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Nadadora pernambucana ainda estranha a rotina na capital paulista, mas se anima após o quarto lugar nos 50 m costa no Mundial de Barcelona

Etiene Medeiros ficou em quarto lugar nos 50 m borboleta no Mundial de Barcelona
Divulgação/CBDA
Etiene Medeiros ficou em quarto lugar nos 50 m borboleta no Mundial de Barcelona

O frio e o trânsito caótico ainda assustam, mas aos poucos a pernambucana Etiene Medeiros vai se adaptando à rotina de São Paulo. Contratada este ano pelo Sesi, após o fechamento da equipe olímpica do Flamengo, a nadadora de 22 anos, formada em gastronomia, tem usado as horas de folga dos treinos para curtir a diversificada gastronomia da cidade. “É tanta coisa boa que eu nem sei aonde ir às vezes”, confessa. Mas se bate uma dúvida na hora de escolher um restaurante na hora do jantar, Etiene tem a convicção de que voltou do Mundial de esportes aquáticos de Barcelona muito melhor do que foi.

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Ao terminar em quarto lugar na prova dos 50 m costa (prova não olímpica), ela cravou o melhor resultado na história da natação feminina brasileira. Até então, as melhores colocações obtidas pelas meninas brasileiras em competições de primeiro escalão da natação mundial foram dois quintos lugares, com Gabriella Silva nos 100 m borboleta, no Mundial de Roma, em 2009, e Joanna Maranhão nos 400 m medley, nas Olimpíadas de Atenas, em 2004.

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“Foi um resultado muito expressivo, especialmente por se tratar de uma prova de velocidade. Serviu para mostrar também que a natação feminina brasileira passa por um momento de transformação, pois chegamos também a três semifinais. Para mim em especial, mesmo sendo meu terceiro Mundial, serviu como uma mudança de rumo”, afirmou.

A comemoração de Etiene Medeiros a respeito desta “nova fase” da natação feminina tem a ver especialmente com a nova configuração das equipes masculina e feminina da seleção brasileira. Desde o início deste ano, a CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) alterou o comando técnico das duas equipes, sendo que Alberto Silva, o Albertinho, cuida da equipe masculina, cabendo a Fernando Vanzella a coordenação da equipe feminina.

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“Estamos vivendo o primeiro ano desta mudança e ainda as coisas estão se adaptando. O fato de terem dividido o trabalho foi excelente. A abordagem de um treinador dos homens é completamente diferente com as meninas. E o Vanzella tem um coração enorme, entende perfeitamente como lidar com as nadadoras. Ele tem uma alma feminina, eu acho”, brinca a nadadora.

O resultado destas mudanças foram refletidos dentro d’água, na opinião de Fernando Vanzella. “Tenho certeza que a Etiene terá muito mais confiança para disputar uma medalha no Mundial de 2015, a partir do excelente resultado em Barcelona”, explicou o coordenador da seleção feminina. Nos 50 m borboleta, a brasileira viu a medalha de bronze escapar por apenas 30 centésimos [fez 27s83 contra 27s53 da japonesa Aya Terakawa, terceira colocada].

“E ela estava absolutamente tranqüila no dia da final. Os óculos dela quebraram e não tinha reserva na mochila. Saí correndo atrás de outro e peguei um do Thiago Pereira. Mas quando cheguei na sala de balizamento, ela já tinha arranjado um outro emprestado. Se bobeasse, nadaria até sem os óculos”, disse Vanzella.

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