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Atletas dizem que ainda não "caiu a ficha" por conquista inédita e pedem mais atenção de patrocinadores

As jogadoras Deborah e Dani Piedade beijam o troféu de campeão mundial após o desembarque da seleção feminina
SERGIO BARZAGHI / Gazeta Press
As jogadoras Deborah e Dani Piedade beijam o troféu de campeão mundial após o desembarque da seleção feminina

A seleção feminina de handebol desembarcou na manhã desta terça-feira no Brasil após conquistar o título inédito do Campeonato Mundial. A recepção foi com muita festa de torcedores e familiares, que lotaram o saguão do aeroporto internacional de Guarulhos. Já por parte das atletas, além da alegria e a demora para “cair a ficha”, teve espaço para a cobrança de mais apoio ao esporte.

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"A ficha ainda não caiu. A gente está meio que assustada, emocionada com tudo que está aocntecendo. A gente conseguiu uma coisa extraordinária. A gente botou na cabeça que tinham 20 mil torcedores contra, mas que tinha uma nação inteira apoiando", disse a capitã Dara.

“É muito bom voltar para casa com uma medalha dessas depois de tantos anos de luta. A equipe está super satisfeita, a gente praticamente não conseguiu dormir. O objetivo era sempre de ser medalhista, mas a gente nunca pensou em chegar na medalha de ouro. A gente lutou para isso e está aqui. O resultado está aqui”, afirmou Duda, eleita a melhor jogadora do Mundial.

Marcelo Laguna: Após a festa, o handebol precisa olhar o futuro

“Acho que a gente vai começar a ter um pouco mais de investimento. Tendo a gente como investimento, mostra que é um esporte que também pode dar certo. As meninas que começam na escola não vão parar no meio do caminho porque tem um exemplo que já deu certo. Isso já começou faz tempo, não tem problema”, prosseguiu a atleta.

Já a goleira Babi, escolhida a melhor de sua posição, exaltou o fato de o título ter sido ganho contra a Sérvia, anfitriã do campeonato, em um ginásio lotado.

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“Vencer na frente de 23 mil pessoas é ainda mais gostoso, porque a gente conseguiu fazer nosso trabalho com os pés no chão. Meu título individual fica pequeno perto da alegria do título da equipe. Porque não tem nada que pague. Espero que seja uma porta se abrindo e que as coisas melhorem muito para o handebol do Brasil”, falou a goleira, que também pediu mais atenção ao handebol por parte de investidores.

“O que gente quer não é nada individual. A gente quer que o esporte se desenvolva e que a gente possa ter espaço e quem sonha em viver de handebol possa realizar esse sonho. Temos muitas equipes no brasil. O que não existe é dinheiro pra seguir adiante”, disse Babi.

Veja imagens da chegada da seleção feminina de handebol


Opinião semelhante teve Dani Piedade. Para ela, o resultado poderia ter vindo antes se os patrocinadores tivesse acreditado no esporte mais cedo.

“Todo mundo fala país do futebol, país do handebol... Cada um tem seu espaço. O handebol está começando a conquistar o seu. Acho que incentivo, patrocínio. A gente tem patrocinadores que incentivam nosso esporte. Se tivesse vindo antes, seria algo que teria auxiliado”, afirmou Dani.

"Esse ano a gente conseguiu muito apoio. Nossos patrocinadores investiram na gente e é complicado, porque muitas vezes as pessoas querem o resultado para depois investir. Esse ano a gente conseguiu algo diferente. É isso, é as pessoas acreditarem", concordou Dara.

O Brasil foi campeão mundial de handebol feminino pela primeira vez na história. Até então, a melhor participação havia sido o quinto lugar no torneio jogado em casa há dois anos.

Na campanha invicta, o time bateu Argélia, China, Sérvia, Japão e Dinamarca na primeira fase. Nas oitavas de final, ganhou da Holanda. Nas quartas, superou a Hungria. Dinamarquesas e sérvias voltaram a ser derrotadas na semifinal e na decisão, respectivamente.

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