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Tênis em cadeira de rodas brasileiro teve pela primeira na história vez vitórias em chaves feminina e Quad

Natalia Mayara foi uma das atletas do tênis em cadeira de rodas
Rio 2016/REPRODUÇÃO
Natalia Mayara foi uma das atletas do tênis em cadeira de rodas

O tênis em cadeira de rodas do Brasil encerrou a sua participação nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro sem medalha, mas com grande evolução em comparação a edições anteriores. Assim, este ciclo é fechado com marcas importantes, como o aumento de competidores na participação feminina e também na categoria Quad. 

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A pernambucana Natalia Mayara, por exemplo, que foi a primeira atleta brasileira do tênis em cadeira de rodas a participar de uma Paralimpíada em Londres 2012, se tornou no Rio 2016 a primeira brasileira a vencer uma partida, tendo chances contra uma das principais favoritas, a britânica Jordanna Whiley, cabeça de chave número 3. 

Natalia começou o jogo abaixo do que pode fazer e conseguiu buscar o primeiro set com boas oportunidades no 4/4, mas nos detalhes a adversária foi superior e fechou a parcial. Em vários momentos do segundo set, os pontos importantes acabaram vencidos pela britânica, que fechou a partida com 6/4 e 6/1, em 1h16min, na Quadra 2.

"Faltou um pouco mais do meu saque, que eu não estava conseguindo ter tão consistente e eficiente. Alguns erros bobos que eu cometi, que talvez poderia ter tirado uns gamezinhos a mais dela, então achou que foram alguns detalhes mesmo", afirmou Natalia Mayara sobre a partida. 

“Independente do resultado já entrou para a história do tênis para mim, porque eu vivi momentos que nunca tinha vivido antes, foi incrível ter essa torcida me apoiando, foi incrível poder ter entrado todos os dias em quadra representando o meu país dentro do meu país e saio muito feliz. Sei que tinha condições de ir mais longe, queria muito ir mais longe do que isso, mas ao mesmo tempo realizada por ter feito parte disso tudo", completou a melhor brasileira ranqueada.

Entre os homens

Daniel Rodrigues abriu a programação da quadra Maria Esther Bueno com a difícil missão de enfrentar o atual bicampeão paralímpico, um dos maiores atletas da história do tênis em cadeira de rodas, o japonês Shingo Kunieda. E o mineiro conseguiu uma boa apresentação, apesar de ser superado com parciais de 6/2 e 6/1, em 1h11min.

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"Eu sabia que era um jogo difícil, mas eu estava já com o foco de fazer o meu jogo e com que essa partida não fosse tão difícil assim. Para jogar com ele, você tem que ter persistência, tem que insistir, pois ele é um cara muito rápido. Eu tive tranquilidade para fazer o jogo ficar bonito, ficar bacana dos dois lados. Tentei buscar ao máximo força para não tomar pontos de graça e o jogo foi bem disputado", afirmou Daniel.

Brasil teve oito atletas no tênis da Paralimpíada
Rio 2016/REPRODUÇÃO
Brasil teve oito atletas no tênis da Paralimpíada

"Eu vejo que são detalhes e não detalhes tão grandes para ganhar de um cara como esse. Você sabe que é um cara muito bom, mas que você também está ali abaixo por questão de detalhes. Você tem que ajustar a cada dia e uma competição dessa te motiva muito. Agora é fazer a preparação para ganhar desses caras. Aqui eu me senti em casa e senti que dá para ganhar, é difícil mas dá. Vou buscar essa vitória contra eles e tenho que agradecer essa torcida que apoiou", completou o atleta, que jpa visa os Jogos de Tóquio 2020.

O último jogo dos brasileiros no Rio de Janeiro foi na chave de duplas, com Daniel Rodrigues e Rafael Medeiros sendo superados pelos holandeses Tom Egberink e Maikel Scheffers com parciais de 6/2 6/3 na Quadra 8.  

Maior número de brasileiros

Esta foi a edição dos Jogos Paralímpicos com o maior número de atletas brasileiros no tênis em cadeira de rodas e a primeira vez em que o país teve representantes em todas as chaves, inclusive com a chegada às quartas de final do catarinense Ymanitu Silva no Quad, com uma derrota por detalhes para o sul-africano Lucas Sithole, número 3 do mundo.

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Além de contar com uma delegação experiente, com Mauricio Pomme, Carlos Santos e Rejane Candida, o time brasileiro foi formado também por atletas mais jovens como Daniel Rodrigues, de 29 anos, Rafael Medeiros, de 26, e Natalia Mayara, de 22.

Atualmente o Brasil tem ainda outros jovens em ascensão como Bruno Makey, Meirycoll Duval e Aline Cabral, que competem no circuito de tênis em cadeira de rodas e fazem parte atualmente do top 100, além de Jucelio Torquato, Fabio Bernardes, Maria Fernanda Alves e Ana Caldeira, que estão entre os melhores juvenis do mundo.

Confira abaixo o histórico de participantes do país

 Barcelona 1992 - Nenhum brasileiro
Atlanta 1996 - 2 brasileiros
Sydney 2000 - Nenhum brasileiro
Atenas 2004 - 2 brasileiros
Pequim 2008 - 2 brasileiros
Londres 2012 - 5 brasileiros
Rio 2016 - 8 brasileiros (pela primeira vez com atletas em todas as chaves)

Representaram o Brasil os tenistas Natalia Mayara e Rejane Candida nas chaves femininas, Carlos Santos, Daniel Rodrigues, Mauricio Pomme e Rafael Medeiros nas chaves masculinas, além de Rodrigo Oliveira e Ymanitu Silva nas chaves Quad. Os técnicos que trabalham com os atletas e acompanharam no Rio 2016 foram Leonardo Oliveira, Raphael Moraes e Ricardo Pimentel, além de Wanderson Cavalcante, coordenador do tênis em cadeira de rodas na Confederação Brasileira de Tênis.