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Dívida com a Fiba ameaça deixar o basquete brasileiro como espectador no Rio 2016, e a federação vai discutir a partir de sexta se dará vaga ao país-sede; entenda capítulo a capítulo

Vexame na Copa América de 2013 resultou em dívida que pode tirar Brasil das Olimpíadas
Marcelo Figuera/Fiba Américas
Vexame na Copa América de 2013 resultou em dívida que pode tirar Brasil das Olimpíadas


Depois de uma longa novela, o basquete brasileiro deve, enfim, saber neste final de semana se terá a vaga como país-sede para as Olimpíadas do Rio 2016. A partir de sexta-feira, a Fiba (Federação Internacional de Basquete) vai reunir seu comitê executivo em Tóquio para debater e votar esse e outros assuntos.

A indefinição em relação à vaga se dá por conta de uma dívida da CBB (Confederação Brasileira de Basquete) com a entidade internacional, referente ao pagamento de um convite para que a seleção masculina pudesse disputar a Copa do Mundo de 2014, na Espanha. Na ocasião, por não conseguir classificação em quadra, o Brasil teve que recorrer a uma das quatro vagas para convidados, para não ficar fora pela primeira vez na história da competição. 

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Abaixo, entenda como se formou o imbróglio que deixa indefinida a situação da seleções brasileiras masculina e feminina às vésperas das Olimpíadas de 2016. Os times estão se preparando para a próxima Copa América, que serve como Pré-Olímpico, ainda no escuro.

18 Julho de 2013 – Pedidos de dispensa

A Copa América de 2013, na Venezuela, distribuiria quatro vagas para a Copa do Mundo do ano seguinte. O técnico Rúben Magnano, então, convocou seus atletas mais prestigiados para a competição. No dia da apresentação, muitos não apareceram. Foram nada menos que sete pedidos de dispensa, incluindo Nenê Hilário, Leandro Barbosa, Tiago Splitter, Lucas Bebê e Vitor Faverani, todos com vínculos com a NBA na época.

13 de agosto de 2013 – Mais uma baixa

Já com o elenco desfalcado, a seleção se preparava para a Copa América quando mais um jogador com status de titular pediu para ser dispensado. Alegando uma lesão na perna, o ala Marquinhos deixou o grupo.

Derrota para Jamaica selou pior campanha da história no torneio continental
Marcelo Figueras/FIBA Americas
Derrota para Jamaica selou pior campanha da história no torneio continental

3 de setembro de 2013 – Um vexame 

Com uma equipe desfigurada, o Brasil perde em sequência para eternos sacos de pancada como Uruguai e Jamaica e encerra a Copa América com quatro derrotas em quatro jogos, a pior da história do país na competição. Fora ainda na primeira fase, fica sem vaga para a Copa do Mundo. No retorno ao Brasil, Magnano dispara críticas contra atletas que pediram dispensa, dizendo que se sentiu "traído".

31 de outubro de 2013 – A última chance

O Brasil se põe como candidato a um dos quatro convites que a Fiba 'distribuiria' (na verdade, venderia) para a Copa do Mundo de 2014, na Espanha. O país concorre ao lado de outros 14 postulantes: Nigéria, Canadá, Venezuela, China, Catar, Bósnia, Finlândia, Alemanha, Grécia, Israel, Itália, Polônia, Rússia e Turquia. Era a última chance de disputar o torneio.

1º de fevereiro de 2014 – Convidado

A Fiba confirma o Brasil como um dos quatro selecionados para receber o convite para a Copa do Mundo do mesmo ano, ao lado de Grécia, Finlândia e Turquia. Como parte das exigências, a CBB se compromete a pagar a importância de US$ 1 milhão à federação internacional.

22 de fevereiro de 2014 – Primeiro alerta

Três semanas depois de formalizar o convite ao Brasil, o secretário-geral da Fiba Americas Alberto Garcia, presente no Jogo das Estrelas do NBB, fez o primeiro alerta sobre o risco do país ficar sem a vaga automática nas Olimpíadas de 2016 em caso de não pagamento do convite. O dirigente também teceu duras críticas à administração da CBB.

Com presença dos astros da NBA, Brasil foi sexto no Mundial
Gaspar Nóbrega/Inovafoto
Com presença dos astros da NBA, Brasil foi sexto no Mundial

10 de setembro de 2014 –  O Mundial

Desta vez contando com todos os seus astros, o Brasil fez campanha honrosa na Copa do Mundo, terminando na sexta colocação. Os comandados de Rúben Magnano caíram nas quartas de final diante da Sérvia.

1º de julho de 2015 – Nada garantido

Mais de 15 meses depois do primeiro alerta feito por Alberto Garcia, a CBB segue com uma dívida de cerca de US$ 700 mil com a Fiba, que recusa a proposta de parcelamento da quantia e adia a decisão sobre a vaga ao Brasil como país-sede das Olimpíadas de 2016. A definição fica para o congresso geral da entidade, a ser realizado entre os dias 7 e 9 de agosto, em Tóquio.

31 de julho de 2015 – Convocados

Rúben Magnano convoca 15 jogadores para os treinamentos visando a disputa da Copa América de 2015, no México. O treinador deixa de fora os atletas da NBA e chama a base que dias antes se sagrou campeã dos Jogos Pan-Americanos, em Toronto, confiante que o imbróglio com a Fiba teria desfecho positivo. Caso a vaga automática como país-sede não seja concedida, o Brasil terá que conquistar na quadra o direito de disputar as Olimpíadas em casa. Apenas os dois finalistas da Copa América se classificam.

7 a 9 de agosto de 2015 – Hora da verdade

A alta cúpula da Fiba estará reunida em Tóquio, no Japão, para o congresso geral da entidade. Uma última proposta para o pagamento da dívida será analisada, dessa vez com garantia de pagamento por parte do Bradesco e da Nike, patrocinadoras da CBB. Estreando justamente no dia 9 na Copa América em Edmonton, no Canadá, a seleção feminina pode entrar em quadra ainda sem saber se terá ou não vaga em 2016. Assim como o time masculino, as meninas terão que conquistar na quadra o direito de disputar os Jogos do Rio de Janeiro caso a posição como país-sede não seja concedida. No torneio feminino, apenas as campeãs garantem vaga.

Confira os atletas que devem dar adeus às Olimpíadas em 2016:


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