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Pela primeira vez na história da competição, sete finalistas da prova feminina registraram tempos abaixo de 11 segundos em uma corrida; brasileiro está na final do salto com vara

Estadão Conteúdo

A atleta mais rápida do mundo nos Jogos Olímpicos do Rio é jamaicana, mas não foi Shelly-Ann Fraser-Pryce que fez história dessa vez. Com o tempo 10s71, Elaine Thompson impediu o tricampeonato olímpico da compatriota e conquistou a medalha de ouro dos 100 metros, neste sábado, no Engenhão. O nível da final da prova mais nobre do atletismo foi altíssimo, e a vitória de Elaine incontestável.

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Pela primeira vez na história da competição, sete finalistas da prova feminina registraram tempos abaixo de 11 segundos em uma corrida. A norte-americana Tori Bowie faturou a medalha de prata ao anotar 10s83 no cronômetro e Shelly-Ann beliscou o bronze ao cravar 10s86 - o seu melhor tempo em uma temporada marcada por contusões. A holandesa Dafne Schippers amargou o quinto lugar (10s90).

Elaine Thompson levou ouro nos 100m rasos
Reprodução/Twitter
Elaine Thompson levou ouro nos 100m rasos

O nome de Elaine Thompson surgiu com força durante a seletiva jamaicana de atletismo, em julho. Na classificatória para os Jogos Olímpicos, a velocista igualou o recorde nacional (10s70), que pertencia a Shelly-Ann, e mostrou que estava preparada para surpreender na disputa olímpica. Pouco depois de brilhar nos 100 metros, enfrentou uma lesão semelhante a sofrida por Usain Bolt e apresentou um atestado médico para também garantir a classificação nos 200 metros. Neste sábado, não deixou dúvidas de sua ótima condição física.

Segundo o treinador Paulo Francis, Elaine não seguiu o mesmo caminho da maioria dos astros jamaicanos e passou quase despercebida durante a adolescência. Seu potencial chamou a atenção do clube MVP e, desde então, tem feito um trabalho de alto rendimento. Foi questão de tempo para a jamaicana mostrar seu talento para o mundo.

A semifinal evidenciou que dificilmente a medalha de ouro não ficaria nas mãos de uma jamaicana. Elaine Thompson avançou à prova decisiva com o mesmo tempo de Shelly-Ann Fraser-Pryce, ambas com 10s88. As norte-americanas Tori Bowie, English Gardner, a holandesa Dafne Schippers e Michelle-Lee Ahye, de Trinidad e Tobago, estavam na cola na dupla, com 10s90. Na final, Elaine sobrou diante das adversárias e colocou seu nome na história.

Brasil na final

Após um susto, o brasileiro Thiago Braz se classificou para a final do salto com vara nos Jogos Olímpicos do Rio. Neste sábado, no Engenhão, o recordista sul-americano avançou em terceiro lugar, com um salto de 5,70 metros. Mas o início não foi fácil para o atleta da casa, e o estigma das eliminações precoces parecia se repetir. Assim, ele admitiu que temeu a desclassificação.

"Temi ficar fora. Vieram na cabeça todas as competições que não passei para a final, porém estou aprendendo a manter o equilíbrio e a não me apavorar. Isso me ajudou a manter o foco. Estou muito feliz com o resultado", afirmou o atleta de 22 anos, esperança de medalha para o Brasil.

Bicampeão

Bicampeão mundial, Mo Farah também agora é bicampeão olímpico nos 10 mil metros. O atleta da Grã-Bretanha conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos, neste sábado, com o tempo 27min05s17. Para comemorar, fez o tradicional coração com as mãos na cabeça. Em uma prova de muitas ultrapassagens, o fundista contou com o empurrão da torcida nas arquibancadas do Engenhão. O queniano Paul Kipngetich Tanui (27min05s64) e o etíope Tamirat Tola (27min06s26) completaram o pódio.

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Mo Farah largou da última posição, tática usada outras vezes pelo atleta nascido na Somália. Logo estava junto com o pelotão da frente, mas tropeçou e caiu sozinho. Recuperou-se rapidamente e continuou na luta.

"Quando eu caí, pensei: 'Meu Deus, é isso'. Eu apenas levantei e tentei me manter com os caras e continuar forte. Nunca é fácil, mas todo mundo sabe o que eu posso fazer", afirmou. E ainda disse: "Eu pensei em meu trabalho árduo e que tudo podia acabar em um minuto. Eu não iria deixar, levantei rapidamente. Pensei em minha família, isso me deixou emotivo."

O ritmo da prova dos 10 mil metros aumentou de forma impressionante nas últimas voltas. A terceira e a quarta antes do fim foram completadas em 1min02s7, a seguinte em 1min01s3 e a final em apenas 55s4, ou seja, a aceleração levou os atletas a uma velocidade 10% maior nos metros finais.

Brasileira pensa em se aposentar

Depois de ficar fora da final dos 100 metros, neste sábado, no Engenhão, a velocista brasileira Rosangela Santos, uma das grandes esperanças do atletismo brasileiro nos Jogos do Rio, revelou que pensa em encerrar a carreira.

Rosângela pensa em se aposentar
Reprodução/Twitter
Rosângela pensa em se aposentar

"Não sei se chegou a hora de parar. Vou repensar se chegou o momento de continuar tentando final olímpica. É muito difícil. É uma dedicação muito grande. Fui para EUA para estar nessa final e está sendo como uma faca no meu peito. Está doendo bastante", afirmou a brasileira na noite deste sábado, no Engenhão.

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Rosangela confessa que tem dificuldade para conciliar o ritmo de treinamento com sua vida pessoal. "É uma minha vida inteira. A gente não treina só de quatro em quatro anos. A dedicação, o treinamento, as dificuldades, as dores aumentam. E a minha vida está passando. Quero ser mãe. Talvez a Olimpíada não seja para mim. Ser finalista em Pequim foi o que eu tinha que ter. Mas vou repensar. Talvez eu treine para o Mundial do ano que vem talvez não", afirmou.