Tamanho do texto

Dono de 22 medalhas olímpicas, prodígio de Baltimore, que se dedica com mais seriedade que nunca, promete colher mais algumas nos Jogos do Rio depois de superar maior crise de sua vida

Michael Phelps se sente outra pessoa após prisão por dirigir embriagado
Matt York/AP
Michael Phelps se sente outra pessoa após prisão por dirigir embriagado

"Eu estava num lugar realmente escuro. Não queria mais estar vivo", disse o nadador Michael Phelps, a respeito de sua condenação a um ano de prisão por ter sido pego dirigindo alcoolizado, em setembro do ano passado, nos Estados Unidos. A declaração foi dada à revista Sports Illustrated, que publicou uma longa matéria sobre a crise sofrida pelo homem que conquistou o maior número de medalhas olímpicas da história: 22, sendo 18 de ouro.

Por ter-se declarado culpado, Phelps cumpriu a pena em liberdade condicional. Ele também procurou uma clínica, no Arizona, onde se internou, submetendo-se a um doloroso processo de reabilitação. No final de junho, em Omaha, o prodígio de Baltimore, que havia decidido se aposentar, vai buscar vaga na seletiva americana a fim de disputar sua quinta Olimpíada.

Leia mais: Etiene, 1ª brasileira campeã do Pan na natação, bate sua adversária: a preguiça

Depois de se isolar na clínica por 45 dias, Phelps retomou os treinos. Em agosto, enquanto o Mundial de Esportes Aquáticos de Kazan transcorria, ele cumpria suspensão internacional imposta pela federação norte-americana. No Campeonato Nacional, em San Antonio, venceu os 200m borboleta com o tempo de 1min52s94, o melhor desde que batera o recorde mundial, em 2009. Depois ainda venceu os 100m borboleta em 50s45, tempo superior ao de Chad Le Clos (50s56), campeão em Kazan. E Phelps ainda venceu os 200m medley com 1min54s75, seu melhor tempo em quatro anos. Se estivesse no Mundial, teria obtido três medalhas de ouro.

Dias depois de sair da clínica, Phelps disse uma frase assustadora a Peter Carlisle, seu agente, a respeito de seus treinos. "Peter, isso vai ser interessante. Eu nunca realmente dei tudo o que tenho".

Phelps prometeu publicamente que não colocará uma gota de álcool na boca até o final dos Jogos Olímpicos do Rio, em agosto. "Minha gordura corporal caiu significativamente, e estou mais magro do que jamais fui. As performances melhoraram porque trabalhei, me recuperei, dormi e me cuidei mais do que nunca".

Leia mais: Cielo prevê que Brasil conquiste até seis medalhas na piscina no Rio

Depois da Olimpíada de Londres, Phelps esteve aposentado por menos de um ano. Durante uma viagem a Cabo San Lucas, cogitou a ideia de voltar a disputar uma Olimpíada. Por telefone, contou para sua mãe, Debbie, que chorou, porque sempre quis conhecer o Rio.

Bob Bowman, seu treinador, tentou demovê-lo da ideia, porque sofrera com a falta de dedicação do pupilo até a Olimpíada de Londres. E Phelps continuou meio preguiçoso, sem abandonar alguns vícios: álcool e jogos, como pôquer e apostas em cavalos.

Após cinco dias de internação na clínica, Phelps começou a enxergar aquele processo como uma competição. "Eu pensei, O.K. Ficarei aqui por 45 dias, vamos ver o que posso alcançar, contou o nadador. "Eu me curei ao descobri um monte de coisas sobre mim que eu provavelmente já sabia, mas não queria enfrentar. Uma delas é que, por um longo tempo, me vi como o atleta que fui, mas não como um ser humano. Estava em terapia com completos estranhos que sabiam quem eu era, mas que não me respeitavam por aquilo que eu tinha feito, mas pelo que eu sou como ser humano. Eu me peguei cada vez mais feliz. No meu grupo, formamos uma família. Queríamos que cada um de nós tivesse sucesso. Foi uma boa experiência para mim. Foi duro, mas foi ótimo".

O atleta começou a acordar às 6h da manhã para levantar peso, fazer flexões, abdominais, e nadar na pequena piscina. "Eu dava cerca de uma braçada e já estava do outro lado".

Depois de sair da clínica, Phelps reatou um namoro com uma antiga namorada, com a qual vai se casar depois da Olimpíada, Nicole Johnson. Eles planejam ter filhos.
Treinando agora com uma carga compatível com sua idade, 30 anos, mas com qualidade, Phelps demonstra grande confiança. "Vou voltar a ser o garoto que disse uma vez que qualquer coisa é possível. Vocês vão ver um eu diferente daquele que viram nas outras Olimpíadas", disse o mito à publicação norte-americana.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.

    Notícias Recomendadas