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Recordista mundial do salto com vara participou, em Moscou, de entrevista coletiva com russos que nunca foram flagrados com resultados positivos em exames de controle de dopagem

Isinbayeva participou de entrevista coletiva ao lado de outros atletas russos renomados, como Anna Chicherova, do salto em altura
Maxim Shipenkov/EFE
Isinbayeva participou de entrevista coletiva ao lado de outros atletas russos renomados, como Anna Chicherova, do salto em altura

Yelena Isinbayeva está uma fera. A recordista mundial do salto com vara ameaça ir aos tribunais contra qualquer um que a acuse de doping e se disse disposta a realizar um exame ao vivo. "Eu mesma fornecerei qualquer material de análise para demonstrar que nunca consumi nada parecido (com uma substância ilícita). Não só isso, mas tirarei tanto dinheiro dos culpados que eles trabalharão para mim por toda a vida", declarou a musa, em entrevista coletiva em Moscou a respeito das implicações da suspensão provisória aplicada pelo Conselho Executivo da Iaaf à Federação Russa de Atletismo, na última sexta-feira, após a divulgação de um relatório elaborado por uma comissão independente montada pela Wada (Agência Mundial Antidoping) a respeito de um sistema de doping com cobertura do estado na Rússia.

Em entrevista recente à agência Efe, o treinador da saltadora, Yevgueni Trofimov, pediu à IAAF (Associação Internacional das Federações de Atletismo) para abrir uma exceção e permitir a participação de atletas russos que não deram positivo em nenhum exame em competições internacionais. "Yelena está limpa e é submetida a contínuos exames e testes antidoping".

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Isinbayeva se considera injustiçada por ser submetida a uma punição originada por infrações que lhe são alheias. "Por que os que são como eu (inocentes) temos de sofrer pelos erros de desportistas irresponsáveis que optaram por consumir substâncias proibidas? Eu gostaria de me dirigir à IAAF para que averigúe de maneira mais objetiva cada caso separadamente".

Uma possibilidade que está sendo aventada é a participação de russos na Olimpíada sob a bandeira olímpica. Esse expediente é utilizado para permitir que atletas de Comitês Olímpicos suspensos, de países suspensos pela ONU ou de nações com Comitês Olímpicos ainda não estabelecidos possam competir nos Jogos. Isso ocorreu, por exemplo, em 92, com atletas das repúblicas então recentemente desmembradas da União Soviética. Em 2000, esportistas do Timor Leste, que acabara de proclamar sua independência da Indonésia, participaram dos Jogos de Sydney sob a bandeira dos aneis olímpicos. "Não tenho certeza de que seja possível competir sob a bandeira olímpica. Estão falando agora sobre isso entre os círculos esportivos, mas ninguém sabe nada concretamente", afirmou Isinbayeva.

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O ministro de Esportes russo, Vitaly Mutko, disse que proporá à IAAF e ao Comitê Olímpico Internacional (COI) que os atletas russos limpos compitam sob a bandeira do próprio COI durante os próximos três meses.

Já o presidente do COI, Thomas Bach, não quis dar margem a especulações. "Se os atletas (russos) não podem participar de nenhuma competição classificatória, a situação é clara: se um atleta não se classifica, não pode participar dos Jogos".

Outros atletas renomados da Rússia, como Anna Chicherova, campeã olímpica do salto em altura, também participaram da coletiva. Sergey Subenkov, campeão mundial dos 100m com barreiras, disse que teme ficar alijado dos Jogos, o que ampliaria o drama de sua família. Ele é filho da heptatleta Natalya Shubenkova, que perdeu a chance de ir ao pódio nos Jogos Olímpicos de 1984 devido ao boicote do bloco soviético ao evento de Los Angeles.


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