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Yevgeny Trofimov enxerga viés político e alega que não se pode culpar atletas que não tenham sido flagrados em exames antidoping devido ao princípio do direito da presunção de inocência

Yelena Isinbayeva é uma das maiores atrações das competições de atletismo
AP
Yelena Isinbayeva é uma das maiores atrações das competições de atletismo

Yelena Isinbayeva, um dos maiores nomes do atletismo, está treinando normalmente, com o objetivo de melhorar seu próprio recorde mundial no salto com vara (5,09m), sem se importar com a hecatombe que sacode o atletismo russo a partir desta segunda-feira. A informação foi passada pelo treinador da bicampeã olímpica, Yevgeny Trofimov, à agência de notícias russa TASS.

A Agência Mundial Antidoping (WADA) solicitou à Iaaf (Associação Internacional de Federações de Atletismo) que suspenda o atletismo russo de competições internacionais, incluindo a Olimpíada do Rio, devido a denúncias de um sistema amplo de acobertamento de exames positivos de doping.

"Estamos preparados para quebrar o recorde mundial e posso ver pelas nossas sessões de treino que ela é capaz de fazer isso. Essa situação não vai afetar a sua preparação. Isinbayeva não vai reagir a isso. Ela está surpresa com a recomendação da comissão porque existe algo chamado presunção de inocência", diz o treinador, referindo-se a um princípio do direito, segundo o qual ninguém pode ser punido antes de decisão transitada em julgado de um processo em que se prove sua culpabilidade. "Por que culpar os atletas se eles nunca usaram drogas ilícitas? É um critério dúbio incrível. Estamos trabalhando em um mundo civilizado e apenas bárbaros agem dessa maneira", disse Trofimov.

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O treinador atribui a crise a uma injunção política e culpa uma atleta banida por doping de ter feito acusações infundadadas. "O que eu posso ver instantaneamente é que a decisão é política. Além disso, não deveríamos esquecer que a situação foi iniciada por uma atleta que foi pega usando drogas e que, aparentemente, não gostou do fato de ter sido flagrada e começou a fazer acusações infundadas em público", acrescentou.

Enquanto Trofimov diz que Isinbayeva está tranquila, o mundo do atletismo continua em ebulição, com protestos de atletas que se dizem prejudicados por russos dopados.
O australiano Jared Tallent, medalha de prata na marcha atlética de 50 quilômetros nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, cobra a vitória na prova, após a divulgação de relatório da WADA sobre doping sistemático no atletismo russo.

O atleta ficou atrás de Sergey Kirdyapkin, que foi suspenso por utilização de substância ilegal no início deste ano, por três anos e dois meses, com efeito retroativo a outubro de 2012, ou seja, depois do ouro olímpico.

"As acusações são absolutamente impactantes, por eu descobrir que o homem que me venceu em Londres provavelmente deveria ter sido punido antes, mas a IAAF o deixou sem qualquer sanção até depois dos Jogos. É demolidor que o deixaram correr", disparou Tallent.

Com agência EFE

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