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Em 2015, país anfitrião dos Jogos não brilhou nos esportes em que costuma obter medalhas olímpicas. Atletismo e judô preocupam

Erlon Silva (à direita) foi prata no Pan de Guadalajara ao lado de Ronilson Oliveira e agora faz dupla com Isaquias Queiroz
Getty Images
Erlon Silva (à direita) foi prata no Pan de Guadalajara ao lado de Ronilson Oliveira e agora faz dupla com Isaquias Queiroz

Os Jogos Olímpicos já estão no horizonte. A pouco mais de sete meses do início das disputas, os atletas brasileiros têm pouca margem de crescimento e melhora. Os resultados obtidos nos Mundiais em 2015 oferecem indicadores que devem ser levados em conta na hora de projetar as perspectivas de desempenho esportivo na Olimpíada.

Compilados todos os resultados, constata-se que os primeiros lugares, as medalhas de ouro, foram raras, raríssimas. Apenas Isaquias Queiroz e Erlon Souza, na canoagem, e as duplas de vôlei de praia masculina e feminina subiram ao degrau mais alto do pódio.

Na canoagem, modalidade em que o Brasil tem feito excelentes progressos, o país conquistou duas medalhas em provas olímpicas no Mundial de Milão: o ouro no C2 1000m, com Isaquias e Erlon, e o bronze na C1 200m, com Isaquias. O canoísta baiano, no entanto, lembra que terá dificuldades na Lagoa de Freitas por causa do vento .

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Bárbara Seixas: no topo com Ágatha
Denis Ferreira Netto/CBV
Bárbara Seixas: no topo com Ágatha

No vôlei de praia, o Brasil demonstrou sua habitual competência, com os títulos mundiais de Ágatha/Bárbara Seixas e Alison/Bruno Schmidt. "Este ano foi maravilhoso. Eu me arrepio ao lembrar deste 2015. Passei por muitas coisas e o encerramento da temporada não poderia ser mais feliz", disse o capixaba Alison, que, de quebra, faturou o circuito brasileiro este mês. Cabe lembrar, no entanto, que a profusão de títulos brasileiros em Mundiais e no Circuito Mundial não se repete em Olimpíadas: o Brasil só obteve duas medalhas de ouro nos Jogos: com Jackie Silva e Sandra Pires, em Atlanta/96 - primeira edição olímpica com o esporte - e com Emanuel e Ricardo, nos Jogos de Atenas/2004.

Fabiana comemora a prata em Pequim
Alexander Hassenstein/Getty Images
Fabiana comemora a prata em Pequim

O atletismo brasileiro, no Mundial de Pequim, foi o samba de uma saltadora só. Fabiana Murer salvou a pátria, conquistando a única medalha do país na competição, a prata no salto com vara. A marca também foi expressiva: 4,90m, a apenas um centímetro de sua principal adversária no momento, a cubana Yarisley Silva, sua algoz também no Pan. 

Madura, Murer parece preparada para a grande responsabilidade que vai recair sobre os ombros dos poucos atletas brasileiros com chances de conquistar medalhas em 2016.
"Estou acostumada à pressão dos torcedores e da mídia. E sei também que uma medalha, qualquer medalha, é importante na Olimpíada. Até um quarto lugar é. Vamos ver o que acontece lá na hora", disse a saltadora, após subir ao pódio na China.

Yane Marques se mantém na elite
Reprodução
Yane Marques se mantém na elite

A pernambucana Yane Marques, que conquistou o bronze no pentatlo moderno, no último dia da Olimpíada de Londres, se mantém competitiva. Foi prata no Mundial de 2013 e bronze no deste ano, em julho, em Berlim - nessa competição, ela garantiu vaga na Rio/2016. Pela primeira vez, o Brasil classificou um atleta para a Olimpíada sem depender dos Jogos Pan-Americanos. Ela trabalha agora para melhorar na corrida.

Novak Djokovic já percebeu: Marcelo Melo é
Instagram/Boris Becker
Novak Djokovic já percebeu: Marcelo Melo é "o cara" nas duplas

No tênis, o Brasil acalenta uma esperança na disputa de duplas masculinas, sobretudo devido à excelente temporada de Marcelo Melo, que terminou o ano como líder do ranking. Melo venceu seis torneios no ano, incluindo Roland Garros.

"Foi inexplicável o que aconteceu. Fiquei muito feliz em ter realizado um sonho de criança, que era conquistar um Grand Slam. Acho que para os brasileiros é o mais especial deles", disse o tenista mineiro, conhecido como Girafa.

As perspectivas da dupla brasileira só não são melhores porque Bruno Soares, que fará parceria com Melo, não foi tão bem assim. Soares venceu dois torneios ao lado de Alexander Peya. Em 2016, o mineiro fará parceria com Jamie Murray, irmão de Andy.

