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Sérvio fecha um ano fantástico, somando 11 títulos e apenas 6 derrotas e avisa que não está nada acomodado: "Ninguém é perfeito. Mas, se busca a perfeição, pode alcançar a excelência"

Djokovic, e uma temporada sublime
Clive Brunskill/Getty Images
Djokovic, e uma temporada sublime

Não havia dúvida nenhuma sobre quem é o melhor tenista da atualidade. Para reforçar essa informação, de todo modo, Novak Djokovic conquistou neste domingo o título do ATP Finals, em Londres, o torneio que reúne os oito atletas mais qualificados da temporada. Na final, para dar um toque especial à conquista, conseguiu mais uma vitória sobre Roger Federer , tido por muitos como o maior da história.

O troféu na capital inglesa só veio para ratificar também uma temporada fantástica do ídolo sérvio, que não hesita em dizer que “foi a melhor de sua carreira”. “Sem dúvida. Foi o melhor ano da minha vida. As coisas foram se encaixando com o tempo, e tenho sido consistente com meus resultados”, afirma.

Sabe quem concorda com isso? Os números. Para tentar entender o quão dominante Djokovic tem sido no circuito mundial da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais), o iG coletou alguns dados em torno do líder absoluto do ranking:

11 troféus
Sim, Djokovic conquistou praticamente um título por ano, chegando a 59 em sua carreira, deixando para trás o romeno Ilie Nastase, para se tornar o décimo tenista mais vencedor da história, aos 28 anos.

“Estou tirando o máximo das minhas habilidades em quadra. Minha equipe realmente tem uma participação muito importante nisso. Eles me ajudam todos os dias para que eu melhore como jogador e pessoa. As pessoas mais próximas na minha vida sabem o quanto eu sacrifico e tento apreciar cada mommento”, afirma o sérvio.

82 vitórias em 88 jogos
Para chegar aos 11 títulos, Djoko foi praticamente um rolo-compressor. Na temporada, ele sofreu apenas seis derrotas em 88 confrontos. O que dá um aproveitamento de 93,1%. Para se ter uma ideia do quão assustadora é essa marca, o competidor que mais se aproximou dele foi o próprio Federer, com 63 vitórias e 11 derrotas (85,1%). Ah, esta é a sexta vez nos últimos oito anos em que ele passa da marca de 70 vitórias num ano.

“Acho que há algumas razões para eu ter chegado ao meu auge neste ponto da minha carreira“, conta. “Acho que, em termos de habilidade física e mental, a experiência me ajudou a atingir esse auge. Claro que passei por alguns períodos de dúvidas, quando não estava obtendo sucesso. Isso serviu como uma lição, como uma forma de me tornar melhor, de evoluir. Ninguém vai ser perfeito. Mas, se você busca a perfeição, pode alcançar a excelência. É essa a minha mentalidade.”

31 vitórias contra os top 10
No caminho rumo a troféu atrás de troféu, o sérvio não tomou conhecimento da elite da modalidade. Suas supostas principais ameaças. Em 36 partidas contra tenistas que estavam entre os dez melhores do mundo, ele venceu 31. É a primeira vez que um atleta acumula ao menos 30 vitórias contra os top 10. Federer ficou em 14-6 no ano, comparando.

Retrospecto igualado com Nadal
Ao atropelar os adversários, Djokovic também passou a dominar o rival que costumava ser seu algoz: Rafael Nadal, que chegou a ter vantagem de 14 a 4 no confronto. Agora estão empatados em 23 a 23 no retrospecto – as 46 partidas entre ambos aliás valem como um recorde na Era Aberta do tênis (desde 1968). Desde o US Open de 2013, o sérvio venceu oito de nove partidas.

“No momento, Novak é quase invencível. O que posso fazer hoje é parabenizá-lo”, concedeu Nadal após a derrota na semi deste ATP Finals, sem economizar nos elogios. “O que ele está fazendo é fantástico. É óbvio que se alguém consegue isso, é ele, mas não é fácil chegar e se manter num nível tão alto por quatro ou cinco anos seguidos. Ele está atacando de forma incrível, sacando também. Sua devolução sempre foi ótima. E ele ainda é capaz de jogar sem cometer erros, mudando de direção com tanta facilidade e jogar por longas sequências. Ele está fazendo tudo muito bem.”

Dominando os principais torneios
Djokovic se tornou apenas o terceiro tenista da Era Aberta a alcançar a decisão dos quatro torneios Grand Slams num mesmo ano, depois de Rod Laver em 1969 e Roger Federer, em 2007 e 2009.  Ganhou o Australian Open, Wimbledon e o US Open, mas teve de amargar o vice-campeonato de Roland Garros, o único que lhe falta. Certamente a derrota para Stanislas Wawrinka na decisão foi a mais dolorida de sua temporada – e é o resultado que impede que, nas suas contas, esta seja considerada uma jornada perfeita.

Nas competições de segundo maior valor para o ranking mundial, Djokovic ganhou seis títulos da série Masters 1.000 no ano, um recorde, em oito finais disputadas. Ao todo, na carreira, são 26 troféus deste porte.

12 ‘pneus’
No linguajar do tênis, é quando um atleta vence um set sem ter cedido um game sequer ao adversário, aplicando o 6-0. Em 2015, Djoko venceu 12 sets “perfeitos” desta maneira.

Premiação: mais de R$ 78 milhões
Tantas vitórias trazem uma recompensa. E estamos falando algo que vai além da satisfação de ser o melhor do mundo naquilo que pratica. Contando apenas a grana que ganhou jogando tênis, sem patrocínios e outras ações, Djokovic faturou aproximadamente US$ 21 milhões em prêmios, ou R$ 78 milhões. Está bom?

Quarto ano no topo
Djoko se tornou apenas o sexto tenista a garantir a liderança do ranking mundial em pelo menos quarto temporadas seguidas, depois de 2011, 2012 e 2014, se igualando a Ivan Lendl e Jimmy Connors. Ele agora tenta alcançar Pete Sampras (seis anos) e Jimmy Connors e Roger Federer (cinco). Dá para dizer que ele entrará em 2016 muito bem posicionado para igualar Connors e Federer, já que...

7.915 pontos de vantagem
Para perder a liderança do ranking no ano que vem, o sérvio vai ter de viver uma temporada basicamente catastrófica. No que ele não acredita, claro. Hoje, ele tem praticamente o dobro de vantagem para o segundo colocado no ranking de entradas, que é o escocês Andy Murray. São 16.585 pontos contra 8.670 de seu amigo de longa data.

174 semanas
Djoko chegou ao topo do ranking pela primeira vez no dia 4 de julho de 2011. Ele retomou a liderança no dia 7 de julho do ano passado e está lá até hoje, acumulando 174 semanas como o número um. Somente Federer, com 302 semanas, Sampras, 286, Lendl, 270, e Connors, 268, ficaram mais tempo no trono desde 1973. John McEnrole já ficou para trás.

Não esperem que ele vá relaxar. “Eu tento não tomar nada como garantido. Tento trabalhar em meu jogo o tempo todo, porque sei que este é o único modo para que eu possa continuar tendo sucesso. É continuar progredindo. O status quo seria uma regressão para mim”, disse.

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