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Foram testados apenas os níveis de bactérias para determinar se algumas sedes de esportes aquáticos da Rio 2016 são seguras para os atletas. Federações internacionais da vela e do triatlo disseram que vão iniciar investigações próprias

Foto de 1° de junho de 2015 mostra sofá e muito lixo na Baía de Guanabara
AP Photo/Silvia Izquierdo
Foto de 1° de junho de 2015 mostra sofá e muito lixo na Baía de Guanabara

A Organização Mundial de Saúde (OMS) pediu para que o Comitê Olímpico Internacional (COI) passe a monitorar os níveis de vírus nas águas do Rio de Janeiro após um estudo da AP  revelar que a poluição em pontos que servirão de sede para as provas podem colocar a saúde dos atletas em risco.

Membros do comitê olímpico e do governo brasileiro testaram apenas os níveis de bactérias presentes nas águas para determinar se elas são seguras. No entanto, especialistas afirmam que vírus representam um problema muito maior e precisam ser monitorados.

Ao mesmo tempo em que a OMS faz um alerta para o COI, federações internacionais de algumas modalidades anunciaram que vão iniciar seus próprios testes de maneira independente.

"Nós vamos encontrar alguém que possa fazer o teste e nos dizer com segurança o que precisamos saber", diz Peter Sowrey, chefe da Federação Internacional de Vela (Isaf). "Esse é o meu plano", completa.

Sowrey, que se encontra na Malásia para um encontro do COI, tem um interesse pessoal na pesquisa. Sua mulher, Alesandra, é carioca, e o casal tem uma filha de nove anos. "Eu sou pai. Quero ter certeza de que todos que entrem nas águas estejam seguros."

Além da Isaf, a União Internacional de Triatlo (ITU) também deve investigar os níveis de poluição das águas cariocas por conta própria, segundo Shin Otsuka, membro executivo da federação.

"Plano B"

De acordo com Sowrey, o "plano B" caso a Baía de Guanabara não apresente condições ideais para a vela será levar as competições para o mar aberto. O dirigente diz que seria triste perder a oportunidade de ter o Pão de Açúcar como cenário de fundo e a chance de ver o esporte ganhar destaque nas transmissões, uma vez que as provas geralmente são em locais afastados das principais sedes.

"Não vamos sacrificar a saúde dos atletas por causa de boas imagens e uma boa transmissão. Mas o cenário do Rio é incrível e será importante para o esporte da vela", declarou.

Poluição e riscos

O estudo da AP revelou que níveis perigosos de vírus e bactérias foram encontrados na Baía de Guanabara, na lagoa Rodrigo de Freitas e no mar de Copabacana, sedes de modalidades como vela, canoagem, triatlo e maratona aquática. Cerca de 1.400 atletas vão competir nestes locais durante as Olimpíadas de 2016.

* Com agência AP.

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