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Brasil se despediu do hipismo sem medalhas nos Jogos Olímpicos do Rio, apesar da boa campanha dos seus cavaleiros

O clima bem que ganhou ares de celebração brasileira. No último dia do hipismo nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, e debaixo do forte sol de Deodoro, a torcida compareceu, as bandeiras nacionais estavam ali e o percurso era repleto de obstáculos temáticos, todos exaltando a cultura dos anfitriões.

Doda Miranda representou o Brasil nas Olimpíadas
Rio 2016/REPRODUÇÃO
Doda Miranda representou o Brasil nas Olimpíadas

No entanto, a alegria do ouro de Atenas 2004 e dos bronzes de Atlanta 1996 e Sydney 2000 foi a única ausência na modalidade. Depois de erros no primeiro round da final individual de saltos, Doda Miranda, Pedro Veniss e Eduardo Menezes viram o sonho da medalha se afastar.

 Ao lado de outros 32 conjuntos, os brasileiros disputaram o round A, etapa que ficou marcada pela grande quantidade de atletas, 13 ao todo, que conseguiram “zerar” a prova, ou seja, não cometeram nenhuma falta e, assim, deixaram a pista sem pontos perdidos.

“Os cavalos estão saltando bem. Os obstáculos são bonitos e chamativos, então os cavalos acabam prestando mais atenção e conseguem ler melhor. Acabou ficando um pouco suave”, avaliou o experiente Doda Miranda, em sua quinta participação olímpica. 

Mesmo com o percurso considerado mais simples, os brasileiros não tiveram sorte. Eduardo Menezes (montando Quintol) cometeu duas faltas e, com oito pontos perdidos, acabou eliminado ainda no round A. Pedro (Quabri de L’isle) e Doda (Cornetto K) derrubaram um obstáculo cada e, com quatro pontos de desvantagem, ainda conseguiram vaga no round B, mas sabiam que o caminho para o pódio tinha se complicado.

 "Acabei montando um pouco mais forte do que eu precisava no Rio, que foi o salto anterior ao da minha falta, e isso desregulou um pouco o meu cavalo. Acho que ele ficou um pouco mais agitado. A gente acaba entrando com menos pressão. Quem fez 0 pontos já está pensando muito na medalha, aí pode acabar errando”, destacou Doda.

Passado o intervalo, quando os cavalos ganharam um momento de sombra, com direito a ventilador e água com eletrolítico para repor as energias, os cavaleiros retornaram à pista na parte da tarde. Doda e Pedro dependiam de uma apresentação limpa e, além disso, contar com erros dos rivais, já que o resultado seria uma combinação dos rankings das finais A e B.

No que estava nas mãos deles, os cavaleiros até cumpriram com a obrigação. Em um percurso mais exigente e com o tempo limite de 68 segundos, Doda não cometeu falta e continuou com os mesmos quatro pontos. Pedro também não derrubou os obstáculos, mas recebeu um ponto a mais por ultrapassar o tempo da prova. Com os adversários repetindo o bom desempenho da manhã, os brasileiros acabaram caindo na classificação. Doda ficou em nono lugar, empatado com outros seis cavaleiros, enquanto Pedro terminou em 16º, ao lado de outros dois.

 "Acho que poderia ter feito melhor hoje, mas agora me resta trabalhar nos próximos quatro anos e agradecer por ter esse cavalo fantástico. Vou poder contar com ele para as Olimpíadas de Tóquio. Acho que a gente fez uma boa Olimpíada no Rio. Ficamos decepcionados por não conseguir uma medalha, mas mostramos para todos que a gente brigou com os melhores do mundo, algo que, há seis meses, não pensavam que a gente ia conseguir”, disse Pedro.