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Medalhistas e fornecedores do principal torneio de judô realizado no Brasil não receberam pagamento da Confederação

Victor Penalber venceu o Grand Slam ao superar Travis Stevens, algoz de L. Guilheiro em Londres
Márcio Rodrigues/Fotocom/CBJ
Victor Penalber venceu o Grand Slam ao superar Travis Stevens, algoz de L. Guilheiro em Londres

Depois de cravar sua melhor campanha na história das Olimpíadas com quatro medalhas, o judô brasileiro vive dias de polêmica nos bastidores. Segundo apurou a reportagem do iG , os medalhistas do Grand Slam do Rio de Janeiro – principal competição do circuito mundial realizada no país – ainda não receberam o pagamento referente à premiação do torneio. O evento organizado pela CBJ (Confederação Brasileira de Judô) foi realizado no ginásio Caio Martins há quase três meses.

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Na verdade, o problema é ainda maior, pois nem mesmo os fornecedores do campeonato foram pagos. A justificativa dada é que o Governo do Estado do Rio de Janeiro – um dos patrocinadores do Grand Slam - não efetuou o pagamento à Confederação e, por isso, o dinheiro não foi repassado.

“Não conseguimos pagar uma série de fornecedores e nem os atletas, é verdade, mas não é como se não fôssemos pagar. Isso nunca tinha acontecido em outros eventos, mas vamos honrar os compromissos”, afirmou o diretor financeiro do Grand Slam, Ualber Soares Dias, sem especificar qualquer previsão para realizar os pagamentos.

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Assim como no tênis, o Grand Slam de judô tem quatro edições anuais e acontece em cidades-sede fixas: Tóquio, Paris, Rio de Janeiro e Moscou. Além da pontuação no ranking olímpico, o evento tem uma considerável premiação de incentivo aos vencedores e conta com a presença dos principais atletas da modalidade.

US$ 154 mil em premiações foram estampados até nos cartazes de divulgação do Grand Slam
CBJ/Divulgação
US$ 154 mil em premiações foram estampados até nos cartazes de divulgação do Grand Slam

O vencedor do torneio teria direito a US$ 5 mil (pouco mais de R$ 10 mil), enquanto o segundo lugar ganharia US$ 3 mil (R$ 6 mil) e os terceiros colocados receberiam US$ 1500 (R$ 3 mil). Ao todo, a Confederação prometeu repassar US$ 154 mil em premiações divididos para todos que subissem no pódio, assim como divulgou abertamente até mesmo em cartazes de promoção do torneio.

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A reportagem do iG conversou com quatro medalhistas, que mostraram grande descontentamento, mas preferiram não se identificar. De acordo com os judocas, alguns atletas de fora do Brasil até receberam os valores, mas a maioria ainda aguarda pela premiação.

“É complicado, pois nem todos têm patrocínio e precisam da verba para os treinamentos. Primeiro, a CBJ prometeu que o pagamento sairia em uma semana. Depois mudou para 15 dias e depois falou que seria só depois das Olimpíadas. Agora, eles dizem que não há mais previsão. Estamos decepcionados”, lamentou um dos atletas.

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Ao contrário do que aconteceu no Rio de Janeiro, as organizações dos outros Grand Slams de judô realizam o pagamento no próprio dia da competição. “Sabemos que os outros países pagam em dólares no mesmo dia para não ter nenhuma confusão. Só aqui que não foi assim”, alertou outro judoca que subiu no pódio do evento.

Medalhistas do Grand Slam do Rio ainda aguardam pela premiação do evento
Marcio Rodrigues/Fotocom.Net/Divulgação
Medalhistas do Grand Slam do Rio ainda aguardam pela premiação do evento