Tamanho do texto

José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, reafirmou que Rio 2016 não terá procedimentos revistos mesmo após os recentes ataques e ameaças de terroristas em cidades da Europa

José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, recebeu a reportagem do iG em Brasília
Alan Sampaio /iG Brasília
José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, recebeu a reportagem do iG em Brasília

O Brasil estará de portas abertas para o mundo em 2016, quando sediará entre agosto e setembro os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro. Os dois eventos deverão reunir mais de 15 mil atletas de 206 países, além de dirigentes, técnicos e jornalistas. Mas os tempos são de desconfiança sobre quem cruza fronteiras pelo mundo desde que terroristas fizeram um recente ataque planejado em Paris, deixando 130 mortos e dezenas de feridos , além de outras ameaças de explosões por outros pontos da Europa, como Madri, Bruxelas e Hannover.

O Brasil não tem histórico de combate ao terror, mas aposta que a operação colocada em prática na Copa do Mundo de 2014 é suficiente para garantir a segurança dos que virão para o Rio 2016. Foi o que reforçou José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça. "O que temos é um plano que foi desenvolvido com base naquilo que já tínhamos feito na Copa das Confederações e na Copa do Mundo. Esse plano tem uma série de questões que são tratadas, entre as quais, obviamente, a questão antiterrorismo", disse em entrevista ao iG , em Brasília. "Esses fatos lamentáveis que ocorrem são objeto de tratamento pelo nossos sistema de informações, mas objetivamente não implica em nenhuma mudança de rota por parte daquilo que temos feito e vamos fazer."

Leia: Ministro pede que Brasil aceite ajuda estrangeira para segurança na Olimpíada

Os imigrantes têm sido as iscas para que grupos como o Estado Islâmico recrutem "soldados" e se infiltrem em países. Por conta dos Jogos, o Brasil vai liberar a necessidade de visto para turistas entrarem no país até setembro de 2016 - o Projeto de Lei, que já havia sido aprovado por Câmara dos Deputados e Senado, foi sancionado pela presidente Dilma Rousseff e será valido até 18 de setembro do ano que vem. Cardozo garante ser possível monitorar o fluxo de estrangeiros e controlar possíveis riscos.

"Para se ter uma ideia, há mais de 20 anos a Polícia Federal tem um órgão que trata de questões de antiterrorismo. Esse órgão faz acompanhamento permanente das situações mundiais, mutações, troca informações, faz análises. É claro que tem o surgimento de novas formas de ação, mas isso já é acompanhado pelos órgãos de inteligência brasileira há algum tempo, apesar de não termos histórico de terrorismo no Brasil", completou o ministro da Justiça.

Leia: Policiais franceses compartilham técnicas com a PM do Rio para Jogos de 2016

Cardozo é esperado nesta quarta-feira no Rio, onde o Comitê Organizador dos Jogos se reúne com membros do COI (Comitê Olímpico Internacional). Lá, deve esmiuçar a estratégia de segurança, item de responsabilidade dos Ministérios da Defesa e da Justiça. Ou revelar o quanto será gasto na proteção do evento, já que o valor ainda não consta na Matriz de Responsabilidades do Rio 2016. Segundo o blog Radar Olímpico, do jornal "O Globo", seria R$ 1,3 bilhão. Em março, a Secretaria Extraordinária de Segurança em Grandes de Eventos (Sesge) apontou despesa de R$ 350 milhões apenas do Governo Federal. Prefeitura e organizadores arcariam com o restante não revelado.

Segurança na Copa do Mundo foi bem avaliada, segundo Cardozo
Dean Mouhtaropoulos/Getty Images
Segurança na Copa do Mundo foi bem avaliada, segundo Cardozo


"Temos nossas projeções já colocadas há algum tempo da Secretaria de Grandes Eventos, que devem ser somadas também com o Ministério da Defesa. Agora, é muito importante ter claro que isso se soma ao que já foi feito e adquirido com a Copa do Mundo. (...) O que vamos aportar de recurso para a Olimpíada é um acréscimo ao que já foi feito ao longo deste período em que tivemos grandes eventos no Brasil. É um processo que vem de algum tempo, tivemos a Rio+20, a Copa das Confederações, o encontro da juventude (Jornada Mundial da Juventude) e a visita do papa (Francisco), além da Copa do Mundo", disse Cardozo, mas sem revelar cifras.

"Muitos duvidavam de que nós teríamos uma boa atuação na área de segurança pública e acabou sendo um dos itens mais bem avaliados entre aqueles que vieram para a Copa. Posso dizer, sem falsa modéstia, que demos um show na área de segurança pública. Tenho absoluta certeza de que esse mesmo padrão de competência e eficiência vai se reproduzir durante a Olimpíada", completou.

O fato de as ações da Olimpíada estarem concentradas quase exclusivamente no Rio de Janeiro - apenas o futebol terá núcleos em outras cidades - facilita o esquema de segurança, na visão do ministro da Justiça. "Na Copa do Mundo, tínhamos 12 cidades-sede e pessoas circulando pelo Brasil, por via aérea, terrestre. Agora você tem uma concentração maior. Isso é um elemento também, de certa forma, facilitador, porque eu tenho uma situação mais localizada. Em outra via, também tenho outros elementos diferenciados que podem ser vistos como dificultadores. No fundo, a matriz é a mesma. Eu tenho de adequar a minha matriz às especificidades do evento. Os dois envolvem dificuldades e situações mais benéficas. A concentração no mesmo local, de uma certa ótica, é mais benéfica."

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.