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Dirceu Pinto e Eliseu dos Santos vão em busca do terceiro ouro paralímpico consecutivo nas duplas. Antonio Leme e Evelyn de Oliveira têm chances de medalha inédita

A equipe brasileira comemora a vitória. Da esquerda para a direita: Marcelo Santos, a técnica Janaína Petasso, Dirceu Pinto e Eliseu Santos
Marcelo Regua/MPIX/CPB
A equipe brasileira comemora a vitória. Da esquerda para a direita: Marcelo Santos, a técnica Janaína Petasso, Dirceu Pinto e Eliseu Santos

Mais uma vez a bocha brasileira contou o apoio intenso da torcida no Parque Olímpico da Barra, no Rio de Janeiro, neste domingo (11) dos Jogos Paralímpicos do Rio 2016. E as duplas brasileiras não decepcionaram. Dirceu Pinto e Eliseu dos Santos (Marcelo, irmão de Eliseu, é o reserva) fizeram uma bela partida pela classe BC4 contra a Grã-Bretanha, vencendo por 4 a 2, e, de quebra, arrancando a classificação para a disputa do ouro contra a Eslováquia, já nesta segunda-feira (12), a partir das 14h, na Arena Carioca 2.

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"Quero agradecer toda a torcida que deu um show com a gente agora nessa semifinal e dizer que contamos com a mesma energia na final de amanhã" , disse o bicampeão paralímpico Dirceu Pinto, logo que deixou a quadra sob aplausos da torcida.

Dirceu, natural de Francisco Morato, região metropolitana de São Paulo, sofre de distrofia muscular de cinturas, uma doença degenerativa muscular e progressiva. O atleta começou a jogar bocha em 2002, quando descobriu a extensão do problema de saúde e iniciou o processo de adaptação à vida de cadeirante. "Dos 19 aos 22 eu passei dentro de casa. Já estava em depressão e não queria sair por causa da minha doença. Eu não fazia mais nada. Quando conheci a bocha, minha vida foi transformada" , relata o cadeirante.

"Eu sempre tive o sonho de representar o Brasil em uma Olimpíada. Fiz natação dos 14 aos 19 anos, naquela época do Xuxa e do Gustavo Borges, mas não foi possível conquistar nada porque meu corpo foi ficando fraco, eu não tinha forças por causa da doença. Foi através da bocha adaptada que pude realizar esse sonho" , completa. Hoje ele vai brigar pelo quinto ouro em Jogos Paralímpicos (já conquistados no individual e por equipes em Pequim 2008 e Londres 2012).

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Velho parceiro de Dirceu Pinto, Eliseu dos Santos conquistou os dois ouros paralímpicos em duplas. Além disso, tem outras duas medalhas de bronze na categoria individual nas mesmas edições paralímpicas.

Mas uma das maiores alegrias de Eliseu agora é poder contar com a companhia do irmão, Marcelo, nessa busca pelo ouro no Rio 2016. "Agora ele está aqui para nos ajudar a levar essa medalha e para isso fizemos uma excelente preparação". O irmão estreante está otimista: "Nós sabemos que todos os times vieram para vencer, mas estamos confiantes no nosso potencial e queremos demais isso" , diz Marcelo dos Santos.

Sobre a seleção adversária na final, Eliseu afirma que vai ser um jogo difícil, mas tem fé de que o lugar mais alto do pódio será dos donos da casa. "A gente se preparou bem para vencer qualquer que fosse o adversário. Estamos cientes disso. A Eslováquia joga bem, mas amanhã nós vamos fazer nosso melhor jogo e vamos arrebentar, se Deus quiser" .

Ídolo do adversário

De acordo com o atleta mais experiente da seleção de bocha, a missão não acabou. "Nós ainda não chegamos onde queremos, a meta é subir no lugar mais alto do pódio e cantar o hino nacional para emocionar todos os brasileiros e levar a bandeira da bocha a todas as pessoas que acham que não podem praticar esporte por ter algum tipo de deficiência. Todos podem praticar a bocha" , afirmou Dirceu.

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O discurso de Dirceu, a história de luta e a larga bagagem fizeram com que ele se tornasse referência até mesmo para os adversários. O jogador eslovaco Samuel Andrejcik, que vai enfrentar a seleção brasileira na decisão, tem o multimedalhista como ídolo. "O Samuel é um atleta especial. Ele é um dos nossos melhores amigos, junto com o Stephen Mcguire da Inglaterra, que fez essa semifinal com a gente. Nós já fizemos intercâmbios e o Samuel sempre vem nos cumprimentar, mesmo a gente não entendendo quase nada, mas sempre conseguimos nos comunicar de alguma maneira" , ri Dirceu.

Mais Brasil na final de duplas

A outra final brasileira por duplas será disputada pela classe BC3 com Antonio Leme e Evelyn de Oliveira (Evani da Silva é a reserva da dupla). Eles conquistaram a vaga ao bater a seleção de Singapura por 6 x 2 e enfrentarão a Coreia do Sul na final, às 17h30 desta segunda-feira, na também na Arena Carioca 2 do Parque Olímpico.

Ao final da partida, o calheiro Fernando Leme, que auxilia o irmão Antonio, falou emocionado: "É a nossa primeira Paralimpíada, ainda não consigo descrever. Quando vi que já estávamos no pódio, mesmo antes de disputar a final, não consegui me conter e já fui às lágrimas".