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Capitã Dara fala em base pronta até 2020 e incentiva ida de atletas para Europa; Alexandra alerta contra 'oba oba'

Passado o inédito título mundial, a seleção brasileira feminina de handebol já tem seu próximo objetivo definido: uma medalha nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Até lá, a atual base tem condições de dar conta. O maior desafio, na opinião das atletas, está depois disso.

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“Espero que não seja o fim (Rio 2016). Espero que seja o início. Que a gente contribua, eu a Alexandra e a Dani, que somos as mais experientes. A gente está com um grupo novo, que com certeza vai chegar em 2020. Na minha cabeça, estamos em uma passagem e estamos conseguindo passar essa faixa muito bem. Falei para as novinhas que isso que a gente conseguiu coloca muito mais responsabilidade nelas”, disse a capitã Dara.

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Citada por Dara como uma das experientes, Alexandra Nascimento não tem uma visão tão otimista quanto a da colega. Na opinião da artilheira do Brasil no Mundial com 54 gols, o handebol precisa de muito investimento para se tornar potência após 2016.

“Tem muitas atletas jogando lá fora. A gente está aprendendo mais ou menos como é o caminho. O que a gente espera a partir dessa medalha que conseguimos é que se traga mais patrocínio. Falta apoio. Nós recebemos agora um apoio muito importante do Banco do Brasil e dos Correios. Porque poderia também vir depois que ganhou a medalha, mas graças a Deus esse apoio chegou antes. Então a gente espera que outros patrocinadores possam olhar o handebol com esse carinho e que não fique só no agora, nesse oba oba que está tudo bonito e depois caia no esquecimento. Tem muita pedrinha aí que só falta ser polida, tem muito ouro nesse esporte”, falou Nascimento.

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Questionada se para os Jogos do Rio a seleção está tranquila e que o problema de gerações era justamente para depois, a atleta concordou: “Exatamente. A Federação precisa continuar esse trabalho, mas precisa de apoio”, disse.

Dara falou ainda que concorda com o êxodo de jogadoras para a Europa. De acordo com a capitã, é lá que se ganha experiência para jogar handebol em alto nível.

“Esse investimento (na base) é necessário para subir, sim, mas eu não tiro a ideia de as jogadoras, principalmente as mais novas, estarem jogando na Europa. Porque é uma experiência muito boa, importante para elas como pessoas e como jogadoras. De repente seria o momento de fazer uma troca: nós que já estamos lá e adquirimos experiência voltamos e as novinhas vão para aprender, quebrar um pouco a cara, que é importante. Na hora do jogo, nos momentos decisivos, essa experiência é importante”, contou Dara.

Já a goleira Babi, em discurso semelhante ao de Alexandra, afirmou que há bons times no País, mas é necessário incentivo: “Tem muitas equipes no Brasil. o que nao existe é dinheiro pra seguir adiante”, explicou a goleira.

Campeão mundial pela primeira vez, a seleção brasileira ficou na sexta colocação na última edição dos Jogos Olímpicos, em Londres.