Tamanho do texto

Andrei Rodrigues, secretário extraordinário de Segurança para Grandes Eventos contesta relatório apresentado por Nardes, e diz que órgãos de controle estão devidamente integrados

Andrei Rodrigues comanda a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos desde sua criação, em 2011
Brasil2016.gov.br
Andrei Rodrigues comanda a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos desde sua criação, em 2011

"As respostas que damos é com trabalho". Com essa frase-síntese, Andrei Rodrigues, secretário extraordinário de Segurança para Grandes Eventos do Ministério da Justiça, dá medida do grau de confiança que deposita no plano de segurança montado por sua pasta para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Em entrevista ao iG , Rodrigues, que é delegado da Polícia Federal desde 2002, diz que o plano não sofreu modificações desde os atentados perpetrados em Paris pelo Estado Islâmico. "Nós já estávamos adotando as melhores práticas recomendadas internacionalmente". Segundo o secretário, os Jogos do Rio serão o primeiro grande evento a contar com um centro de segurança exclusivo de combate ao terrorismo, o Centro Integrado Antiterrorismo (CIAT).

Rodrigues rechaçou as declarações do presidente do TCU, Augusto Nardes , que citou, nesta quarta-feira, resultados de uma auditoria operacional realizada pelo órgão que apontam diversas falhas nas fronteiras brasileiras, com potencial para ameaçar a segurança dos Jogos Olímpicos, além de preocupação com a falta de integração entre os órgãos de controle, direrentes corporações policiais, alfândega e Receita Federal.
Em sua crítica ao nível de controle das fronteiras, Nardes citou a entrada de milhares de refugiados haitianos no Brasil pelo Acre.

Leia mais:  Auditoria do TCU questiona segurança das fronteiras e vê risco durante Olimpíada

"Com todo o respeito que reservo a toda fonte de crítica, a questão dos refugiados é uma questão humanitária", diz Rodrigues. "Quanto à mencionada falta de integração, digo que, em realidade, é ao revés do que ele declarou. O alicerce de nossa política de segurança está na integração. E gosto de mencionar fatos concretos. Nós promovemos, durante a Copa do Mundo, a integração dos sistemas de segurança pública, que é o maior legado do evento em se tratando de segurança. Foi investido mais de R$ 1 bilhão em segurança. De fato, essa falta de integração existia, mas felizmente essa atuação integrada hoje ocorre, e produz frutos no dia a dia. Isso é fato. É claro que se pode fazer leituras diferentes, mas esse processo de integração se fortalece com técnicas, parâmetros e regulações".

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo confia no esquema de segurança da Olimpíada, baseado na experiência bem-sucedida da Copa
Alan Sampaio / iG Brasília - 24.11.15
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo confia no esquema de segurança da Olimpíada, baseado na experiência bem-sucedida da Copa

O próprio ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, deu a entender, em entrevista ao iG, que boa parte da confiança no plano de segurança se ampara nos bons resultados do esquema montado para a Copa do Mundo. Rodrigues prudentemente observa que a Olimpíada é um evento com complexidade bem mais elevada. "São 42 campeonatos mundiais, masculinos e femininos, que vão ocorrer no Rio".

Leia mais:  Segurança na Olimpíada não corre risco maior com fronteira aberta, diz ministro

Algumas provas receberam atenção especial. É o caso dos eventos abertos, como o ciclismo de estrada, por exemplo, que tem um percurso de 256 quilômetros, e da maratona, com 42.195 metros. A secretaria tratou de enviar policiais a eventos similares. Segundo Rodrigues, oito policiais foram enviados para observar o esquema de segurança da última edição da maratona de Boston, bastante reforçado após a trágica edição de 2013. Naquele ano, um atentado a bomba, que matou três pessoas e feriu mais de duzentas, foi ato concebido e executado por apenas duas pessoas. "Nós procuramos aprender com as melhores práticas. Enviamos policiais também à maratona de Berlim, ao Tour de France (ciclismo) e ao Aberto de Golfe dos Estados Unidos, um esporte com o qual temos pouca experiência. Nós trabalhamos de forma preventiva, e teremos esquemas adequados a cada cenário. Em alguns, teremos policiamento ostensivo, em outros, trabalha-se com discrição. E sempre aproveitando a melhor tecnologia existente".

Leia mais:  Governo e especialistas veem risco baixo de ataque terrorista na Olimpíada

Todo o discurso de Rodrigues será confrontado com a realidade. O Ministério Público de São Paulo, segundo reportagem elaborada pela BBC Brasil, está cobrando providências de autoridades policiais e da aviação civil após uma investigação do promotor público Cássio Conserino apresentar indícios de que não haveria qualquer controle efetuado com raios-X sobre bagagens transportadas em aviões em voos domésticos no Brasil.
Rodrigues admitiu que desconhece essa investigação, mas diz que existe uma força-tarefa preparada para reforçar a segurança nos aeroportos. "Não estou conjecturando. Já fazemos isso, reunimos Anac, Polícia Federal, Ministério da Defesa, Abin, Receita Federal, Anvisa - todas as agências envolvidas com segurança aeroportuária para levantar todas as possibilidades de melhoria".

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.

    Notícias Recomendadas