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Os gastos gerais de infraestrutura para a cidade e despesas do comitê organizador, porém, já passam dos R$ 38 bi. A menos de um ano dos Jogos, só 24% dos projetos estão concluídos

As obras no Parque Olímpico do Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca
Matthew Stockman/Getty Images
As obras no Parque Olímpico do Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca


A Autoridade Pública Olímpica, órgão criado pelo governo federal para coordenar os trabalhos para as Olimpíadas 2016, divulgou um relatório nesta sexta-feira no qual afirma que os gatos com obras diretamente ligadas ao evento esportivo chegam a R$ 6,67 bilhões. Essa última parcial divulgada apresenta um acréscimo de R$ 70 milhões nas contas em relação a janeiro deste ano.

É preciso dizer que essa quantia ligada pela APO só se refere a gastos que, segundo o Governo, “não aconteceriam se os Jogos Olímpicos não fossem realizados”. O custo geral, porém, é bem maior. Nessa conta, além da matriz, entrariam ainda o orçamento do Comitê Organizador local (superior a R$ 7 bilhões) e o plano de legado para o Rio de Janeiro, com obras de infraestrutura como as do metrô, que passam dos R$ 24 bilhões. Somando as três vertentes, o valor passa dos R$ 38 bilhões.

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Operários trabalham na demolição de casas da Vila Autódromo, nas cercanias do Parque
AP Photo/Leo Correa
Operários trabalham na demolição de casas da Vila Autódromo, nas cercanias do Parque

Há também diversos gastos que o documento divulgado ignora, como a remoção de famílias da Vila Autódromo, bairro nos arredores do Parque Olímpico, a compra de imóveis para a Vila dos atletas. Não há um número oficial que trate essa questão. Um levantamento feito pelo gabinete da vereadora Teresa Bergher (PSDB), da oposição, estima que R$ 95 milhões já tenham sido investidos nesse processo, que, segundo o prefeito Eduardo Paes, faz parte de um conjunto de operações que estão necessariamente atreladas ao fato de o Rio ser a cidade-sede.

Depois de se rearranjar alguns projetos, a nova Matriz de Responsabilidade dos Jogos Olímpicos apresenta 46 tópicos, dos quais 44 (96%) já foram licitados, contratados, estão em obras ou foram concluídos. Faltando menos de um ano para a cerimônia de abertura do evento, porém, apenas 11 dos 46 projetos (24%) já estão prontos.

"Os projetos foram encaminhados e estão dentro do prazo para garantir a realização dos eventos-testes (das instalações) e as competições em 2016", disse o presidente em exercício da APO, Marcelo Pedroso. Segundo o dirigente, os dois projetos que ainda não foram licitados são de “curto prazo de execução”, sendo encaminhados em “uma data mais próxima ao evento”.

O acréscimo nos gastos previsto na terceira atualização a Matriz de Responsabilidades se deve à inclusão dos orçamentos definitivos de obras que ainda estavam no papel. A maior parte dos R$ 70 milhões será destinada à compra de equipamentos para o Parque Olímpico e às reformas no Estádio de Remo da Lagoa Rodrigo de Freitas.

Segundo o governo, a maior parte dos investimentos (R$ 4,24 bilhões) estritamente ligados às Olimpíadas continua sendo financiada pelo setor privado.


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