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Seleção masculina chegou a ficar 30 pontos atrás no marcador, conseguiu equilibrar, mas acabou derrotada na estreia no torneio de basquete

Estadão Conteúdo

Um primeiro tempo péssimo e uma reação tardia custaram à seleção brasileira masculina de basquete a derrota por 82 a 76 para a Lituânia, neste domingo, na estreia pelos Jogos do Rio. Depois de ficar 30 pontos atrás no placar, conseguir a recuperação e reduzir até para quatro, a equipe se viu superada nos segundos finais, mesmo com intensa participação e vibração da torcida na Arena Carioca quase lotada, e deixou a quadra aplaudida.

Basquete do Brasil perde na estreia para a seleção da Lituânia
Reprodução/Twitter
Basquete do Brasil perde na estreia para a seleção da Lituânia


O time com a média de idade mais alta do torneio olímpico, quase 30 anos, sentiu o nervosismo da estreia e precisou de dois ingredientes para despertar na etapa final. A participação da torcida e a vantagem de 30 pontos da Lituânia no primeiro tempo foram responsáveis por recolocar o Brasil no jogo. Embora tenha sido tarde, mostrou o quanto a seleção pode ser forte junto com o apoio do público. Mesmo com a torcida, teve Leandrinho como o cestinha da partida com 21 pontos.

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Uma semana depois de se enfrentarem em Mogi das Cruzes, por torneio amistoso, as duas seleções se encontraram em condições e sob expectativas muito diferentes. A vitória brasileira pelo placar apertado de 64 a 62 não indicava realmente um confronto fácil. O peso da estreia, junto com um baixo índice de aproveitamento de ataque, permitiu à Lituânia esfriar os gritos do ginásio no começo.

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As vaias da torcida e a vibração nos primeiros pontos do jogo se esvaíram com o desperdício ofensivo, principalmente no segundo quarto, quando o Brasil acertou somente 38% dos arremessos, contra 70% dos lituanos. Como resultado, viu a desvantagem chegar a 30 pontos e ter de ir para o vestiário no intervalo com uma missão complicada para reagir na etapa final.

A equipe voltou à quadra aos gritos de "eu acredito" da torcida. O incentivo foi um remédio fraco para o problema de falta de criação. Ao menos valeu para melhorar no terceiro quarto, reduzir a vantagem para 18 pontos, inflamar o público e ir para a parte final com a esperança da virada. O coro do incentivo fez o técnico Lituano pedir tempo tão logo o último quarto começou desfavorável para os seus comandados.

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O espírito de estádio de futebol contagiou o ginásio. Cada arremesso perdido pela Lituânia era como um gol comemorado. Se a cesta era do Brasil, a vibração era duplicada. Os europeus sentiram a pressão. Pareciam assustados ao ver a confiança adversária em alta e a taxa de acerto de arremessos deles em baixa. A porcentagem de acerto lituano na primeira metade do último quarto chegou a 20%.

No fim, os lituanos souberam administrar a vantagem e a pressão, após virem o Brasil ficar somente quatro pontos atrás. As duas seleções voltam à quadra da Arena Carioca para a segunda rodada do torneio olímpico na terça-feira. Os donos da casa terão jogo difícil contra a Espanha, enquanto a Lituânia vai encarar a Argentina.

Nervosismo

"Nunca tínhamos jogado uma competição tão importante em casa e isso pesou. A ansiedade atrapalhou bastante. Pelo menos o bom desse torneio é que não termina no primeiro jogo", afirmou o ala-pivô Augusto Cesar. A fase de grupos terá cinco rodadas e os quatro melhores times de cada chave avançam às quartas de final. 

"Ficamos muito nervosos. Temos que agradecer a torcida, porque mesmo com 30 pontos atrás, eles continuaram gritando e incentivando. Eles foram sensacionais. Só temos a agradecer, até porque fica difícil chamar a torcida quando a equipe está errando os arremessos e a bola não cai", afirmou Guilherme Giovannoni, um dos veteranos da seleção, de 36 anos.

"A Lituânia é a terceira melhor seleção do mundo e, por estar 31 pontos à frente, parecia um placar quase definido. Mas a torcida compareceu, apoiou e fez a gente acreditar que poderíamos chegar. A torcida foi o MVP", elogiou o pivô Nenê.