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"É exatamente isso (resultado) que não deveria pautar nosso relacionamento com o futebol e qualquer desporto", disse o técnico

Estadão Conteúdo

Título inédito, mas não a salvação. O técnico Rogério Micale, da seleção olímpica de futebol, afirmou nesta segunda-feira que a possibilidade de o Brasil conquistar medalhas de ouro no masculino e no feminino não deve ser considerada a salvação para as críticas sobre a gestão e organização do esporte no País. Para o treinador, é preciso ter calma antes de pensar que as duas oportunidades indiquem uma reação na modalidade.

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"É exatamente isso (resultado) que não deveria pautar nosso relacionamento com o futebol e qualquer desporto", disse o técnico, após ser questionado se o desempenho do futebol masculino e feminino na competição poderia retomar a confiança do torcedor na seleção. "Essa oscilação de humor que nós temos de uma semana para outra, se ganhar é o melhor do mundo, se perder tem que começar tudo de novo. Precisávamos avaliar mais a forma de fazer o futebol brasileiro, para ter um trabalho bem desenvolvido", completou.

O treinador relembrou que o imediatismo nas avaliações sobre o futebol é negativo e, inclusive, citou a campanha da sua equipe no torneio olímpico. Foram dois empates sem gols nos primeiros jogos antes de golear a Dinamarca, bater a Colômbia e chegar à semifinal contra Honduras, nesta quarta-feira, como favorito. "Se não acontecessem os resultados as críticas não teriam servido de nada, nem estaríamos aqui. A equipe soube lidar bem com a pressão. Chegamos mais fortes nesse momento de decisão", disse o técnico.

Micale comanda o Brasil na semifinal contra Hondura
Mowa Press
Micale comanda o Brasil na semifinal contra Hondura

Micale não quis antecipar a escalação do time que enfrentará Honduras, mas indicou que não terá muitas mudanças em relação à equipe que jogou contra a Colômbia, no último sábado. Ele pediu apoio ao torcedor e "paciência" ao time na partida, já que os adversários devem provocar os "nervos" dos jogadores diante da pressão de ganhar em casa.

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"Ele (técnico) vai tentar trabalhar com os nervos da seleção brasileira, transferir a responsabilidade para a nossa equipe. É um jogo de muita paciência. Temos que ter muita tranquilidade para não proporcionar aquilo que têm de mais forte que é o contra ataque", disse Micale.

Honduras busca uma revanche contra o Brasil, que eliminou o rival nas quartas de final da última Olimpíada de Londres, em 2012. No Rio, o time hondurenho eliminou a Argentina na fase de grupos, na última semana. O desempenho despertou a confiança do técnico, o colombiano Jorge Luis Pinto, na partida contra o Brasil. "Ele está no direito de sonhar com isso, assim como nós sonhamos com a medalha de ouro. Nós também estamos muito confiantes. A seleção brasileira sabe a importância dessa medalha", disse Micale.

A atuação de Neymar como capitão da equipe, criticada pelo perfil explosivo do atleta, foi descrita pelo treinador como "responsável". Segundo ele, o jogador se tornou "protagonista" muito cedo, e tem um amadurecimento "inerente" à trajetória de sua carreira. "Ele aprende com os erros, se ele errou no passado acho que está tentando aprender no presente e para o futuro. Se ele vai continuar, não posso dizer, é individual. Creio e espero que ele consiga".

Micale ainda comentou a relação com o técnico da seleção principal, Tite. Segundo ele, os dois conversam sobre os jogadores e trocam avaliações e sugestões sobre o desempenho em campo. "Se pudesse, convocaria todos os jogadores", disse, sobre o elenco da seleção principal. "Não tenho nenhum tipo de receio de quando tenho uma dúvida, ligar para perguntar ou solicitar opinião pela experiência que ele tem. Em contrapartida, estou à disposição. O objetivo é que trabalhemos juntos para que possamos, eu na olímpica e ele na principal, fazer o melhor trabalho possível. No que depender de mim, ele vai ter todas as informações necessárias", completou.

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