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Para médico da CBDA, detalhes técnicos inocentam atletas

Concentração, pH e quantidade de furosemida das urinas de Cesar Cielo e companhia são atenuantes

Pedro Taveira, iG São Paulo | 05/07/2011 07:05

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Mais do que a possibilidade de erro da farmácia Anna Terra na manipulação de suplementos alimentares, para Cláudio Cardone, médico da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos), o que inocenta Cesar Cielo e outros três nadadores da acusação de doping por uso de furosemida no último Troféu Maria Lenk são os dados técnicos dos exames. Segundo ele, que fez parte do Painel de Doping da CBDA, que definiu a punição aos atletas, detalhes como concentração e pH das urinas testadas serviram para eximir os competidores de culpa.

Designado pela CBDA para falar sobre o assunto, Cardone explicou ao iG que as urinas de Cielo, Henrique Barbosa, Nicholas Santos e Vinícius Waked apresentavam condições contrárias às esperadas quando há o uso de furosemida. Este diurético consta na lista de substâncias proibidas pela Wada (Agência Mundial Antidoping) por ajudar na redução de peso e mascarar o consumo de anabolizantes.

Foto: Satiro Sodré/Divulgação CBDA

Para o médico da CBDA, a furosemida encontrada na urina de Cielo era numa quantidade muito pequena

“Quando o atleta tenta esconder alguma coisa, usa diuréticos com objetivo de diluir a urina, deixá-la mais aguada. Toda urina encontrada [nos exames] estava muito concentrada, com grandes chances de se encontrar substâncias proibidas e não havia nada”, disse Cardone. “A furosemida não agiu como diluente”.

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Outro fator importante, de acordo com o médico da CBDA, foi o fator pH observado nas urinas. “O pH estava bastante ácido nas quatro amostras. Quando você usa substâncias dopantes, o pH fica básico”, falou Cardone. “A quantidade de furosemida também era muito pequena. Os dados técnicos são muito precisos para isentá-los de culpa”.

A força dos dados técnicos foi o que provocou a advertência aos nadadores, pena leve até na visão de Cardone. “Houve pena. Branda, mas houve. Doping é algo quantitativo. Se encontramos a substância, temos que punir. Para nós, era a pena adequada, pois entendemos que não houve culpa ou negligência”, afirmou o médico.

O caso está agora nas mãos da Fina (Federação Internacional de Natação), que tem 17 dias para anunciar se aceita a punição imposta pela CBDA ou se realizará outro julgamento.

Fora do Mundial

Cesar Cielo e companhia também foram punidos com a perda dos tempos conquistados na última edição do Troféu Maria Lenk. Para Henrique Barbosa e Nicholas Santos, as consequências foram ainda mais graves: os atletas não poderão ir ao Mundial de piscina olímpica, que ocorre a partir do próximo dia 24, em Xangai. A decisão foi tomada pela CBDA nesta segunda-feira.

Henrique conseguiu índice para os 200m peito no Maria Lenk e sua vaga ficará com Tales Cerdeira, atleta do Flamengo. Já Nicholas perdeu o seu lugar no revezamento 4x100m livre para Marco Antônio Macedo, do Serc/São Caetano.

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