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O pior não é você não jogar bem, é ter uma visão de um time que parece que não treinou, que estava desinteressado, sem gana", reclamou Barbosa

Estadão Conteúdo

Assim como aconteceu com a seleção masculina, que ganhou dois amistosos contra a Lituânia e depois perdeu do rival na Olimpíada, também de nada adiantaram os resultados positivos da seleção feminina de basquete diante do Japão durante a fase de preparação. Nesta segunda, o time do técnico Antônio Carlos Barbosa teve uma atuação muito abaixo da crítica e perdeu por 82 a 66 para as japonesas na Arena da Juventude, em Deodoro.

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O resultado complica muito a vida da seleção brasileira na Olimpíada. O Japão é, em teoria, o time mais fraco do Grupo A e o Brasil já vinha de derrota para a Austrália na estreia. Agora, joga ainda contra Bielo-Rússia, França e Turquia. Precisa vencer pelo menos dois desses rivais se quiser avançar às quartas de final. Três se desejar continuar brigando por medalha, o que exigiria escapar dos EUA na próxima fase.

Time feminino perdeu feio do Japão
Reprodução/Twitter
Time feminino perdeu feio do Japão

Diante de uma torcida barulhenta que ocupou a maior parte das cadeiras da Arena da Juventude, o Brasil esteve irreconhecível. As duas jogadoras que deveriam liderar o time tiveram uma atuação muito fraca. Adrianinha errou os cinco arremessos de quadra que tentou e saiu do jogo zerada em pontos.

Érika se carregou de faltas cedo e participou pouco da partida. Ela até melhorou no último quarto, quando o Brasil foi para o desespero, e fechou a partida com 10 pontos. Iziane fez 20, mas teve seis desperdícios de bola. Parecia jogar no sacrifício, depois de ficar quase três semanas sem treinar durante a preparação.

Clarissa fez 13 pontos e Damiris, 15, mas todas com um aproveitamento baixo nos arremesso de quadra. Das 14 bolas de três tentadas, só duas caíram. Até no lance livre a equipe nacional decepcionou - o aproveitamento foi de só 53%.

Palavras de Barbosa

"Nós não fizemos partida boa hoje. Hoje não jogamos. O pior não é você não jogar bem, é ter uma visão de um time que parece que não treinou, que estava desinteressado, sem gana, sem garra, sem sangue. Essa adversidade a gente não conseguiu lidar com ela para reverter. Não é que jogou sem gana, mas pareceu", reclamou Barbosa.

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Para o treinador, foi determinante para a derrota o início ruim da partida no ponto de vista ofensivo. Sem conseguir pontuar, o Brasil foi se desequilibrando também na defesa. "Nos tornamos uma presa muito fácil. Houve um desequilíbrio defensivo e um aproveitamento péssimo defensivo. No primeiro tempo ela fizeram 47 pontos. O segundo tempo foi mais normal e elas fizeram 35", destacou.

Entre as jogadoras, ninguém saiu feliz. Damiris, por exemplo, disse que o Brasil jogou mal "o tempo todo". "A gente tentava reagir e não conseguia. O Japão vinha e metia uma bola de três, vinha e metia outra bola. Nossa defesa apática, nosso ataque também", afirmou, alegando ainda que está falando há tempos que o time precisa corrigir o excesso de desperdícios de bola. Foram 20 ao longo da partida.

Desses, seis foram da ala Iziane, que teve uma atuação bem abaixo da crítica, apesar de ter sido a cestinha da equipe. "Quando você faz m.. é assim. Perder de 20 pontos para o Japão, com todo o respeito e mérito delas, nunca aconteceu comigo. Você constrói a dificuldade para si mesmo. A Austrália, tudo bem, é uma equipe mais forte e a gente podia se dar ao luxo de perder. O Japão, uma equipe que a gente conhece e já tinha enfrentado, não podia deixar isso acontecer."