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Maior autoridade brasileira em antidoping, médico gaúcho salienta que o COI sempre considerou muito importante resguardar o direito de os atletas participarem dos Jogos Olímpicos

O médico brasileiro Eduardo De Rose, membro da Agência Mundial Antidoping
Ricardo Bufolin/Pinheiros
O médico brasileiro Eduardo De Rose, membro da Agência Mundial Antidoping

Membro do comitê executivo da Wada, a Agência Mundial Antidoping, o médico gaúcho Eduardo de Rose, maior autoridade brasileira sobre antidoping, não acredita que todo o atletismo russo seja banido das competições internacionais, incluindo os Jogos Olímpicos do Rio. Essa severa punição foi recomendada pela Wada à Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf).

"Meu entendimento é de que as punições serão pontuais, restritas aos atletas envolvidos em fraudes comprovadas. Não deverá haver punição geral. O COI (Comitê Olímpico Internacional) considera muito importante resguardar o direito de o atleta participar de uma Olimpíada".

De Rose vai participar da reunião do comitê executivo da Wada, que será realizada na terça e quarta-feira da próxima semana, em Colorado Springs, nos Estados Unidos.
A Wada tem o poder de punir a agência antidoping russa, a Rusada, e o laboratório de Moscou, já punido preventivamente após a eclosão do caso com o descredenciamento.

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A federação russa de atletismo deverá entregar sua defesa à Iaaf nesta quinta-feira. A entidade deverá argumentar que tomará medidas para punir treinadores e técnicos de laboratório que cometeram irregularidades e que não há evidência de envolvimento sistêmico da federação nas fraudes.

"A respeito dos itens do relatório (da Wada) relacionados à federação, não há nenhuma evidência de transgressão", disse o presidente da federação russa, Vadim Zelichenok, à agência russa Tass.

"Nós admitimos o caso Saransk (que implica o técnico Vicktor Chepin). O relatório também menciona um incidente até certo ponto banal de dois atletas que tentaram escapar de oficiais de controle de dopagem. Mas coisas assim acontecem por toda a parte. Não há prova de violação sistêmica, apenas slogans".

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Saransk tem um importante centro olímpico de marcha atlética. Desde 2008, 26 marchadores russos já foram punidos por doping. Vinte deles foram treinados por Chepin, que foi nomeado Cavaleiro da Ordem da Glória da Mordóvia, República russa cuja capital é Saransk. Devido a grandes "feitos", como a conquista das medalhas de ouro na marcha de 20 e 50km masculinas e da de 20km feminina do Mundial de 2009, o próprio presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que gostaria de erigir uma estátua em homenagem a Chepin.

Sebastian Coe, que acabou de assumir o cargo de presidente da Iaaf, convocou uma reunião de emergência do conselho da entidade, via teleconferência, na sexta-feira, para decidir se vai suspender provisoriamente a Rússia das competições de atletismo.

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