Mais Esportes

enhanced by Google
 

Americano sobreviveu a ataque no Iraque, mas não aos 800m rasos

Golden Coachman terminou a prova em penúltimo no Engenhão e foi eliminado, mas, no norte de Bagdá, escapou ileso de emboscada

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro | 21/07/2011 15:27

Texto:
enviar por e-mail
* campos são obrigatórios
corrigir
* campos obrigatórios

Golden Coachman teve uma atuação decepcionante na segunda bateria da semifinal dos 800m rasos dos Jogos Mundiais Militares, na quarta-feira, no Engenhão. Começou bem a prova e manteve por muitos metros a segunda colocação, mas perdeu velocidade no final e acabou em penúltimo, sem classificação para a final. Nitidamente inconformado com seu desempenho, tentou mostrar resignação: "Talvez não seja o meu ano”, comentou. Porém, ele tem motivos maiores para comemorar. Na corrida pela vida, ele saiu vencedor.

O sargento de 27 anos vive em Colorado Springs, é sargento do Exército e começou a praticar o atletismo na adolescência. Resolveu entrar para as Forças Armadas, onde está há oito anos, após o primeiro ano de faculdade e participa pela segunda vez da competição, que acontece até domingo, no Rio. Em 2004 e 2005, ele esteve na guerra do Iraque, onde, literalmente, teve de correr pela sobrevivência. A sua unidade sofreu uma emboscada ao norte de Bagdá. Segundo Coachman, houve mortes, mas o comboio conseguiu escapar.

Foto: Vicente Seda

Golden Coachman não se classificou para a final dos 800m rasos

“Só fui uma vez para combate. A situação mais perigosa foi uma emboscada que sofremos em algum lugar no norte de Bagdá. Foi bem ruim. Tudo aconteceu muito rápido. Estávamos fazendo transporte de uma carga”, contou o americano, que afirmou não se lembrar exatamente como a tropa conseguiu escapar do ataque.

“Tudo o que podíamos fazer era dirigir o mais rápido possível, e foi isso que fizemos. Não lembro direito como escapamos, tudo aconteceu realmente muito rápido. Só lembro que conseguimos passar. Tivemos algumas baixas, mas conseguimos”, explicou.

Foto: Vicente Seda Ampliar

Matthew Petrocci recebe atendimento após corrida

Outro americano que também não conseguiu avançar na terceira bateria da semifinal dos 800m rasos, o capitão Matthew Petrocci, também do Exército, teve um pouco mais de sorte. Nos cinco anos de farda, jamais foi convocado para combate. Ainda assim, mostra que medo não faz parte da rotina. Saiu da pista com o pé sangrando bastante e a sapatilha danificada. Indagado se poderia conceder uma entrevista depois de fazer um curativo, se apressou em dizer: “É claro, foi apenas um arranhão”.

Petrocci afirma que, para conciliar a vida de militar e atleta, é preciso uma dedicação acima do comum. “Exige muita otimização do seu tempo. Trabalhamos duro no Exército. Basicamente, quando entrei para o Exército não tinha mais o sistema de suporte da universidade, então decidi dedicar todo o meu tempo depois do trabalho a ser o melhor atleta que eu pudesse ser. Foi a prioridade, em vez de sair para beber, festejar, essas coisas que muitas pessoas da minha idade fazer”, afirmou.

Foto: Vicente Seda Ampliar

Petrocci, antes de fazer curativo, tirou fotos do machucado no pé

Questionado sobre a política americana e se considera o atual presidente, Barack Obama, mais pacífico do que George Bush, preferiu não opinar.

“Não sei, você ouve muita coisa nos noticiários. Servimos nosso presidente e nossos comandantes. Se nossa unidade for chamada, nós vamos, sem perguntas. Claro que há uma preocupação, mesmo para os atletas. Em primeiro lugar, somos soldados. Se houver necessidade de servir numa zona de combate, faremos nosso trabalho. Quando nos alistamos, não foi para sermos atletas. Se fosse isso, teríamos assinado contrato com uma fabricante de tênis. Os atletas que estão no Exército são soldados que também perseguem objetivos de atletas”, concluiu.

Em outros países, contudo, essa preocupação de entrar em combate passa longe. É o caso dos Emirados Árabes. Mohammed Ramadhan, técnico assistente da equipe de atletismo, conta que, na sua terra, a preocupação é com negócios.

Foto: Vicente Seda Ampliar

Mohammed afirma que, nos Emirados Árabes, não há preocupação com guerra

“Gostamos de paz, não de guerra. Nosso país é mais voltado para negócios. A situação mais próxima que vivi de um combate foi quando os iraquianos invadiram o Kwaitt (início da década de 90). Eu era mecânico de navio da marinha e estávamos no Kwaitt para levar suprimentos para nossa unidade no país. Saímos um pouco antes do ataque. Já trabalho há alguns anos no centro de treinamento físico das Forças Armadas. Temos bons atletas, mas a maioria não é militar”, explicou, respondendo sobre o desempenho dos Emirados Árabes na competição do Rio.
 

Texto:
enviar por e-mail
* campos são obrigatórios
corrigir
* campos obrigatórios

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG

Ver de novo