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Pela primeira vez desde Atlanta 1996, o velejador brasileiro não conquista uma medalha olímpica; Jorge Zarif também terminou na quarta colocação

Robert Scheidt liderou última regata, mas terminou em quarto lugar
Reprodução/Twitter Brasil 2016
Robert Scheidt liderou última regata, mas terminou em quarto lugar

Pela primeira vez, o velejador Robert Scheidt, 43 anos, não conseguiu uma medalha olímpica. Nesta terça-feira, o brasileiro venceu a última regata da classe laser, a "medal race" - apenas com os melhores barcos na disputa -, mas isso não foi suficiente para que ele conseguisse seu sexto pódio em Olimpíadas. 

Uma campanha irregular no decorrer dos Jogos do Rio prejudicou o desempenho final de Scheidt. No penúltimo dia das classificatórias, ele até se recuperou e terminou na vice-liderança; porém, a 26ª e 11ª colocação nas duas últimas regatas classificatórias o deixaram em quinto antes da prova decisiva.

Hoje, Scheidt tinha chances de arrematar apenas o bronze, mas, para isso, precisava terminar cinco posições à frente do rival neozelandês Sam Meech, o que não aconteceu. Meech permaneceu no pelotão de frente e ficou com o terceiro lugar. Tom Burton, da Austrália, e Tonci Stipanovic, da Croácia, levaram o ouro e a prata, respectivamente.

Ao lado de Torben Grael, Robert Scheidt é o brasileiro com maior número de medalhas olímpicas: dois ouros (Atlanta 1996 e Sydney 2000), duas pratas (Atenas 2004 e Pequim 2008) e um bronze (Londres 2012).

"É um dia de sensação bem diversas. Ganhar a medal race na minha última prova pela Laser em Olimpíada, e sentir essa energia da torcida é uma coisa muito especial. Por outro lado, não cheguei à medalha olímpica. Sabia que a chance era pequena. Lutei com todas as armas para chegar nela. Quase deu", afirmou Scheidt, para quem o neozelandês teve "muito sangue frio" para segurar a posição e terminar a prova em quarto. Para Scheidt ficar com o bronze, Meech teria de chegar em sexto. "Hoje eu venci, olhando para trás."

Scheidt ainda não definiu seu futuro. Ele não voltará a competir pela Laser em Olimpíada. "Acho que ninguém velejou mais do que eu no mundo. Muita gente duvidava que eu aos 43 anos seria competitivo e eu mostrei que dava. Faltou pouco. Tecnicamente e fisicamente eu não devia nada para os três medalhistas. Foi mais a inconsistência de resultados". Ele disse que vai esperar "a adrenalina" baixar para decidir se voltará a competir em Olimpíada. "Não pensei um segundo sobre isso."

Scheidt fez a prova perfeita. Largou pela direita e tomou a dianteira da regata desde o início. Ele só foi ameaçado brevemente pelo francês Jean Baptiste Bernaz, após a terceira boia, mas tinha preferência na passagem e se manteve na primeira colocação. "Até freei o meu barco para tentar causar alguma situação, alguma colisão, que rendesse protesto. Mas o francês me passaria e não resolveria a questão. Fiz o que deu para fazer. Eles foram um pouco mais consistentes que eu durante a semana. Foi uma semana de altos e baixos."

No momento em que ele cruzou a linha de chegada, o público na Praia do Flamengo aplaudiu e sacudiu bandeiras do Brasil. Scheidt passou junto à praia e acenou. Na zona mista, onde os atletas dão entrevistas, a mulher dele, Gintare, se aproximou e ele puxou a mão dela. Ficaram de mãos dadas, enquanto ele falava com repórteres. Ela também competiu a medal race da sua categoria, a Laser radial, mas não tinha chance de medalha.

O australiano Tom Burton, de 26 anos, terminou em terceiro e ficou com o ouro. O croata Tonci Stipanovic, de 30 anos, ficou com a prata - é a primeira medalha da vela para seu país. Ele liderava a prova, mas foi penalizado ao bater no barco do australiano e teve de largar por último. O neozelandês Sam Meech disse que estava orgulhoso de ganhar o bronze em sua primeira Olimpíada. "Eu estava muito nervoso", disse.

NÃO DEU MEDALHA PARA JORGE ZARIF

O brasileiro Jorge Zarif, 23 anos, terminou em quarto lugar na classe Finn do torneio de vela da Olimpíada do Rio. Ele foi para a última regata, na tarde desta terça-feira, na Marina da Glória, dependendo de uma série de resultados para ficar com a medalha de bronze, mas terminou apenas em terceiro na medal race. A festa foi do britânico Giles Scott, que ganhou a medalha de ouro. O eslovaco Vasilij Zbogar ficou com a prata e o norte-americano Caleb Paine, ganhou o bronze.

Jorge Zarif terminou em quarto na categoria finn
THIAGO BERNARDES/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
Jorge Zarif terminou em quarto na categoria finn

Numa tarde de ventos favoráveis, Zarif chegou a liderar a prova. Em entrevista, o velejador não escondeu o abatimento. Ao contrário do discurso da equipe técnica de que o objetivo é a Olimpíada de Tóquio, em 2020, Zarif chegou a dizer que não estava certo de continuar no esporte. "Não sei se vou fazer um novo ciclo", afirmou. Depois, contemporizou: "Quem sabe eu estarei melhor em Tóquio, mas eu queria mesmo era ganhar em casa".

Ele avaliou que, diferentemente de Londres 2012, sua primeira Olimpíada, estava agora preparado para desafiar os principais concorrentes. "Não era mais um garoto aventureiro. Eu dei o meu máximo", disse. "Nestes últimos quatro anos minha vida foi a vela", completou. "É uma pena que não terminei numa posição melhor. Se vela fosse judô (que dá duas medalhas de bronze), eu ficaria com uma medalha". Zarif observou que os três velejadores provavelmente, pela idade, não deverão disputar os Jogos de Tóquio. "Vamos ver se terei toda uma infraestrutura para continuar."

*Com Estadão Conteúdo