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Vídeo pretende mostrar “lado humano” de Adhemar Ferreira da Silva

Com lançamento previsto para 2014, documentário produzido por neto busca retratar trajetória de bicampeão olímpico

Pedro Taveira, iG São Paulo | 03/03/2011 08:00

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Depoimentos sobre Adhemar Ferreira da Silva

A trajetória de um dos maiores esportistas brasileiros terá, enfim, sua justa homenagem. Com lançamento previsto para 2014, dois anos antes dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, um documentário irá mostrar detalhes desconhecidos da vida de Adhemar Ferreira da Silva. Morto há 10 anos, ele é até hoje o único atleta do país com duas medalhas de ouro em Olimpíadas consecutivas (no salto triplo em Helsinque-1952 e Melbourne-1956).

A iniciativa é de Diego Menasse, neto de Adhemar. De acordo com ele, o foco do filme será retratar o “lado humano” de seu avô. “O lado esportista todos conhecem”, diz. “Quero mostrar o homem cujo pai e mãe eram pessoas muito humildes, que poderia ter seguido outro caminho, mas o fato dele achar a palavra atleta bonita o levou para as pistas. Foi um talento descoberto sem querer”.

“Vamos falar que depois da vida de atleta ele fez faculdade e estava sempre atrás de conhecimento, que teve dificuldades em Roma-1960 por causa da diabetes e isso não o derrubou, mas o deixou mais forte. E mostrar os projetos sociais que ele fez nas décadas de 70, 80 e 90. Quero que sirva de exemplo para as próximas gerações”, prossegue Menasse, que pretende colocar a voz do próprio Adhemar na narrativa do filme. “A ideia é utilizar gravações de áudio que ele fez em entrevista para uma biografia e deixar que conte a própria história”.

Formado em Rádio e TV, Menasse trabalha com as colaborações de Thiago Jacintho, Ricardo Escobar e Jailson Vieira, ex-colegas de faculdade. Desde 2007, os quatro vêm contando com a ajuda da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) para colher arquivos sobre a carreira de Adhemar e entrevistar personalidades que fizeram parte da vida do campeão. A produção ficará a encargo da jornalista Deborah Dornellas.

“Colhi 15 horas de gravação, mas é pouco para um filme de uma hora e meia. Gravei tudo nas folgas do trabalho. A CBAt me ajudou muito na parte de passagens, estadias em locais de prova e contato de atletas”, afirma Menasse, que corre atrás de parceiros para a produção do documentário. “Estamos tentando incluir na Lei do Audiovisual para conseguir captar recursos. Qualquer dinheiro que a gente conseguiu foi para bancar fitas e passagens”.

Foto: Arquivo pessoal Ampliar

São Paulo foi o primeiro clube defendido por Adhemar Ferreira da Silva no salto triplo

João Havelange, ex-presidente da CBD (Confederação Brasileira de Desporto), Tetsuo Okamoto, nadador medalhista de bronze nos Jogos de 1952, Wanda dos Santos, medalha de bronze nos Pan-Americanos de 1951, 1955 e 1963 e prata em 1959, Roberto Gesta de Mello, presidente da CBAt, e Nelson Prudêncio, medalhista de prata no salto triplo nas Olimpíadas de 1968 e bronze em 1972, além de ser o atual vice-presidente da CBAt, serão alguns dos participantes. Todos já foram entrevistados.

Faltou apenas o depoimento de Maria Lenk, primeira nadadora sul-americana a ir às Olimpíadas, que morreu em 2007. “Foi a maior perda que eu tive. Falei com ela por telefone, agendei de conversar em uma tal data e, perto dessa tal data, ela faleceu”, lamenta Menasse, que teve mais sorte com Okamoto, morto no mesmo ano. “Foi o melhor depoimento que colhi. Ele e meu avô eram muito próximos. Conversei com ele exatos dois meses antes dele falecer”.

Em uma das melhores passagens do documentário, Okamoto fala de como foi o dia 23 de julho de 1952, quando Adhemar quebrou seu próprio recorde quatro vezes e, mesmo sem a presença de seu técnico Dietrich Gerner, sagrou-se campeão olímpico.

“Tetsuo contou que quando ele foi pra Londres-48, ele ficou em 14º, não foi muito bem... Quando foi em 1952 para Helsinque, a imprensa caiu matando em cima dele dizendo que estava indo fazer turismo, que ‘o Adhemar gosta de beber, farrear, dançar’. E ele conseguiu calar a imprensa do jeito mais elegante que ele podia”, fala Menasse. “Na véspera da prova, ele ficou tocando violão e animando a Vila Olímpica, foi dançar com o pessoal, se entrosou conheceu a Vila inteira, não só brasileiros”.

Foto: Arquivo pessoal

Diego Menasse, que produz documentário sobre Adhemar Ferreira da Silva, posa com quadro de avô

Ainda sem nome definido, o documentário sobre a vida de Adhemar Ferreira da Silva deverá ter um corte para cinema e um para televisão. De acordo com Menasse, a ideia de lançá-lo somente em 2014 tem como objetivo aproveitar o clima pré-Olimpíadas pelo qual o Brasil estará passando. “Espero que ajude na divulgação”.

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