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Presidente do órgão, Augusto Nardes, chama atenção para entrada de milhares de refugiados haitianos pelo Acre e constata que 68% das secretarias regionais de segurança não se comunicam entre si

Nardes diz que já comunicou
Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil
Nardes diz que já comunicou "sérias falhas" ao governo

Uma auditoria operacional realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) identificou diversas falhas nas fronteiras brasileiras que podem ameaçar a segurança dos Jogos Olímpicos que o Rio de Janeiro sediará no ano que vem, segundo advertência feita por fontes oficiais nesta quarta-feira.

"Existem sérias falhas que já comunicamos ao governo. Temos tempo para corrigi-las antes dos Jogos Olímpicos", disse o presidente do TCU, Augusto Nardes, em entrevista coletiva na qual se referiu a uma auditoria feita a respeito do controle de entrada de pessoas e cargas no país.

Nardes afirmou que o relatório ainda é sigiloso, mas adiantou que foram detectados problemas como a evasão de divisas e a entrada sem controle de imigrantes. "Milhares de refugiados (haitianos) entraram no Brasil pelo Acre sem o controle adequado".

O presidente do TCU acrescentou que a maior preocupação é com a falta de integração entre os órgãos de controle, como os diferentes corpos da polícia, a alfândega e a Receita, ao ponto de ter sido constatado que 68% das secretarias regionais de Segurança não se comunicam entre si.

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"É necessário proteger mais as fronteiras para que não se transformem em uma ameaça à segurança durante os Jogos. Mas o importante é que sabemos quais são as falhas e temos tempo para corrigi-las".

"O momento é delicado especialmente depois dos atentados de Paris. Temos de tomar todos os cuidados possíveis, reforçar as fronteiras e fortalecer os acordos de controle com os países vizinhos", acrescentou.

A secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Miki, esclareceu que o controle não é simples porque são 17 mil quilômetros de fronteiras. Além disso, o país tradicionalmente tem as portas abertas a imigrantes por motivos humanitários.

As falhas foram denunciadas em um seminário internacional no qual o governo anunciou diante de 470 representantes de 78 países as medidas adotadas para garantir a segurança durante o evento no Rio.

O Secretário Extraordinário de Segurança para os Grandes Eventos do Ministério da Justiça, Andrei Rodrigues, afirmou que o Brasil está bem preparado para os Jogos e que a segurança foi aperfeiçoada durante os diversos eventos organizados pelo país nos últimos anos.

Ele lembrou ainda que a segurança foi bem avaliada desde os Jogos Pan-Americanos de 2007, também na capital fluminense, a Copa do Mundo, a Copa das Confederações, a Cúpula de Desenvolvimento Sustentável Rio+20, os Jogos Mundiais Militares, a Jornada Mundial da Juventude com o papa Francisco.

"Temos orgulho do sucesso da segurança de grandes eventos. Isso nos tornou referência, e vários países vieram conhecer o que fazemos", comemorou Rodrigues.

Em sua apresentação, o secretário disse que o plano de segurança para os Jogos prevê a mobilização de 47 mil policiais e agentes, assim como de 38 mil militares. Ele lembrou também que nos últimos quatro anos apenas o Ministério da Justiça investiu cerca de R$ 1,5 bilhão na aquisição de equipes para a segurança dos grandes eventos, que ficarão como legado para o país.

"Em nossa avaliação, estamos praticamente prontos para garantir a segurança durante os Jogos. Hoje no Brasil não há uma cidade que reúna a experiência para garantir a segurança em um evento grande como o Rio", declarou, por sua vez, o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. 

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