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Nova modalidade de saltos no Mundial de Esportes Aquáticos espera em entrar no programa das modalidades olímpicas

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Gary Hunt, um dos mais antigos saltadores de grandes alturas, no Mundial de Kazan
Denis Tyrin/AP
Gary Hunt, um dos mais antigos saltadores de grandes alturas, no Mundial de Kazan

Ao invés de usar uma plataforma sobre uma piscina, os praticantes do high diving saltam ao ar livre e de uma plataforma de 27 metros. Esse é um esporte novo e que agora faz parte do Mundial de esportes aquáticos depois de se desenvolveu a partir de saltos de penhascos. Em Kazan, com prédios do centro da cidade ao fundo, os saltadores dão suas cambalhotas no ar e caem tão rapidamente que a água pode provocar ferimentos graves se o pouso der errado.

Diferente dos saltos ornamentais em piscina, com plataformas de no máximo 10 metros, o high diving permite apenas que os saltadores caiam de pé na água, normalmente um lago ou uma represa profunda. A popularidade da modalidade está crescendo e próximo desafio é concorrer a um lugar nos Jogos Olímpicos. Antes apenas uma modalidade à parte, agora os rebeldes estão se tornando parte do negócio. Ainda assim, eles dizem que não vão perder a sua identidade.

"Somos definitivamente os saltadores que não querem só brincar", diz o britânico Gary Hunt, que começou a saltar nas padronizadas piscinas antes de se tornar um dos maiores nomes do high diving. "Se você apenas ouvir o que seu treinador lhe diz para fazer, você nunca vai aprender as suas reais habilidades para se tornar um mergulhador de penhasco ou um mergulhador de high diving se não se arriscar".

Hunt é o favorito para ganhar a medalha de ouro na quarta-feira na segunda aparição do high diving nos campeonatos mundiais de esportes aquáticos. Em Kazan, o esporte divide as atenções com a natação e os saltos ornamentais tradicionais.

Nas primeiras três provas disputadas na segunda-feira, Hunt conseguiu uma sólida liderança com 381,10 pontos. Outras duas rodadas serão disputadas na quarta-feira. Ele tem 22,70 à frente do segundo lugar, o americano David Colturi. O terceiro é Jonathan Paredes, do México, com 350,40.


Nos últimos anos o COI (Comitê Olímpico Internacional) abraçou uma enxurrada de esportes radicais ao programa olímpico, como o ciclismo BMX. O surfe pode entrar no cardápio dos Jogos de 2020, em Tóquio. Neste cenário, os mergulhadores de high diving também esperam ver a modalidade nos Jogos. 

"Há um enorme potencial para o high diving porque temos muito espaço ao ar livre para praticar", diz Hunt. "Nós só começamos a ter grandes eventos nos últimos anos, mas a cada um deles você vê mais e mais mergulhadores. Sem falar que nós ainda nem sequer chegamos perto dos limites", disse Hunt.

O high diving está fora do programa para os Jogos do Rio em 2016, mas estar nos jogos de 2020 em Tóquio é objetivo dos praticantes. Porém, num momento em que o COI promove cada vez mais a igualdade de gênero, um desafio para o high diving é atrair mais mulheres para o esporte. Em Kazan há 20 concorrentes entre os homens, mas apenas 10 entre as mulheres. No Mundial de Barcelona, em 2013, havia 13 homens e apenas seis mulheres.

Alessandro de Rose, da Itália, também saltou os temidos 27m no Mundial de High Diving
Denis Tyrin/AP
Alessandro de Rose, da Itália, também saltou os temidos 27m no Mundial de High Diving

"Estávamos esperando estar no Rio no próximo ano. Até por isso temos que continuar a apoiar mais as mulheres a entrarem para o esporte", diz Colturi. "Precisamos de mais meninas de mais países. Por isso espero que isso aconteça nos próximos anos para podermos estar nas Olimpíadas de Tóquio", completou.

Comercialmente, o high diving se desenvolveu independente da federação internacional de esportes aquáticos. Ao invés da Fina, a supervisão dessa modalidade de mergulho é feita pela a empresa de bebidas energéticas Red Bull, que organiza a "Cliff Diving World Series", torneio que deu novo patamar para o high diving por promover o campeonato em locais naturais, normalmente espetaculares. Esse torneio ainda permitiu que alguns mergulhadores se tornassem profissionais, deixando empregos secundários. Alguns eram atrações em espetáculos circenses ou como dublês.

"Hoje somos um pequeno grupo de mergulhadores e até por isso vemos uns aos outros o tempo todo", diz Hunt, que se mudou para Paris para treinar. "Eu vejo a maioria desses caras mais vezes do que a minha namorada. Somos todos bons amigos". Saltar voluntariamente de uma plataforma tão alta é para poucos. 

O ucraniano Anatoly Shabotenko, em 12º após as três primeiras rodadas, diz que seus pais ainda estão em choque por causa da carreira que escolheu - especialmente sua mãe. "Eu não disse para ela que o campeonato ia começar para que ela não se estressasse, mas alguém ligou para ela dizendo que para colocar na TV. Ela viu a altura e depois me ligou: '"Você ficou louco que você está fazendo?' Não é à toa que os mergulhadores se consideram "rebeldes".

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