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Vitaly Petrov avalia que Thiago já é igual ou melhor do que foi Bubka em diversos parâmetros técnicos, como na empunhadura

Thiago Braz foi campeão olímpico no salto com vara
Rio 2016/REPRODUÇÃO
Thiago Braz foi campeão olímpico no salto com vara

Por trás do ouro olímpico de Thiago Braz, há todo o trabalho do técnico Vitaly Petrov. Pelas mãos do ucraniano passaram os recordistas Sergey Bubka e Yelena Isinbayeva, que lhe deram gabarito no salto com vara. Após os Jogos do Rio, a meta do mentor é colocar o brasileiro no mesmo patamar dos grandes nomes do esporte, e ele projeta que isso possa ser alcançado em pouco tempo.

Petrov avalia que Thiago já é igual ou melhor do que foi Bubka em diversos parâmetros técnicos, como na empunhadura. Para ultrapassar o sarrafo a 6,03 metros e cravar o recorde olímpico, o brasileiro segurou a vara em 5,25m, enquanto a sumidade do atletismo segurava 10 centímetros abaixo. Além disso, explicou que diversos problemas já foram corrigidos: velocidade, corrida e técnica. A partir de agora, a dupla se concentrará em passar de 18 para 20 passadas em direção ao salto.

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O treinador confia que, assim que esse objetivo for alcançado, Thiago tem grandes chances de superar a marca de 6,16m, obtida pelo francês Renaud Lavillenie em 2014. “Penso que, no próximo ano ou em no máximo dois anos, ele possa bater o recorde mundial”, projeta. Mas faz uma ressalva: “É importante que, a partir do primeiro dia de treino, ele esqueça que é campeão olímpico porque vai ter de treinar mais forte do que treinava até ontem.”

Thiago Braz conversa com Vitaly Petrov
Reprodução
Thiago Braz conversa com Vitaly Petrov

Na opinião do ucraniano, recordes e medalhas acabam freando o desenvolvimento de muitos atletas. É justamente isso que tentará evitar que aconteça com Thiago. Petrov acreditou no potencial do brasileiro desde a primeira vez que o viu treinando. “Se Sergey podia saltar 6,30m, por que Thiago não?”, questionou em seus pensamentos. Na época, tinha a função de consultor do salto com vara da Confederação Brasileira de Atletismo e trabalhava em conjunto com Elson Miranda, técnico e marido de Fabiana Murer.

A aproximação se deu de vez em 2014, quando Thiago passou a treinar exclusivamente com ele em Formia, na Itália. E o treinador valoriza esse tipo de relacionamento. Para ele, foi um fator importante no desenvolvimento de Bubka no início da carreira e fundamental para a evolução do brasileiro. “Comecei a dar treino para o Bubka quando ele tinha dez anos, conhecia seu caráter, a forma de trabalhar e os hábitos, ficou muito fácil”, relembra.

Petrov, por sua vez, não tem a mesma opinião sobre a parceria com a russa. “Isinbayeva veio com 18 anos, já era adulta, não tinha sido formada por mim. Comigo bateu recordes e ganhou Jogos Olímpicos, mas era mais difícil trabalhar com mulher”, avalia.

O técnico se desdobra em diversos papéis com seus pupilos, de pai, amigo a ditador. Preocupado com Thiago após os Jogos Pan-Americanos de Toronto, o treinador pediu auxílio do Comitê Olímpico do Brasil. O atleta passou a ser orientado por uma equipe bioquímica para que mudasse sua alimentação e ganhasse peso, aumentando também sua força. Com o auxílio da mulher Ana Paula Caetano de Oliveira, que prepara de cinco a seis refeições diárias, Thiago conseguiu manter os 83kg.

O atleta contou também com ajuda na parte psicológica. “Ele teve três resultados ruins (Pan, Campeonatos Mundiais Indoor e Outdoor), não compatíveis com o nível que tinha na temporada. Houve uma busca para identificar o que não estava ocorrendo da maneira correta e como a gente poderia contribuir”, explicou Jorge Bichara, gerente geral de Performance Esportiva do COB e subchefe da missão brasileira nos Jogos do Rio.