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Nicholas dos Santos, um dos mais rápidos nos 50m borboleta, tenta aperfeiçoar sua estratégia de prova para emplacar participação nos Jogos Olímpicos pela segunda vez


Nicholas não conseguiu medalha no Finkel
Satiro Sodré/SS Press/CBDA
Nicholas não conseguiu medalha no Finkel

Nicholas Santos deixou a piscina do Pinheiros apenas com a quarta colocação na final dos 100m borboleta do Troféu José Finkel, com o tempo de 53s26. Seus resultados nas provas de ida e volta não saem com tanta facilidade como aqueles que registra nos 50m borboleta, prova na qual foi prata no Mundial de Kazan, no início do mês.

Na Rússia, Nicholas foi um dos brasileiros que medalharam em provas não-olímpicas. O resultado, no entanto, tem um grande valor para ele. "Para mim foi sensacional. É uma prata que valeu ouro para mim. É uma competição que tem provas não olímpicas".
Nicholas se tornou o nadador mais velho da história a obter uma medalha em Mundial, aos 35 anos e 171 dias. Deixou para trás o alemão Mark Warnecke, ouro nos 50m peito em Montreal-2005, aos 35 anos e 162 dias. "Não sinto nenhum empecilho por ser mais velho. Para mim é uma conquista, fruto de muita batalha, de vários anos batendo na trave. Hoje eu me sinto bem mais preparado física e mentalmente do que quando tinha 27 ou 28 anos", diz o veterano.

Nicholas levou a prata no Mundial nos 50m borboleta
AP
Nicholas levou a prata no Mundial nos 50m borboleta

O nadador se reinventou como borboletista. Nadava os 50m livre, mas passou a se dedicar mais aos 100m livre quando se deparou com Cesar Cielo e Bruno Fratus disparando. Fez parte do 4x100m na Olimpíada de Londres. Mas hoje essa prova tem também os velozes Marcelo Chierighini, Matheus Santana e João de Lucca. A saída de Nicholas foi buscar vaga nos 100m borboleta, na qual também encontra grandes dificuldades, com a concorrência de Arthur Mendes, Henrique Martins e até Thiago Pereira, mesmo não sendo essa sua prova principal.

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Albertinho elogia o esforço do veterano na busca por emplacar participação em sua segunda olimpíada. "Ele trabalha muito. Para ele chegar onde chegou aos 35 anos, é preciso muito trabalho, talento e disciplina. Há dois anos ele só treina para os 100m borboleta. O ano de 2013 foi o último em que ele treinou para os 50m borboleta".

Mesmo sem se dedicar aos 50m, Nicholas se beneficiou de sua velocidade natural, assimo como Cesar Cielo, bicampeão mundial da prova sem se dedicar a ela. Em 2011, Nicholas foi impedido de participar do Mundial de Xangai por ter sido flagrado no estranho caso de doping por furosemida, assim como Cielo. A farmácia de manipulação encarregada de preparar cápsulas de cafeína recebeu toda a culpa, e os nadadores receberam apenas uma advertência. Nicholas, no entanto, não pôde ir a Xangai porque fizera índice no Maria Lenk, justamente a competição que disputava quando um exame de urina acusou a presença da furosemida. O resultado foi invalidado. Cielo pôde ir à China porque registrara seu índice antes.

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Em 2013, Nicholas fez o melhor tempo do ano na semifinal (22s81), mas chegou em quarto lugar, com 23s21. Hoje, influenciado pela mulher, o veterano pratica ioga e meditação, além de se submeter a uma dieta rígida, que restringe o consumo de açúcar, glúten e leite.

Aos 35 anos, Nicholas melhora seus tempos ano a ano. "Todos os anos, o Nicholas tira um pouquinho. Se você pegar um garoto novo, às vezes não tira tanto como ele. Mas se vai ser o suficiente para ele ir à Olimpíada, não sei", diz Albertinho. "Ele é o cara mais rápido da prova. A gente acredita que ele não deve passar os 50 primeiros metros loucão, usando toda a velocidade na ida. Já experimentamos, não deu certo. Estamos querendo que ele nade confortavelmente, aproveite o seu nado submerso e carregue a velocidade o mais longe que puder, relaxado, para que ele faça uma volta progressiva", emenda o treinador.

Haverá duas oportunidades para obtenção de índices olímpicos: o Open, em Palhoça (SC), em dezembro, e o Maria Lenk, em abril, no Centro Aquático Olímpico do Rio.


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