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“Vou continuar minha jornada e continuar nadando. Espero não só ir aos próximos Jogos como não nadar tão devagar", disse Yursa Mardini

Yusra Mardini, refugiada que disputou a natação no Rio 2016
JÚNIOR LAGO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Yusra Mardini, refugiada que disputou a natação no Rio 2016

Após a festa na chegada ao Brasil, a recepção calorosa na abertura oficial dos Jogos Olímpicos e a grande torcida na hora de finalmente disputar uma prova, a atleta refugiada síria, Yursa Mardini, terminou sua participação de cabeça erguida. Dentro da piscina do Estádio Aquático Olímpico, ela ficou dois minutos, 13 segundos e 87 centésimos. Quase nada quando comparada a outras famosas nadadoras, como a húngara Katinka Hosszu ou a norte-americana Katie Ledecky, favoritas no Rio.

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Mas o caso da refugiada chamou atenção muito antes das Olimpíadas, quando ela precisou nadar mais de três horas com a irmã Sarah pelo mar entre Turquia e a Ilha de Lesbos, na Grécia, para fugir da guerra que aniquila a Síria há algum tempo. O fato que ficou conhecido mundialmente em agosto de 2015 revelou a situação horrível em que muitas pessoas sírias e de outros países se encontram ao redor do mundo. 

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Naquela circunstância, Yusra e a irmã tentavam fazer a travessia entre a Turquia e a ilha grega na busca de um lugar de paz. O único meio de transporte foi um bote, muito cheio, com cerca de 30 pessoas, onde a maioria não sabia sequer nadar. O motor, no entanto, quebrou e Yusra, Sarah e uma terceira mulher foram para a água e empurraram a pequena embarcação até o destino desejado.

EXPERIÊNCIA NOS JOGOS

Curiosamente, um ano depois, a atleta iria entrar para a história dos Jogos ao formar o primeiro time de aletas refugiados olímpico. Os resultados dentro das piscinas não foram do jeito que ela esperava, mas, por outro lado, a mensagem deixada ao mundo foi amplamente convincente.

“Foi uma experiência incrível, eu adorei. Espero que os refugiados possam não ser mais refugiados e que eles tenham esperança em continuar seguindo seus sonhos depois de nos verem”, afirmou Mardini logo após nadar sua segunda e última prova, os 100m livre. Ela ainda competiu nos 100m borboleta.

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“Espero que nossa mensagem tenha rodado o mundo, pois muita gente está me mandando mensagens sobre o que eles estão fazendo em busca de seus sonhos e dizendo que sou ídolo deles agora. Então estou muito feliz, tenho uma responsabilidade real”, continuou a síria, que atualmente reside na Alemanha.

Nos Jogos, a nadadora terminou os 100m borboleta apenas na 41ª posição, com o tempo de 1m09s21 e na 45ª nos 100m, livre, com o tempo de 1m04s66. Logo após o término da prova, toda a imprensa quis ouvir um pouco do que ela tinha a falar após a histórica participação olímpica e, para ela, o assédio recebido não foi tão positivo.

“Foi estressante. Eu estava pensando muito na prova, o que me fez ir mal. Acho que pensei demais”, disse, já com o foco nas próximas Olimpíadas, em Tóquio 2020. “Vou continuar minha jornada e continuar nadando. Espero não só ir aos próximos Jogos como não nadar tão devagar. Quero uma medalha, então tenho muito trabalho a fazer", finalizou a refugiada.