada, tudo para mim é maravilhoso, ainda mais sendo em casa. Então, não há como ter outro sentimento do que você achar que está sendo bom, porque você está focada e tudo está fluindo bem. Saber que nosso país tem muitos atletas e muito para evoluir. Eles estão mostrando os resultados da forma como ninguém poderia esperar”, disse.

O quinto lugar que alcançou na final dos 50 metros estilo peito na classe SB3 para nadadores com limitações físico motoras, no evento do Rio de Janeiro, foi como se tivesse ganhado um prêmio. "Obter o resultado de quinto melhor do mundo para mim está sendo maravilhoso. Uma bela estreia, posso considerar. Tudo que um ser humano pode esperar depois de um acidente. Você acreditar, não abaixar a cabeça e mostrar que somos brasileiros. Brasileiro não desiste nunca e eu sou uma dessas", comentou.

Desafio da paratleta

O começo na natação não foi fácil. Patrícia não sabia nadar e, por isso, encarou a modalidade como uma barreira a ser ultrapassada. “O que a natação é para mim hoje? Nada mais do que um desafio. Eu não sabia nadar, recebia convite, mas não aceitava porque não sabia nadar. Um dia falei que ia perder o medo e comecei a acreditar”, disse Patrícia.

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De acordo com a nadadora, o esporte foi fundamental para o tratamento e uma troca de valores com a família. "Eu tenho dois filhos e sempre fui o pilar da minha casa. Foi uma forma de mostrar que estava ali ativa. Quando a minha família abraçou a causa de me proporcionar o esporte com toda a liberdade, eu fui", lembrou a brasileira.

Entre os filhos, somente o mais novo, de 19 anos de idade - o outro tem 23 -, se interessou em também praticar natação, mas teve que parar. Por causa das dificuldades financeiras, resolveu que o melhor era trabalhar e estudar. “De quatro meses para cá, ele não sabe o que é ver o pagamento dele. Um rapaz adolescente, o pagamento dele veio para mim, para eu vir para cá. Então, é uma forma de agradecer ao meu filho mais novo. Se já tenho orgulho dele, espero que eu seja um orgulho para ele também”, afirmou Patrícia.

Mais ajuda

Patrícia contou ainda com apoio de algumas pessoas que contribuíram financeiramente para que pudesse se preparar e viajar para o Rio de Janeiro e competir na Paralimpíada. Sorridente, inventou uma palavra para a forma como conseguiu os recursos. “Alguém conhece o pedômetro (sistema para pedir dinheiro)? Chapeuzinho, passei o chapéu. Faziam rifas. Não posso reclamar da clínica que me acolheu para fazer o tratamento, ao ponto de pagar passagem, bancar a hospedagem".

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Segundo a nadadora, esse movimento a fez chegar à cidade não apenas com a energia positiva, mas que pudesse acreditar em si mesma. “Vim para cá com a responsabilidade de simplesmente me divertir, de chegar a mostrar o potencial e a capacidade que nós brasileiros temos de encarar, independentemente de qual seja a dificuldade. E isso nós conseguimos fazer de sobra”, afirmou.

“Independente do que seja a circunstância de uma dificuldade da vida, é voce levantar a cabeça e acreditar que pode ser diferente. Você fazer diferente. Não porque as pessoas querem que seja, mas sim você. Foi o que fiz”, concluiu a atleta da natação paralímpica do Brasil.

*Com Agência Brasil