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O carioca Marcus D'Almeida, de apenas 17 anos, é a esperança que o Brasil tem para 2016 em modalidade com pouca tradição no país

O arqueiro brasileiro Marcus D'Almeida
EFE/Antonio Lacerda
O arqueiro brasileiro Marcus D'Almeida

O tiro com arco não precisa de heróis da ficção, nem Robin Hood nem Legolas ou mesmo Guilherme Tell, já que tem glamour e paixão suficientes por si só para atrair o público nos Jogos Olímpicos do ano que vem, no Rio de Janeiro.

Essa é a opinião de um prodígio, o carioca Marcus D'Almeida, de apenas 17 anos. Apesar de ter nascido em um país sem tradição, o garoto é uma voz de autoridade na modalidade e um forte candidato a medalha nos Jogos de sua cidade natal.

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No ano passado, com apenas 16 anos, Marcus se tornou o medalhista mais jovem em uma final da Copa do Mundo com a prata obtida em Lausanne (Suíça). Além disso, coleciona conquistas tanto nas categorias de base quanto na principal.

Em entrevista à Agência Efe, o jovem atleta disse que foi atraído pelo tiro com arco pelo glamour e a paixão que o esporte possui e não pela influência de personagens eternizados em obras literárias e no cinema.

O conhecimento da modalidade, popular especialmente na Coreia do Sul e outros países asiáticos, continua sendo pequeno no Brasil. Contudo, o garoto confia que seus resultados já ajudaram a dar ao tiro com arco um mínimo de atenção no país do futebol.

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"As medalhas trouxeram coisas boas para o esporte e para o país", comentou Marcus após um treino nas instalações da Confederação Brasileira de Tiro com Arco (CBTA) em Maricá, cidade localizada a cerca de 60 quilômetros do Rio de Janeiro.

O jovem Marcus, que está no último ano do ensino médio, vai às aulas todas as manhãs e depois se dedica a treinar por outo horas, seis delas na pista de tiro, com a mente voltada para o torneio classificatório para os Jogos, que acontecerá em maio.

Marcus Vinicius D'Almeida treina em Maricá, no Rio de Janeiro
EFE/Antonio Lacerda
Marcus Vinicius D'Almeida treina em Maricá, no Rio de Janeiro

A partir de uma linha amarela traçada no cimento, o atleta dispara mecanicamente, concentrado e sem torcer o gesto, 400 flechas por dia em direção a um alvo localizado a 70 metros.

"Para acertar, é preciso um conjunto de fatores: concentração, técnica e coordenação motora fina", enumera o arqueiro, que destacou que sua grande virtude é a frieza.

"Talvez eu seja um pouco mais frio. Acho que consigo manter um pouco mais minha concentração. Não que seja melhor que todos, mas acredito que é algo positivo que tenho", comentou.

Marcus rejeitou o rótulo de prodígio. Segundo ele, o segredo é a dedicação. "Os resultados são fruto de um trabalho diário, muito treino e concentração na competição Não sou um menino prodígio, me vejo como um menino que treina", salientou.

Segundo o garoto, o tiro com arco é um esporte difícil de aprender e que inclusive ele, apesar da precocidade, teve dificuldades para assimilar a técnica.

Quando era criança, Marcus já gostava muito da modalidade. Porém, antes de pegar em um arco, ele tentou a sorte em remo, vela, natação e capoeira, entre outros. Até que aos 12 anos participou de um curso da CBTA, em Maricá, onde mora.

"Demora muito tempo até adquirir (a técnica). O primeiro ano é muito difícil. Demora até os resultados serem perceptíveis. Após dois anos, me chamaram para a seleção, e então me dei conta que tinha potencial. Desde então, tenho o sonho olímpico", relatou.

Em 2014, quatro anos após praticar pela primeira vez, Marcus estourou e pendurou no peito a prata nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Nanquim (China), proclamou-se campeão sul-americano e obteve a prata na Copa do Mundo de Lausanne.

A meteórica aparição no cenário internacional surpreendeu os adversários, mas agora, devido ao sucesso, ele acredita já ser conhecido. Agora, sonha subir ao pódio olímpico na cidade natal, seja em uma competição individual ou coletiva, o que seria um feito inédito para o Brasil.

"Penso na medalha. Nosso país nunca teve uma medalha. Mas não só eu, toda a equipe pensa nisso. De fato, é uma meta muito boa", encerrou.

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