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Técnicos brasileiros propõe novo índice de convocação das equipes, programa de remuneração para quem for top 30 do mundo e incentivo a descoberta de talentos

José Antonio Fernandes diz que não dá para ter certeza da eficiência do plano em 2016
Divulgação/CBAt
José Antonio Fernandes diz que não dá para ter certeza da eficiência do plano em 2016

O fraco desempenho do atletismo brasileiro no Campeonato Mundial de Moscou , realizado em agosto, quando voltou para casa sem medalhas e com um número de finais abaixo do esperado, serviu de principal motivação para que se fizesse uma profunda análise de seus problemas. Durante o Fórum Técnico de Alto Rendimento, realizado no último final de semana em São Paulo, várias ações foram discutidas por mais de 100 treinadores brasileiros, que encaminharam diversas propostas que tem como objetivo final melhorar o desempenho da modalidade nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

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“Nossos resultados no Mundial não foram bons e precisávamos reformular todo o processo. Por isso, fiquei bastante satisfeito com os resultados apresentados nas discussões do Fórum”, afirmou nesta terça-feira o presidente da CBAt, José Antonio Martins Fernandes, durante coletiva na sede da entidade. Segundo ele, todas as discussões tiveram como objetivo principal traçar um plano que no final traga uma clara evolução técnica nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. Mas a entidade já avisa que não dá para assegurar o pleno êxito daqui a três anos.

“Não é possível dizer que veremos resultados de todo este plano nos Jogos de 2016”, diz Fernandes. O superintendente de Alto Rendimento da CBAt, Antonio Carlos Gomes, foi ainda mais enfático. “Todo o nosso esforço será para uma evolução, mas é bom que fique claro que estamos fazendo um plano emergencial. O atletismo não vai salvar a vida do Brasil em 2016”, disse Gomes.

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Para o dirigente, não é possível formar grandes atletas em menos de oito anos. “Os nossos top 10 do ranking mundial hoje certamente serão nossas principais esperanças nos Jogos do Rio. Certamente iremos evoluir no quadro de medalhas, não tenho dúvida, mas em relação à formação de atletas, é necessário ter pelo menos três ciclos olímpicos”, afirmou Gomes. “Se você analisar os grandes medalhistas individuais, com 25 anos de idade, passaram por 12 anos de trabalho de formação”, explicou.

Novas propostas

Entre os pontos que foram discutidos no Fórum de Alto Rendimento, foi proposto pelos 130 treinadores que participaram do encontro em adotar o chamado índice A da Iaaf (Associação das Federações Internacionais de Atletismo) para formar as seleções nacionais que irão participar de Mundiais adultos. Além disso, o atleta precisará estar entre os 30 primeiros do ranking mundial. O prazo para a obtenção do índice também aumentou, passando a ser o de até 30 dias antes da competição.

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O Fórum também propôs a criação de um programa de benefícios para os atletas, semelhante ao que o Ministério do Esporte criou com o Bolsa Pódio. Serão três níveis de remuneração mensal, para atletas que estão entre os 30 melhores do ranking mundial para cada prova (top 10, top 20 e top 30). Os treinadores também serão remunerados. Os valores só serão definidos após a Assembleia Geral da CBAt, em março do ano que vem. “Mas certamente serão valores menores do que aquilo que o Ministério remunera”, disse José Antonio Fernandes.

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Além da criação de premiação para os melhores atletas e treinadores do ano (com valores que ainda aguardam aprovação da CBAt), haverá também um incentivo aos técnicos que descobrem novos talentos. “Muitos atletas começam a treinar em pequenas cidades e depois são contratados por grandes clubes, Se esse atleta participar do programa de benefícios da CBAt, o treinador que o formou também receberá seu benefício no período de dois anos após a transferência”, disse Antonio Carlos Gomes.

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