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Critério técnico, e não apoio, motivou desistência, diz Cerdeira

Ao iG, nadador que herdaria vaga de Henrique Barbosa nos 200m peito do Mundial de Xangai explicou opção por ir aos Jogos Militares

Pedro Taveira, iG São Paulo | 06/07/2011 13:46

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Membro do P.R.O. 16 (Projeto Rumo ao Ouro em 2016), Tales Cerdeira viu os companheiros Cesar Cielo, Henrique Barbosa, Vinícius Waked e Nicholas Santos serem pegos no exame antidoping. Chamado para substituir Barbosa na prova dos 200m peito no Mundial de Xangai, recusou o convite. Segundo ele, não em apoio aos amigos, mas sim por sua ida aos Jogos Mundiais Militares. “Esta decisão é única e estritamente técnica”, disse, em entrevista exclusiva ao iG.

Não que ele não tenha se solidarizado com os parceiros. Muito pelo contrário. Após escrever o bordão do filme Bad Boys em seu Twitter (“Nós andamos juntos. Nós morremos juntos”), Cerdeira revelou que a notícia do doping por furosemida foi choque. “Senti como se tivesse sido comigo”.

O nadador afirmou que consumo de suplementos alimentares à base de cafeína, apontado por Cielo e companhia como causa dos problemas, é comum entre nadadores. “Te deixa mais alerta, mais ligado antes da prova”, disse Cerdeira, que não tem o habito, mas admitiu já ter usado.

Fora do Mundial, que “veio na hora errada”, Tales, de 23 anos, revela que seu objetivo principal é obter índice para as Olimpíadas de 2012, Londres. Melhor ainda se a vaga vier ainda neste ano, conforme o atleta declarou na entrevista abaixo:

iG: Como você reagiu a esta notícia do doping de seus colegas?
Tales Cerdeira:
Foi um choque! Demorei para acreditar quando soube da notícia, achei que fosse uma pegadinha. Senti muito por eles, com se tivesse sido comigo

iG: No P.R.O. 16, como é feito o controle dos suplementos que vocês tomam? Seus técnicos orientam ou incentivam?
Tales Cerdeira:
Nós temos um médico e uma nutricionista que cuidam disso. Cada atleta tem a sua dieta e sua suplementação especifica. E o Albertinho, nosso tecnico, sempre acompanha tudo bem de perto.

A Fina é um orgão político e acredito que não julga apenas o certo e o errado de acordo com as provas apresentadas.

iG: Você também toma o suplemento que causou este problema a seus colegas?
Tales Cerdeira:
A cafeína é um suplemento tomado normalmente em competições. Ela te deixa mais alerta, mais ligado antes da prova. Normalmente os atletas velocistas é que gostam de fazer uso. Nao é um habito, mas ja usei cafeína durante competição.

iG: A rotina de treino de vocês continuou normal após este caso? Eles ficaram abalados com a situação?
Tales Cerdeira:
Todos ficamos muito abalados, nosso primeiro treino após a noticia foi bastante complicado. Mas aos poucos nossa rotina esta voltando ao normal.

iG: Considera justa a advertência aplicada a eles ?
Tales Cerdeira:
Sim. Acredito que, se o painel especializado definiu essa punição, foi porque conseguimos provas suficientes para provar a não intenção e não negligência.

iG: Acredita que a advertência poderá se manter no julgamento da Fina e, possivelmente, da Wada?
Tales Cerdeira:
É complicado responder esta questão, porque no julgamento da Fina muitas coisas são levadas em consideração. A Fina é um orgão político e acredito que não julga apenas o certo e o errado de acordo com as provas apresentadas.

iG: O diretor técnico da CBDA, Ricardo de Moura, disse que você não vai ao Mundial. Você confirma essa desistência?
Tales Cerdeira:
Está confirmado sim.

Valeria qualquer esforço! Com certeza foi muito difícil tomar esta decisão. O Mundial de Xangai, infelizmente, veio na hora errada.

iG: Por quê? Apenas por sua programação já estar voltada para os Jogos Militares ou também por apoio a seus colegas que não poderão ir?
Tales Cerdeira:
Esta decisão é única e estritamente técnica. Desde o Maria Lenk eu tenho um planejamento que envolve os Jogos Militares e a Universíade. O Mundial de Xangai chegou de surpresa, muito em cima da hora. O meu compromisso com o Exército não me permitiria viajar com a seleçao brasileira para Macau para fazer aclimatação e eu chegaria muito perto da compeitção. Ir para China, que são 30 horas de viagem, para competir apenas dois dias depois com fuso horario de 12 horas seria realmente muito complicado e a probabilidade de um resultado abaixo das minhas condições seria muito grande.

iG: Por ser a competição mais importante do ano, não valeria um esforço extra para ir ao Mundial depois dos Jogos Militares?
Tales Cerdeira:
Valeria qualquer esforço! Com certeza foi muito difícil tomar esta decisão. Conversei bastante com meu técnico e chegamos à conclusão de que não valeria a pena estar no Mundial somente para participar. Nossos objetivos são grandes, as Olimpíadas estão chegando, e o foco é conquistar esse índice. A Universíade vale índice para os Jogos Olímpicos e, por esse motivo, o Mundial de Xangai, infelizmente, veio na hora errada.

iG: Passados os Jogos, qual sua próxima meta? O Pan? Já sonha com as Olimpíadas de 2012?
Tales Cerdeira:
Ainda nao sei nada a respeito do Panamericano. As Olimpíadas são uma realidade, elas ja chegaram, estão aí! O objetivo é trabalhar duro para conquistar os índices ainda neste ano.

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