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Para ministro do esporte russo, "não há base" para a equipe de atletismo do país não participe dos Jogos Olímpicos

Desde que foi denunciado por acusação de fraude, atletismo russo vive incógnita
Arquivo iG
Desde que foi denunciado por acusação de fraude, atletismo russo vive incógnita

Responsável por denunciar novas irregularidades no escândalo envolvendo o atletismo russo, Vitaly Stepanov afirmou nesta quarta-feira que as mudanças que vêm sendo implementas no programa antidoping do seu país são "pura enganação". As alterações são exigência da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês) para liberar a participação dos atletas russos da modalidade nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

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Em entrevista à agência Associated Press, Stepanov afirmou também que cerca de 80% dos treinadores de atletismo da Rússia lançaram mão de doping na preparação dos seus atletas. "Estes 80% devem ser punidos. Eu tenho visto técnicos enfrentando suspensões e banimentos, mas outros ainda preferem esconder tudo. Todas as mudanças que eles estão mostrando são pura enganação", declarou o russo.

A Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) se reúne nesta semana em Montreal, no Canadá, onde os problemas envolvendo os russos estão sendo discutidos. Nesta quarta-feira, Stepanov falou, via videoconferência, falou ao comitê executivo da Wada para compartilhar suas experiências que teve como um empregado da agência antidoping da Rússia (Rusada) e, em seguida como um delator do esquema de dopagem que acabou sendo revelado no ano passado.

Antes de falar à Associated Press, Stepanov já havia dado uma entrevista ao famoso programa "60 Minutes", veiculada no último domingo pela rede de TV CBS, na qual revelou que chegou a enviar 200 e-mails e 50 cartas à Wada com evidências destas práticas ilegais de atletas russos. Ele disse que, na época em que mandou os documentos, a agência lhe respondeu que não tinha poder para promover uma investigação dentro da Rússia.

E Stepanov afirmou que a Wada só resolveu começar a investigar os russos, no ano passado, depois que ele e sua mulher, a corredora russa Yuliya Stepanova, acabaram se tornando peças fundamentais de um documentário realizado pelo canal de TV alemão Das Erste. O documentário revelou o acobertamento sistemático de doping de atletas russos, que depois veio a ser confirmado pela própria Wada.

Nesta mesma entrevista, Stepanov afirmou que Grigory Rodchenkov, ex-diretor da Rusada, lhe disse que a lista de atletas russos que usaram esteroides incluía a presença de quatro medalhistas de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, em Sochi, na Rússia.

Na última terça-feira, a Wada prometeu investigar esta nova denúncia de doping no esporte russo. Pela denúncia, feita por meio da entrevista no programa "60 Minutes", houve interferência de agentes da FSB, a agência de segurança nacional russa, sucessora da KGB, no programa antidoping dos Jogos de Sochi. "A Wada vai investigar todas estas novas alegações imediatamente", afirmou Craig Reedie, presidente da Agência Mundial Antidoping. "As afirmações feitas no programa nos oferecem um verdadeiro motivo de preocupação, por conter novas alegações de tentativas de subverter o processo antidoping nos Jogos de Sochi", reforçou.

O ministro do Esporte da Rússia, Vitaly Mutko, afirmou ao canal de TV Sky News que o país vem cooperando com as investigações e agindo para combate o doping entre os seus atletas, assim como disse que "não há base para a equipe de atletismo russa não participar dos Jogos Olímpicos", em agosto.

Suspenso em novembro passado pela IAAF das competições internacionais até a disputa da Olimpíada, o atletismo russo segue confiante que poderá estar no Rio. Uma decisão final sobre o caso será tomada no próximo mês.