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Dinamarquês 'baiano' dirige o Brasil no Mundial de handebol

No comando da seleção feminina desde 2009, Morten Soubak já incorporou o "jeitinho brasileiro" e conquistou as atletas

Marcelo Laguna, iG São Paulo | 30/11/2011 07:15

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Foto: Divulgação Ampliar

A pivô Dara, da seleção brasileira, domina a bola na pelada que a equipe faz antes dos treinos

Para os desavisados que chegam a um treino da seleção brasileira feminina de handebol, a cena parece surreal. Logo no começo do trabalho, quem espera ver as jogadoras fazendo algum trabalho físico ou tático, dão de cara com uma animada pelada. Com direito a comemorações efusivas na hora em que sai um gol e provocações ao “árbitro” da partida. Para completar o cenário improvável, quem apita a pelada é ninguém menos que o técnico dinamarquês Morten Soubak, que a tudo assiste com uma expressão tranqüila, às vezes deixando escapar alguns sorrisos, diante de uma jogada menos habilidosa de suas atletas.

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Por mais que pareça estranho, o nórdico Soubak, de 47 anos, já assimilou o jeito mais despojado dos brasileiros, a ponto de ser apelidado pelas jogadoras da seleção de “dinamarquês baiano”. Sem deixar, é claro, de abrir mão de um estilo exigente e bastante meticuloso de trabalho na seleção feminina, iniciado em 2009. Esta mistura vem até agora trazendo bons resultados – o principal deles foi a conquista da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara e a conquista da vaga olímpica para as Olimpíadas de Londres 2012.

“Existe uma troca muito grande entre todos nós. Ele aprende muito com o nosso jeito, a nossa cultura, enquanto que as jogadoras conseguem aproveitar ao máximo o que ele tem para nos passar, especialmente por ter origem em uma das escolas mais importantes do handebol mundial”, explica a central Tayra, que começou a trabalhar com Soubak apenas no ano passado.

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Mas mesmo com este pouco tempo de convivência ela já pôde notar que o dinamarquês não demonstra um comportamento mais frio e distante, como a própria pelada de aquecimento antes dos treinos demonstra. “Falamos que ele já é ‘brasileiro’. No começo, era mais fechado, mas depois foi se soltando. No nosso futebol, brincamos bastante com ele”, conta a jogadora.

Na verdade, comandar a seleção brasileira não é a primeira experiência de Morten Soubak no handebol brasileiro. Em 2005, ele foi contratado para dirigir a equipe masculina do Pinheiros, por onde atuou quatro anos, tendo conquistado títulos importantes no handebol do país, como Campeonato Paulista, Liga Nacional, Copa do Brasil e Jogos Abertos do Interior. Em 2009, aceitou o convite para substituir o espanhol Juan Oliver. Por conta desta experiência anterior, o choque cultural entre o antes mais sisudo Soubak e as jogadoras brasileiras não foi tão forte assim.

Foto: Divulgação

Morten Soubak já trabalha no Brasil desde 2005, quando comandou o time masculino do Pinheiros

“Como eu já tinha trabalhado com ele, nem estranhei muito. Conheço bem o estilo do Morten, que nos dá muita liberdade para expressarmos nossa opinião, mas sabe exigir o máximo de todas nós. Agora, o que ele estranhou muito foi como a gente fala o tempo inteiro”, brinca a experiente goleira Chana Masson, de 32 anos, tricampeã pan-americana e que foi dirigida por Soubak no FCK Kobenhavnm, da Dinamarca, em 2004.

Além de já estar bem adaptado à cultura e hábitos brasileiros, Soubak vem tendo, para as jogadoras da seleção brasileira, uma participação importante na evolução do handebol feminino do país. “Já fui comandada por russo, húngaro e austríaco. Posso garantir que o papel mais importante do trabalho dele é que com ele nós não perdemos nossa identidade, nossa forma de jogar. Não precisamos copiar ninguém”, explica a pivô Dani Piedade, de 32 anos, que atua no Hypo, da Áustria.

Mas o que o “dinamarquês baiano” diz a respeito de tudo isso? “Eu já virei brasileiro”, concorda Soubak, em um português quase fluente, lembrando que pior do que o choque cultural, foi mesmo a diferença na forma com que o handebol é encarado no Brasil e na sua Dinamarca. “Aqui ainda é amador, com algumas equipes vivendo um regime semi-profissional. Lá existe um profissionalismo total, com uma cobertura intensa da mídia, além de um trabalho forte de revelação de talentos. Quem sabe este Mundial ajude a mudar um pouco esta situação no Brasil”, diz Soubak.
 

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