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Depois de emplacar o objetivo de assegurar vaga para uma equipe completa, o Brasil deve apostar alto em Arthur Zanetti, Diego Hypólito, Arthur Nory e em Sérgio Sasaki nos Jogos do Rio

Nory foi o melhor brasileiro na disputa por aparelhos: quarto na barra fixa
Ricardo Bufolin/CBG
Nory foi o melhor brasileiro na disputa por aparelhos: quarto na barra fixa

Depois de perderem o voo e esperarem por horas no aeroporto de Londres, os ginastas da seleção masculina de ginástica chegaram a São Paulo na manhã desta terça-feira, depois de passarem pelos Estados Unidos. Cansados, mas satisfeitos com a obtenção da inédita classificação olímpica de uma equipe masculina, feito alcançado no Mundial de Glasgow, os ginastas se preparam para uma difícil disputa interna.

Para a competição na Escócia, os ginastas generalistas, com desempenho mais uniforme em vários aparelhos, foram recrutados e tiveram papel importante. O Brasil se classificou a duras penas: ficou em sétimo lugar na fase classificatória em Glasgow - apenas oito equipes se classificavam.

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Diego Hypolito, que é melhor no solo e no salto, foi reserva na fase classificatória, e só disputou a fase final. Dono de cinco medalhas em Mundiais, sendo duas de ouro, o veterano de 29 anos deverá ser escalado como titular no Rio, porque tem chances reais de medalha no solo. " Acredito que tenho condição. O terceiro colocado no solo (o espanhol Miguel Zapata Santana) tirou 15,200. Eu competi no solo na final por equipes e tirei 15,200 e alguma coisa (15,233). Agora é trabalhar o mais duro possível. O Arthur (Zanetti), eu e o (Arthur) Nory temos chances de medalhas individuais nos aparelhos. E o Sérgio Sasaki vai voltar", diz Diego. Sasaki, melhor generalista do Brasil,  foi quinto colocado no Mundial de 2013 e é considerado a melhor aposta do país no individual geral. Ele não foi a Glasgow pois sofreu uma lesão no tendão do bíceps do braço direito.

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Zanetti, Lucas Bittencourt e Francisco Barreto: classificação histórica
Divulgação
Zanetti, Lucas Bittencourt e Francisco Barreto: classificação histórica

No entanto, para poder medalhar novamente na ginástica, dando continuidade a uma possível série olímpica de conquistas, iniciada com Arthur Zanetti e seu ouro em Londres/2012, o Brasil terá que domar seus nervos. Numa atitude bastante franca, Hypolito confessou em Londres, com todas as letras, que "amarelou" na última Olimpíada. No aeroporto, admitiu que tem contas a saldar com seu passado. "Tenho o grande sonho de disputar uma medalha olímpica tão sonhada que devo para a nação, não só para mim. Já são doze anos que consigo ficar entre os melhores do mundo, mas ainda não tenho uma medalha olímpica". 

Também bastante sincero, o jovem Caio Souza, de 22 anos, indagado em quais aparelhos precisa melhorar, foi direto ao ponto. "Primeiro tenho que melhorar o psicológico", sorriu, também em tom amarelo. O Mundial é muito grande. O Diego (colega dele na ADC São Bernardo) já me dizia que o Mundial é do tamanho de uma Olimpíada. Eu estava muito tranquilo, mas quando vi meu nome na lista para começar a série, comecei a tremer".

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Membro da comissão técnica da ginástica masculina, o treinador Francisco de Carvalho Lopes explica, didaticamente, a opção pelos especialistas no Rio. E confirma que a pressão é por medalhas, no plural. "O que a gente quer é medalhas. Nossa pressão é por isso. Se os especialistas estiverem bem preparados, eles entram. Caso não estejam bem, ou lesionados, entram os generalistas".

Lopes salienta também que a torcida brasileira não deve ficar excessivamente preocupada com o resultado de Arthur Zanetti. O campeão olímpico ficou fora da final das argolas em Glasgow. "O Brasil competiu na primeira rotação. Os árbitros seguram a nota no começo, porque não sabem o que há por vir. Seguram no começo e vão soltando depois. Por isso que o Arthur ficou fora da final. A série dele estava melhor do que a de alguns ginastas que se classificaram".  


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