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Mundial de Enduro Equestre, que será realizado nesta madrugada, conta com seis conjuntos brasileiros em busca de marcas expressivas

A amazona brasileira Mônica Graziano
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A amazona brasileira Mônica Graziano

Os Jogos de Londres já estão no passado, e as Paralimpíadas só começam no próximo dia 29, mas a Inglaterra pode voltar a ser palco de marcas expressivas conquistadas por brasileiros já neste fim de semana.

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Logo mais, às 3h da madrugada de sábado, começa a ser disputado no Euston Park, em Suffolk (leste da Inglaterra), o Campeonato Mundial de Enduro Equestre. Prova que une resistência e velocidade a muita estratégia, o enduro equestre dura cerca de 12 horas, durante as quais os conjuntos (cavaleiros e cavalo) percorrem 160 km.

O Brasil está representado no Euston Park por seis conjuntos e, embora tenha pouca chances de garantir medalha, espera se firmar ainda mais como força emergente no esporte. "Os conjuntos do Oriente Médio, da França e da Espanha devem dominar as primeiras colocações, mas o Brasil está com uma equipe muito boa", diz o veterinário Henrique Garcia, que é treinador de quatro dos seis cavalos brasileiros na disputa. "Nossa meta é ficar entre os cinco melhores na competição por equipes, talvez até garantir um bronze. Já no individual, chegar pelo menos entre os 10 melhores."

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Explica-se: dos seis conjuntos, quatro são escolhidos para a disputa por equipes. Os outros dois, para a disputa individual. Todos os competidores largam juntos, como em uma maratona, e vence quem faz o melhor tempo.

A amazona Mônica Graziano, de 21 anos, é um dos destaques da equipe brasileira. Montando o árabe Herdeiro Rach, ela tenta fechar os 160 km em uma posição expressiva na competição individual. "O cavalo da Mônica é muito rápido e forte, esperamos chegar à parte final da prova entre os 10 primeiros. A partir daí, são detalhes que vão determinar a ordem de chegada", explica Henrique Garcia, com a experiência de quem já disputou 11 Mundiais.

Cuidados veterinários
Para concluir os 160 km do enduro equestre, o cavaleiro ou amazona deve conduzir a montaria com inteligência. Os cuidados com a saúde dos animais são parte do regulamento da competição. O percurso é dividido em trechos (anéis), ao final dos quais é realizado um "vet-check"(checagem veterinária). Neste momento, o cavalo é examinado antes e depois do descanso. Se o animal não voltar à frequência cardíaca normal ou apresentar dor, o conjunto é desqualificado.

Por isso, o cavalo que mais se adapta ao enduro é o puro sangue árabe ou o anglo-árabe (mistura com o puro sangue inglês). Tal raça é conhecida pela velocidade aliada à resistência. "Na nossa equipe, são quatro árabes e dois anglo-árabes", conta Garcia.

Pouco apoio
Embora seja uma modalidade oficial, ou seja, reconhecida e organizada pela Federação Equestre Internacional, o enduro conta com pouco apoio por parte da Confederação Brasileira de Hipismo. Segundo os praticantes, isso ocorre por não se tratar de uma modalidade olímpica.

A CBH ajuda um pouco mais o enduro nos Jogos Equestres Mundiais, que ocorrem a cada dois anos. Porém, para o Mundial específico da nossa modalidade a ajuda é mínima. "Quem está aqui precisou correr atrás de apoio pessoal", diz o veterinário e treinador, lamentando o fato de já ter visto conjuntos brasileiros desistindo de importantes competições internacionais por falta de recursos.

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A CBH, embore não ajude financeiramente, é responsável pelo comando da equipe brasileira no Mundial da Inglaterra. A entidade contratou um técnico estrangeiro, o francês Jean Louis Leclerc. "É uma iniciativa importante e válida, já que a França é um dos principais centros do esporte", analisa Garcia.

Esta é a 13ª edição do Mundial de Enduro Equestre, que costuma ser realizado a cada dois anos. O Brasil tem marcado presença desde 1994 e tem como melhor participação o quarto lugar por equipes, conquistado em 1996, nos EUA.