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Grigory Rodchenkov é acusado de destruir 1,4 mil amostras de sangue dias antes de inspetores da agência antidoping viajarem a Moscou. Defesa russa será encaminhada hoje à Iaaf

Instalação de controle antidoping dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi/2014
Adam Pretty/Getty Images
Instalação de controle antidoping dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi/2014

O chefe do laboratório antidoping de Moscou, Grigory Rodchenkov, renunciou ao cargo nesta quarta-feira, após a divulgação das acusações da Agência Mundial Antidoping (WADA) de que o centro destruiu exames positivos dos atletas russos.

"O ministro de Esportes (Vitaly Mutko) aceitou a demissão e em seu lugar foi designada uma das especialistas do laboratório, Mariia Dikunets. O credenciamento do laboratório foi temporariamente suspenso", informou um porta-voz do Ministério ao jornal "Sport Express".

Rodchenkov foi acusado no relatório elaborado por comissão independente da WADA de destruir mais de 1,4 mil exames de sangue, dias antes de inspetores dessa agência irem a Moscou para uma operação de análise.

Mutko se defendeu ao garantir que essas provas foram destruídas com o aval da WADA e disse que as amostras de sangue não podem ser guardadas eternamente.

A defesa dos russos será estudada pelo conselho executivo da agência mundial antidoping em 17 e 18 de novembro, durante reunião que acontecerá em Colorado Springs, nos Estados Unidos.

Por sua vez, a Federação Russa de Atletismo tem até sexta-feira para apresentar seu relatório perante a Federação Internacional de Atletismo (IAAF).

Leia mais: Técnico de Isinbayeva defende atletismo russo e diz que musa treina normalmente

Mutko propôs hoje que a WADA elabore um "roteiro" para combater o doping entre os atletas russos, que podem ficar sem vaga para competir nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

O dirigente afirmou que o atletismo russo pode de fato ser excluído das competições internacionais, incluindo a Olimpíada do Rio. "Essa possibilidade existe, já que é conveniente, por um motivo, descartar um concorrente direto e, por outro, manchar a imagem do país", disse Mutko ao jornal "Sovetski Sport".

Mutko deu as declarações antes de informar ao presidente russo, Vladimir Putin, as medidas adotadas após as denúncias da Wada sobre a existência de um sistema de doping institucionalizado, com a conivência do governo do país.

"Os atletas não podem sofrer por aqueles que violaram alguma regra. Por esse motivo, lutaremos contra isso. Que denúncias podem ser feitas contra Sergei Shubenkov (110 metros com barreiras), Masha Kuchina (salto em altura) e Dasha Klishina (salto em distância)? Ou Yelena Isinbayeva (salto com vara), que se prepara para a quinta participação em Jogos Olímpicos?"

O ministro disse respeitar as conclusões da comissão independente da Wada, mas questionou o relatório divulgado pela entidade ao afirmar que "várias conclusões não estão sustentadas por dados e outras tantas são tendenciosas".

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, desafiou a Wada a apresentar provas sobre a existência de um sistema institucionalizado de doping russo similar àquele que foi montado na Alemanha Oriental, durante a Guerra Fria. "Se fazem alguma acusação, então ela deve vir acompanhada de algum tipo de prova. Até que elas sejam apresentadas, será difícil aceitar qualquer acusação. As denúncias são gratuitas", disse.

Deputados, funcionários e atletas relacionaram as acusações e a possível suspensão da Rússia à atual conjuntura política, devido ao papel do país no conflito da Ucrânia e a anexação da Crimeia.

A Rússia teme um retorno dos tempos em que os Estados Unidos conseguiram fazer com que vários países ocidentais boicotassem os Jogos Olímpicos de 1980, em Moscou, após os soviéticos terem invadido o Afeganistão.

A comissão independente da Wada acusa a Rússia de estar envolvida em um escândalo que incluiria o encobrimento de testes positivos, a extorsão de dinheiro de atletas, o pagamento de subornos e a destruição de provas sobre o consumo de substâncias proibidas.

O senegalês Lamine Diack, ex-presidente da Associação Internacional da Federação de Atletismo (IAAF), também foi citado nas investigações por supostamente ter aceitado dinheiro russo para esconder exames positivos, o que o relatório chama de "sabotagem" aos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres. 


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