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Segundo o Sunday Times, 1/5 das medalhas do país em Mundiais de Atletismo e Olimpíadas no período 2001/12 foi obtido por atletas que apresentaram resultados "duvidosos" em exames antidoping

Rita Jeptoo (ao centro) foi pega no antidoping graças a um controle feito de surpresa pela Wada
João Relvas/EFE
Rita Jeptoo (ao centro) foi pega no antidoping graças a um controle feito de surpresa pela Wada

A faxina promovida pela Wada (Agência Mundial antidoping) no atletismo não vai parar na Rússia. Richard Pound, chefe da comissão independente que elaborou o devastador relatório sobre as atividades russas, antecipou que Quênia, Etiópia e Turquia estão no radar da entidade. Os africanos, que praticamente monopolizam as medalhas nas provas de resistência, e a Turquia, que já suspendeu 31 atletas, envolvidos num escândalo durante os Jogos do Mediterrâneo, em junho, em Mersin, na Turquia, já se sobressaltam.

Andrey Baranov, o agente de atletas que enviou um depoimento assinado à IAAF (Associação Internacional das Federações de Atletismo) em abril de 2014, bem antes do documentário elaborado pela emissora alemã ARD que desmontou a farsa russa, propõe um olhar mais cuidadoso em direção a falcatruas que podem estar ocorrendo na África.

“Isso é errado. Deveria haver uma investigação similar em países como Quênia e Etiópia. Seus melhores atletas estão ganhando muito mais do que os russos. Ainda assim, seus níveis de testes são muito limitados”.

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O presidente do Comitê Olímpico do Quênia, Kipchoge Keino, admitiu que a Wada poderá pedir à IAAF para que suspenda a federação do país de todas as competições de atletismo por quatro anos, o que inclui a Olimpíada do Rio.

“Não é apenas mais uma ameaça. Eles acham que o Quênia está varrendo os casos de doping para baixo do tapete”, disse Keino, um dos pioneiros quenianos em pódios olímpicos – ouro nos 1500m na Olimpíada do México-68 e nos 3000 c/obstáculos em 72.

Segurança caminha ao redor de estátuas que homenageiam grandes fundistas quenianos, na sede da federação de atletismo, em Nairóbi
Dai Kurokawa/EFE
Segurança caminha ao redor de estátuas que homenageiam grandes fundistas quenianos, na sede da federação de atletismo, em Nairóbi

Desde 2012, mais de 30 atletas quenianos foram suspensos ou banidos após apresentarem exames antidoping positivos. Durante o Mundial de Pequim, Koki Manunga, dos 400m, e Joyce Zakary, dos 400m com barreiras, foram suspensos devido a exames realizados durante a competição.  Rita Jeptoo, que tem cinco vitórias na soma de eventos prestigiadíssimos como a maratona de Boston e a de Chicago, por uso de eritropoietina, foi suspensa por dois anos.

“A agência antidoping do Quênia, a Federação de Atletismo do Quênia e o governo do país precisam se reunir para resolver o problema, senão estaremos encrencados”, conclui “Kip” Keino.

Segundo o Sunday Times, 1/5 das medalhas do Quênia em competições como os Jogos Olímpicos e Mundiais de atletismo no período 2001/12 foram obtidas por atletas que apresentaram resultados "duvidosos" em exames antidoping. O jornal britânico diz que se baseia em dados vazados pela Iaaf.

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Nesta terça-feira, a Iaaf confirmou à agência de notícias AP que há uma investigação em curso de seu Comitê de Ética desde março motivada por denúncias de acobertamento de casos positivos de doping no Quênia.  

Segundo a ARD, dirigentes do atletismo queniano estavam extorquindo dinheiro de atletas e técnicos para encobrir resultados de exames. O técnico queniano Paul Simbolei declarou à ARD que dirigentes do país estavam pedindo dinheiro ou porcentagem da premiação de atletas para encobrir resultados de exames. David Okeyo, vice-presidente da federação queniana, está sendo investigado, assim como dois outros dirigentes, pelo desfalque de recursos de patrocinadores ao atletismo queniano. Curiosamente, Okeyo é um dos membros do conselho da IAAF que votaram pela suspensão à Federação Russa.

Em entrevista publicada nesta terça-feira pelo jornal britânico “The Guardian”, Pound declarou que os quenianos devem se preocupar. “Está bem claro que o Quênia teve sucesso em eventos de longa distância, e também está bem claro que muitas drogas para elevar a performance dos atletas estão sendo usadas no Quênia. Isso deveria ser motivo de preocupação para os atletas. Certamente é motivo de preocupação da Wada, mas deveria ser de qualquer um que participa desses eventos”.

O Quênia foi o país que encabeçou o quadro de medalhas do Mundial de Pequim, com sete medalhas de ouro, seis de prata e três de bronze.

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