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Baiano de 27 anos ganhou do tricampeão mundial, melhor do mundo na categoria leve (até 60kg), e se classificou. Garantiu, ao menos, a prata

Estadão Conteúdo

Robson Conceição está na final olímpica do boxe
Reprodução/Twitter
Robson Conceição está na final olímpica do boxe

Na luta mais aguardada pelo boxe brasileiro no Rio, neste domingo, Robson Conceição derrotou Lazaro Jorge Álvarez e se garantiu na decisão olímpica. Com o pavilhão 6 do Riocentro parecendo um caldeirão, o baiano de 27 anos ganhou do cubano tricampeão mundial, melhor do mundo na categoria leve (até 60kg), e se classificou. Com isso, garantiu que ao menos a medalha de prata ele tem. Álvarez fica com o bronze.

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"Ainda não caí na real. Estou doido para que chegue logo essa final. Até lá, é manter a concentração, que a nossa preparação foi muito boa", disse Robson, radiante com a vitória sobre Lazaro Jorge Álvarez.

A luta começou tensa, principalmente pela pressão da torcida, que ocupava quase a totalidade das arquibancadas. Álvarez, entretanto, manteve seu estilo de lutar, sempre medindo a distância e com a guarda baixa. O primeiro round não teve vencedor claro - dois juízes laterais deram triunfo do cubano, enquanto um apontou do brasileiro.

"Estava 1 a 1 e essa era a hora de desempatar, com o apoio da torcida. Graças a isso, a essa animação, que consegui o que eu consegui", avaliou Robson.

Robson parece ter sentido que a vantagem não era dele e foi mais agressivo no segundo round. Arriscando mais golpes, pressionou o rival, dominando o centro do ringue, e teve vitória incontestável.

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Chegou ao terceiro assalto em vantagem, mas ainda assim um pouco afobado. Em sua sequência de golpes, chegou a se desequilibrar. O supercílio esquerdo, que já estava aberto, passou a sangrar e os médicos tiveram que atendê-lo. Os 35 segundos finais foram alucinantes, como se ninguém tivesse nada a perder. Um árbitro até viu vitória do cubano, mas mesmo assim o resultado final foi unânime.

Robson havia garantido a medalha ao vencer nas quartas de final Hurshid Tojibaev, do Usbequistão, dono do cinturão APB, a liga semi-profissional da Associação Internacional de Boxe (AIBA). A vaga na final, porém, foi ainda mais comemorada. Álvarez ganhou do brasileiro na final do Mundial de 2013 e tirou Robenilson de Jesus dos Jogos de Londres, há quatro anos.

"São dois atletas muito bons. O da Mongólia já lutei quatro vezes. Também estamos empatados. O francês eu ainda não lutei, mas sei que é um cara muito bom", comentou o brasileiro.

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A medalha reafirma a retomada do boxe olímpico brasileiro. Até quatro anos atrás, a única medalha do País nos Jogos havia sido conquistada em 1968, por Servílio de Oliveira. Em Londres, foram três pódios: prata com Esquiva Falcão e bronze com Adriana Araújo e Yamaguchi Falcão.

Desde 2010, o Brasil também vem conquistando resultados significativos em Campeonatos Mundiais. Ganhou título mundial juvenil, feminino e masculino. Em ano passado, em Baku, só Robson foi ao pódio, com bronze. O resultado o classificou para estar no Rio 2016.

No Rio, Robson faz suas últimas lutas como amador. Ele nunca escondeu que tem o sonho de ser campeão mundial profissional, mas esperou até a Olimpíada para fazer essa migração.

DERROTA DE ROBENILSON

Depois de estrear com vitória apertada sobre um argelino, Robenilson de Jesus caiu diante do norte-americano Shakur Stevenson, em decisão unânime dos árbitros. A luta foi válida pela categoria dos pesos galo, para atletas de até 56kg.

O primeiro assalto foi bastante parelho. Os dois boxeadores pareciam alternar momentos. Um dominava o centro do ringue e arriscava uma sequência de golpes, o outro defendia. Depois, mudavam de posição. Os árbitros não concordaram com quem levou a melhor. Dois deram vitória do norte-americano, um viu o brasileiro melhor.

No segundo round, uma boa sequência de golpes de Stevenson, campeão olímpico da juventude em 2014, abriu o supercílio direito de Robenilson, que precisou ser atendido. Ainda que o norte-americano tenha tomado mais atitude, novamente um árbitro entendeu que o dono da casa venceu o assalto por 10 a 9.

A luta chegou ao round decisivo praticamente empatada. Se o round tivesse um vencedor claro, ele ganharia a luta. Os golpes certeiros de Stevenson e uma sequência de ganchos com Robenilson preso às cordas, porém, não deixaram dúvida que a luta havia sido do norte-americano.

Essa foi a terceira Olimpíada de Robenilson, de 28 anos. Representante da Bahia, ele caiu nas quartas de final em Londres e, como agora, nas oitavas de final de Pequim. Nos últimos dois Mundiais, também ficou nas oitavas.

QUEDA DE MICHEL BORGES

O brasileiro Michel Borges saiu da briga por medalha olímpica no boxe. Neste domingo, o boxeador do meio-pesado (até 81kg) não foi páreo para o cubano Julio Cesar de La Cruz, tricampeão mundial. Em luta que garantia ao menos o bronze ao vencedor, o experiente lutador de Cuba venceu por decisão unânime dos árbitros - todos viram vitória do favorito em todos os três rounds.

La Cruz tem o estilo de lutar dos cubanos, com a guarda baixa, com a mão abaixo da cintura, sempre oferecendo o rosto. Michel é o oposto. Não tira as duas mãos da cara. Nas vezes que buscou um cruzado ou um direto nos dois primeiros rounds, passou no vazio.

Ainda que o brasileiro comemorasse, não houve dúvidas da vitória do cubano nos dois primeiros assaltos. No terceiro, precisava derrubar La Cruz, mas lutou como se estivesse ganhando. Não estava. Melhor para o cubano, que mais uma vez controlou a luta como quis.

Há quatro anos, Michel Borges esteve nos Jogos de Londres como sparring (companheiro de treinos) de Yamaguchi Falcão. Participou diretamente da preparação do colega para vencer La Cruz exatamente nas quartas de final. O resultado, assim, pode ser visto como uma vingança do cubano.

Nascido no Vidigal, filho de um bombeiro e uma faxineira doméstica, Michel conheceu o boxe por meio do projeto social Todos na Luta, de Raff Giglio. Membro da classe média carioca, Raff subiu o Vidigal para instalar lá sua academia de boxe e vem formando atletas de ponta.

No Rio-2016, acompanhou, da arquibancada, tanto Michel Borges quanto Patrick Lourenço, eliminado na estreia da categoria até 49kg. O Brasil, aliás, só tem mais duas possibilidades de medalha, além de Robson Conceição, na final entre os leves (até 60kg).

Andreia Bandeira abre a sessão noturna do boxe, às 17h, lutando contra Athenya Bylon, do Panamá, em sua estreia olímpica, na categoria do médios. Às 19h, Joedison Teixeira, o Chocolate, sobe ao ringue contra Batuhan Gozgec, da Turquia. A luta, pela categoria até 64kg, classifica às quartas de final.