Victor Penalber vibra: só ele conseguiu medalha para o judô masculino do Brasil no Mundial
Saulo Cruz/Exemplus/COB
Victor Penalber vibra: só ele conseguiu medalha para o judô masculino do Brasil no Mundial

O judô, um dos carros-chefe do Brasil em Jogos Olímpicos há muito tempo, decepcionou no Mundial de Astana, no Cazaquistão. Tudo o que os judocas brasileiros conseguiram foi dois bronzes, com Victor Penalber (meio-médio, até 81kg) e Erika Miranda (meio-leve, até 52kg). Menos mal que a ligeiro Sarah Menezes (até 48kg), ouro na Olimpíada de Londres, emitiu sinais de recuperação na última competição do ano, o Grand Slam de Tóquio, ao obter a medalha de bronze.

Outro importante carro-chefe, o vôlei, não teve Mundial em 2015. Nas competições mais importantes de que o Brasil participou, o Grand Prix, no feminino, e a Liga Mundial, no masculino, os resultados foram preocupantes.

Vôlei: um 2015 xoxo
William Lucas/Inovafoto/CBV
Vôlei: um 2015 xoxo

As bicampeãs olímpicas sofreram duas derrotas contundentes, para Rússia e Estados Unidos, ambas por 3 a 0, na fase final do GP. A atenuante é a divisão da equipe em duas frentes - parte das jogadoras foi despachada para Toronto, para disputar o Pan. Nessa competição, as brasileiras também foram batidas pelos EUA, pelo mesmo placar.

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Na Liga Mundial, que teve a fase final no Rio, o Brasil foi ainda pior - não conseguiu chegar à semifinal e amargou a quinta colocação.  "A Liga Mundial não foi o que a gente esperava. Fizemos uma boa fase de classificação. Fizemos dois jogos duros (na Fase Final) e perdemos para um time que foi campeão da Liga e europeu (França). Não perdemos para um time qualquer, mas para um grande time, que deverá brigar por medalha na Olimpíada, porque vai se classificar em janeiro, provavelmente (no torneio qualificatório olímpico europeu, em Berlim). Isso demonstra aquilo que estamos vendo hoje, o que a Liga mostrou: muito equilíbrio", disse Bernardinho.

Houve Mundial de futebol feminino em 2015. A seleção brasileira foi despachada nas oitavas de final pela Austrália, demonstrando que o técnico Vadão terá muito trabalho pela frente para ajustar o time visando à Olimpíada.

Fratus reforça esperança brasileira nos 50m livre
Satiro Sodre/SSPress
Fratus reforça esperança brasileira nos 50m livre

No Mundial de Esportes Aquáticos de Kazan, na Rússia, o Brasil somou três medalhas nas provas olímpicas. Na maratona aquática, a baiana Ana Marcela Cunha, sempre competitiva, obteve o bronze. Se Cesar Cielo, lesionado, abandonou o Mundial, o Brasil ao menos foi otimamente representado no pódio por Bruno Fratus, bronze nos 50m livre. E Thiago Pereira, aproveitando a ausência de Michael Phelps, dono do melhor tempo do ano nos 200m medley, conseguiu a medalha de prata, atrás apenas de Ryan Lochte.

O handebol feminino, uma das esperanças de medalha do Brasil, foi despachado nas oitavas de final pela Romênia, depois de ter cumprido excelente participação na fase de classificação, com quatro vitórias e um empate. O time comandado por Morten Soubak fora campeão do Mundial da Sérvia, em 2013. No masculino, em que o Brasil orbita posição periférica, a seleção nacional também foi eliminada nas oitavas de final, pela Croácia, por apenas um gol de diferença: 26 a 25, no Mundial do Catar, em janeiro.

Arthur Zanetti não foi bem no Mundial, mas é nome forte para o Rio
Ricardo Bufolin/CBG
Arthur Zanetti não foi bem no Mundial, mas é nome forte para o Rio

No Mundial de ginástica artística, em Glasgow, o Brasil alcançou seu grande objetivo no masculino, ao classificar sua equipe, graças à sétima colocação. Arthur Zanetti, campeão olímpico nas argolas, decepcionou e não conseguiu lugar na final do aparelho. Diego Hypólito, reserva, participou da final por equipes. Sua nota no solo lhe daria a terceira posição na final desse aparelho. No feminino, o Brasil ainda corre atrás da classificação da equipe. A segunda chance será no evento-teste, em abril, no Rio.

Robson Conceição faz valer a torcida no boxe
Divulgação/AIBA
Robson Conceição faz valer a torcida no boxe

O Brasil alimenta também algumas chances de conseguir medalha no boxe. No Mundial masculino de Doha, Robson Conceição obteve o bronze. Na edição de 2013, fora vice-campeão mundial.

Na vela, um dos esportes importantes historicamente para melhorar a posição do Brasil no quadro de medalhas, o destaque no ano foi a conquista da medalha de prata por Martine Grael e Kahena Kunze no Mundial da classe 49erFX, em Buenos Aires, em novembro. E foi só. O único outro resultado digno de nota em Mundiais foi a quinta colocação de Jorge Zarif na Finn.