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Mário Sérgio Fontes é pioneiro na prática esportiva para cegos no Brasil e não gosta do rótulo dado a atletas com deficiência

Muitas pessoas tratam os atletas com deficiência como super-heróis, principalmente por terem uma vida diferente das outras pessoas, tendo que se adaptar à sua nova realidade. Esse rótulo, porém, não é bem visto pelo ex-atleta paralímpico Mário Sérgio Fontes, que participou da Paralimpíada de Nova York, em 1984, e de Seul, em 1988. Para ele, os paralímpicos são seres humanos comuns, que têm que treinar muito para conseguir bons resultados.

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“As pessoas com deficiência podem ser mocinhos ou bandidos, como outras quaisquer. Não gosto muito dessa supervalorização. Para mim, isso é uma discriminação feita ao contrário”, disse Mário Sérgio, que foi o primeiro cego a se formar no curso superior de educação física no Brasil, pela Universidade Federal do Paraná, em 1990.

Mário Sérgio Fontes participou de duas Paralimpíadas
Arquivo pessoal
Mário Sérgio Fontes participou de duas Paralimpíadas

Mário Sérgio Fontes é deficiente visual desde os três anos de idade. Ele ficou cego quando assistindo a uma competição de aeromodelismo em Paranaguá, no litoral do Paraná, e foi atingido por um dos aviões, que se soltou do cabo de aço. "Foi altamente preciso, uma hélice em cada olho", disse o ex-atleta.

Mesmo depois do acidente, ainda muito criança, ele não deixou de brincar como uma pessoa normal e considera que o início de sua vida esportiva começou ainda na infância. “Mesmo sendo deficiente visual, e mesmo sem conhecer outras crianças com deficiência visual, todas as minhas brincadeiras na rua foram de princípio esportivo, até porque nesse tempo não existia nada relacionado à prática esportiva organizada para deficientes".

Pioneiro no esporte adaptado

Mário Sérgio foi fundamental no início da organização do esporte para cegos no Brasil. Depois de fazer parte de uma competição organizada pelas Apaes, em 1980, ele conheceu pessoas com deficiência visual de outros estados e resolveu unir forças para estruturar o esporte voltado especialmente para os cegos do País. “No ano seguinte, organizamos o primeiro campeonato brasileiro de futebol, que foi a base para a organização do desporto de cegos no Brasil”.

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Já no ano de 1984, o professor de educação física participou da criação da ABDC (Associação Brasileira de Desportos para Cegos), garantindo a participação de deficientes visuais na Paralimpíada de Nova York, no mesmo ano. Sete atletas cegos participaram da competição, seis no atletismo e um na natação. Neste ano, as atletas Anelise Hermany e Márcia Malsar conquistaram seis medalhas no atletismo.

"Ninguém tinha o conhecimento do que era uma competição internacional, o nível dos competidores. Saímos daqui achando que éramos os melhores do mundo", comentou Mário Sérgio Fontes.

Ele também foi um dos responsáveis pela introdução do goalball no Brasil, em 1986, quando participou do Mundial da modalidade, na Holanda. "Eu trouxe para o Brasil as primeiras bolas e as regras do jogo", lembrou Fontes. O primeiro campeonato brasileiro foi realizado no ano seguinte, em Uberlândia. Atualmente, o goalball, que é uma modalidade desenvolvida exclusivamente para deficientes visuais, baseado na percepção tátil e auditiva do atleta, sendo praticado em 112 países.

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Além de ter participado das Paralimpíadas de Nova York, em 1984, e Seul, em 1988, ambas as vezes competindo no atletismo, Mário Sérgio também esteve em Atenas 2004 como coordenador da seleção de Futebol de 5, para atletas com deficiência visual, e em Pequim 2008 como dirigente. Ele estará no evento do Rio de Janeiro como representante brasileiro no subcomitê de Futebol de 5 da Federação Internacional de Esportes para Cegos.

*Com Agência Brasil