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Seleção brasileira não conseguiu furar a forte defesa da Espanha

Estadão Conteúdo

A seleção brasileira feminina de handebol não superou a marcação da Espanha e sofreu sua primeira derrota Jogos do Rio nesta quarta-feira, na Arena do Futuro. O placar de 29 a 24 para as europeias foi conquistado graças à uma ótima atuação defensiva contra as donas de casa, que vinham de duas vitórias nas rodadas anteriores e saíram de quadra aplaudidas, apesar do resultado negativo.

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A Espanha voltou a ser o pesadelo do Brasil após cinco anos. Em 2011, em São Paulo, o time derrotou as donas da casa nas quartas de final do Mundial por apenas um gol de diferença no ginásio do Ibirapuera. Nesta quarta, o placar mais elástico serve como aprendizado para a seleção, que terá mais duas partidas pela fase de grupos para tentar confirmar a classificação.

O Brasil dos 30 primeiros minutos foi bem diferente da equipe avassaladora capaz de derrotar as potências Noruega e Romênia nas rodadas anteriores. O ataque perdeu força diante do bom posicionamento da defesa espanhola, capaz de fazer a equipe da casa passar sete minutos sem marcar gols no primeiro tempo. A desvantagem brasileira chegou a ser de seis gols e até influiu no comportamento da torcida. Em vez de vibrar com gols, se viu mais comum entoar "defesa" quando a Espanha vinha para cima.

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A torcida que enfrentou frio e chuva para chegar ao Parque Olímpico viu a goleira espanhola Navarro ser o destaque do primeiro tempo. A frustração com o ataque levou o técnico do Brasil, o dinamarquês Morten Soubak, a pedir duas vezes tempo. A preocupação não evitou que a Espanha fosse para o intervalo com 15 a 12 de vantagem. A situação foi inédita para o Brasil, que sempre esteve na frente das adversárias no placar das duas partidas anteriores.

Brasil perdeu da Espanha no terceiro jogo no Rio 2016
Reprodução/Twitter
Brasil perdeu da Espanha no terceiro jogo no Rio 2016

A situação fez o segundo tempo ser dos gritos de "eu acredito" da torcida, e não do tom de favoritismo. A vantagem de três gols foi mantida pela Espanha até metade do segundo tempo, com a ajuda da trave, competência da marcação e até lances mais duros. A equipe por quatro vezes em 15 minutos teve de ficar com uma jogadora a menos por punição.

Os minutos finais foram mais disputados, com lances marcados por muitos empurrões. A Espanha acabou prejudicada, ironicamente, pelo que tinha de mais forte, a boa marcação. A oito minutos do fim, duas jogadoras receberam quase ao mesmo tempo a punição de ficar dois minutos fora. O Brasil aproveitou para fazer dois gols nesse período. A desvantagem ficou em 25 a 24.

Pouco depois foi o Brasil quem teve problemas com as punições. Com isso, levou gols e perdeu a chance de reagir nos minutos finais. A torcida sentiu a dificuldade e se calou, enquanto a Espanha administrou o tempo que restava para confirmar a vitória. A espanhola Nerea Pena foi a artilheira do jogo com oito gols, um a mais do que a brasileira Fernanda da Silva.

O Brasil volta à quadra da Arena do Futuro na próxima sexta-feira de manhã, contra Angola, a outra equipe do grupo que também conquistou duas vitórias nas duas primeiras rodadas. Já a Espanha vai enfrentar a Romênia, também na sexta. Dos seis integrantes do grupo, os quatro melhores avançam às quartas de final.

Fantasma

Após a partida, as jogadoras falaram na zona mista que identificaram inúmeras falhas na atuação e alertaram para o antigo problema de enfrentar as adversárias. A equipe europeia foi a responsável, por exemplo, por eliminar o Brasil no Mundial de 2011, em São Paulo.

"Eu vejo que ainda temos o fantasma de 2011, quando perdemos a classificação nas quartas de final por apenas um gol. Temos essa dificuldade de jogar contra elas. Precisamos ter mais força mental", afirmou Dani Piedade. "Ainda tem o peso daquele Mundial. Está no nosso calo. Se pegar a Espanha de novo lá na frente, temos que mudar isso aí. Temos qualidade para jogar melhor", comentou. Na competição disputada no ginásio do Ibirapuera, o Brasil ganhou os seis primeiros jogos até levar de 27 a 26.

Para a central Ana Paula, a derrota na primeira fase não compromete e, pelo contrário, será útil. "Quantas vezes a gente jogou, ganhamos todos os jogos da fase de grupos e no momento que tinha de ganhar, perdeu? Agora perdemos no momento que podia perder. Somos obrigadas a ganhar somente na etapa eliminatória. Vamos tirar aprendizado disso", comentou.

A armadora Dani Amorim criticou a atuação defensiva do Brasil. "Faltou concentração demais. Foi um dia que deu tudo errado. Ninguém estava em um dia bom. O maior aprendizado desse jogo é a defesa. Não se pode pecar ali, porque é onde mora a nossa confiança. Levamos muito gols", lamentou a jogadora, eleita a melhor do mundo em 2014.