Tamanho do texto

Sem grandes perspectivas, delegação nacional compete com perspectivas reduzidas em ano pré-Rio 2016. Fabiana Murer e Thiago Braz destoam e são esperanças de pódio para o Brasil

Fabian Murer é presença constante em pódios no circuito mundial
AP
Fabian Murer é presença constante em pódios no circuito mundial


Os Jogos Pan-Americanos deram o alerta: o atletismo brasileiro vive um período problemático. A um ano das Olimpíadas do Rio 2016, a modalidade, que ficou aquém do esperado em Toronto, tem pela frente um teste duro para saber, afinal, em qual patamar está frente à elite da modalidade. No Mundial de Pequim, que começa na noite desta sexta (horário de Brasília), a delegação brasileira conta com 55 atletas nas competições de pista e de campo, mas sem muitas perspectivas de serem laureados no estádio Ninho do Pássaro, palco das Olimpíadas de 2008.

Entre os atletas que fizeram a viagem são poucos aqueles com marcas significativas que levem a crer na brigar por medalhas – e até mesmo, na maioria dos casos, por finais. A exceção talvez seja a prova de salto com vara, que, com Fabiana Murer e Thiago Braz, pode ser a salvação contra mais uma edição sem pódio nenhum, tal como em Moscou 2013. 

Veja também: Sebastian Coe supera Bubka e é eleito o novo presidente da IAAF

Braz vai para a pista já na sexta, primeiro dia de competições. Embora tenha fracassado no Pan, quando falhou nas três tentativas com o sarrafo ainda a 5,40m, o atleta de 21 anos é o quarto no ranking de 2015, com a marca de 5,92m – recorde sul-americano. O brasileiro, atualmente treinado pelo ucraniano Vitaly Petrov, que moldou as lendas Serguei Bubka e Yelena Isinbayeva, foi campeão mundial júnior em 2012 e quarto no Mundial indoor de 2014.

Subir ao pódio em Pequim, no entanto, não será tarefa simples. Favorito, o francês Renaud Lavillenie já marcou 6,05m na temporada. O alemão Raphel Holzdeppe tem como melhor marca no ano 5,94m, seguido pelo canadense Shawnacy Barber, com 5,93m.

"O pódio é a meta de todo atleta. Vai depender muito de como a prova será disputada e como estarão os principais atletas", explicou Petrov.

Favorito no Pan, Thiago Braz saiu de Toronto sem acertar um salto sequer
Saulo Cruz/Exemplus/COB
Favorito no Pan, Thiago Braz saiu de Toronto sem acertar um salto sequer


Já Fabiana compete no domingo. Assim como o colega, ela tem a quarta melhor marca do ano (4,80m), que lhe rendeu a medalha de prata no Pan de Toronto . Quem lidera o ranking de 2015 é a cubana Yarisley Silva, com 4,91 m, seguido da grega Nykoleta Kyriakopoúlou, com 4,83 m, e da norte-americana Jennifer Suhr, que tem 4,82 m. Outra concorrente é a alemã Silke Spiegelburger, sétima no ranking do ano com 4,75m.

"A Fabiana é uma das candidatas e um lugar no pódio em Pequim. Há outras boas atletas, mas os resultados da temporada credenciam estas cinco atletas a lutar pelas primeiras colocações", afirmou o técnico da brasileira Elson Miranda.

A melhor marca de Fabiana na carreira é de 4,85 m, que lhe rendeu o título na edição de 2011, em Daegu, na Coréia do Sul. Este, aliás, foi o único ouro do Brasil na história do atletismo em campeonatos mundiais.

Leia mais: Testes vazados colocam sob suspeita de doping medalhistas do atletismo

A julgar pelos resultados do ano, uma medalha em qualquer modalidade que não seja o salto com vara será uma enorme surpresa. Até mesmo nas provas de revezamento, em que o Brasil tradicionalmente obtém bons resultados, as chances são praticamente nulas.

No 4x100m masculino, o melhor resultado dos brasileiros em 2015 é de 38s63, apenas o 17º tempo da temporada. Ou seja, com tal marca dificilmente se classifica entre os oito finalistas – em Londres 2012, a equipe brasileira ficou fora da final olímpica pela primeira vez desde 1992.

Já o bicampeão mundial indoor de salto distância (2012 e 2014), Marcos Vinicius Vieira, o “Duda”, não conseguiu índice para competir em Pequim. Convivendo com lesões no último ano, ele também já havia ficado fora dos Jogos Pan-Americanos.

Veja também: Tempo de 10s é barreira intransponível para 100 m rasos do Brasil

Um bom comparativo para a delegação brasileira medir sua evolução – ou desevolução – é o desempenho no Mundial de 2013, disputado em Moscou. Na ocasião, o Brasil marcou presença em seis finais: salto com vara (masculino e feminino), revezamento  4x400m masculino, 4x100m feminino, 400m rasos masculino e salto em distância masculino. Além disso, somou um sexto lugar no decatlo e colocou dois representantes entre os dez primeiros da maratona masculina. Nada de medalhas, porém.

Subir em pódios, aliás, não é algo frequente para brasileiros em Mundiais. Desde 1983, quando a competição passou a ser realizada, foram 14 edições, e o país conquistou apenas 11 medalhas (1 ouro, 5 pratas e 5 bronzes). Desde a virada do século, foram somente três – além do ouro de Fabiana Murer em 2011, teve prata para Jadel Gregório no salto triplo, em 2007, e prata no revezamento 4x100m masculino em 2003.

Relembre imagens do Mundial de Atletismo de 2013, em Moscou:


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.