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Para os Jogos de Tóquio-2020, cogita-se a utilização de piscinas de ondas artificiais, coisa comum no Japão

O brasileiro Mineirinho é o último campeão mundial de surfe
Kelly Cestari / WSL
O brasileiro Mineirinho é o último campeão mundial de surfe

O surfe é uma modalidade que depende totalmente da natureza e uma das poucas que não cobra ingresso, pois seus eventos são sempre nas praias. Com o avanço tecnológico, as coisas podem mudar bastante nos próximos anos. A criação de piscinas de ondas eficientes e a utilização de pranchas high tech farão parte desse processo que inclui ainda a inclusão do esporte no programa olímpico.

Para os Jogos de Tóquio, em 2020, cogita-se a utilização de piscinas de ondas artificiais comum no Japão, que seriam construídas em arenas fechadas. O modelo que mais se aproximou da realidade foi lançado recentemente por Kelly Slater, surfista 11 vezes campeão mundial e que passou os últimos dez anos debruçado em seu projeto secreto, a KSWC (Kelly Slater Wave Company). Ele tem levado surfistas da elite no local, que é mantido em sigilo, mas publicações especializadas dão conta de que foi construído no vale central da Califórnia em um antigo canal de esqui aquático.

“Através da ciência e da tecnologia, fomos capazes de projetar e construir o que alguns diziam que era impossível”, comentou Slater.

Sua piscina de ondas utiliza água de poço e propicia a formação de ótimos tubos para surfar. “A piscina do Kelly vem sendo desenvolvida há muito tempo e chegou no momento certo em que o surfe tem ótimas chances de ser incluído nos Jogos Olímpicos”, explica Cesar Villares, sócio da Go4it, agência de marketing esportivo que se tornou parceira da WSL (Liga Mundial de Surfe, da sigla em inglês) para desenvolvimento de novos negócios.

Para ele, a piscina vai permitir um agendamento da programação das transmissões televisivas, o que geralmente é um problema que o surfe enfrenta porque as disputas dependem das condições do mar, que nem sempre estão boas para a competição.

“Assim, o campeonato poderá ter novas experiências ao redor do mundo, fazendo do evento um show de entretenimento para as marcas e público. A piscina trará também uma nova e importante fonte de receita para a modalidade, como a venda de ingressos ao público em geral”, continua.

Todas as etapas do Circuito Mundial de Surfe são exibidas pela internet, gratuitamente, e a WSL tem um aplicativo para que qualquer pessoa possa ver as competições pelo celular. Mas a ideia é ir além da transmissão comum e criar uma atmosfera diferente. Também será possível saber exatamente quando as ondas virão e com isso exibir comerciais entre as séries de ondas, fazendo com que o espectador nunca perca uma ação por causa de propaganda.

“No futuro, a tecnologia vai continuar melhorando a experiência dos fãs. Vamos ter muito mais dados sobre os atletas em competição, como a velocidade na onda, a altura do pulo e a força da manobra. Através da tecnologia, vamos poder gerar dados que auxiliarão na evolução de performance dos atletas, o processo de coleta de informação e, principalmente, podemos pensar em interação ao vivo do público no evento. Estamos muito entusiasmados com as infinitas possibilidades desse campo”, diz Villares.

Campeão mundial de surfe em 2014, Gabriel Medina testou no mês passado um protótipo de uma prancha que permite que seu técnico consiga se comunicar com ele à distância. A ideia surgiu a partir das dificuldades que os profissionais encontram quando não estão competindo. “Quando o Gabriel está praticando, ele fica distante do Charles, que fica na areia. Essa distância impede que os dois se comuniquem durante os treinos, o que influencia na performance do atleta. Criamos esse projeto para resolver esse problema”, revela Marcelo Reis, copresidente e CCO da Leo Burnett Tailor Made.

O projeto vem sendo elaborado há um ano e meio e foi realizado em conjunto com a Samsung, patrocinadora do surfista, que cuidou principalmente da parte tecnológica, com o shaper Johnny Cabianca, que faz as pranchas de Medina desde 2009 e deu o aval técnico do projeto, e com o próprio atleta. Um celular recebe as mensagens por meio de postagens no Twitter com uma hashtag predefinida e transmite, em tempo real, para a tela instalada no equipamento. “A prancha também fornece informações sobre as condições do mar. Ela é usada nos treinos com o intuito de melhorar a performance do atleta e os resultados estão sendo bem satisfatórios”, festeja Loredana Sarcinella, diretora sênior de marketing da Samsung Brasil.

Cabianca conta que precisou aliar modernidade e funcionalidade no design da prancha, lembrando que ela precisava ser sedutora visualmente e agressiva nas manobras. Agora, ele festeja o sucesso da empreitada e já pensa nos próximos desafios. “Minha visão do futuro, tendo em conta este projeto de agora, é que a parte profissional, tão buscada pelo surfista, tende a crescer, fazendo com que seja ainda mais um esporte atrativo às grandes empresas. O grande passo para a comunicação entre o surfista e seu técnico, já está dado e é real.”

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