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Para o secretário de alto rendimento do Ministério do Esporte, campanha do Brasil no Mundial de Moscou deixou a desejar e pede mudanças para Jogos de 2016

Vanda Gomes e Franciela Krasucki se desesperam com erro na parte final do revezamento 4 x 100m
AP/Martin Meissner
Vanda Gomes e Franciela Krasucki se desesperam com erro na parte final do revezamento 4 x 100m


A fraca participação do Brasil no recém-encerrado Campeonato Mundial de atletismo, disputado em Moscou, precisa servir para que a CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) faça uma profunda reflexão, de olho nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. A avaliação é de Ricardo Leyser Gonçalves, secretário de alto rendimento do Ministério do Esporte, que a pedido do iG Esporte  fez uma análise da campanha brasileira na Rússia.

"Nós vamos marcar com a CBAt para fazer uma avaliação técnica mais profunda. Contudo, obviamente o resultado foi ruim. Existem alguns bons indicadores, alguns bons resultados, mas a falta de medalhas é um indicador negativo", disse Gonçalves. E as mudanças precisam começar logo, em sua opinião. "Não acho que ligou-se um sinal amarelo no atletismo. Trata-se de uma necessidade de transformação que transcende 2016. O atletismo brasileiro precisa se reinventar", afirmou.

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Em Moscou, o Brasil fez campanha praticamente idêntica a que havia alcançado nos dois Mundiais anteriores, realizado em Daegu (Coreia do Sul), em 2011, e Berlim (Alemanha), em 2009, quando os atletas brasileiros também chegaram a seis finais (não entram na conta o desempenho em provas como o decatlo e a maratona masculina, que não tem finais e onde o Brasil conseguiu fazer um bom papel na Rússia). A principal diferença é que em Daegu foi conquistada uma medalha de ouro, com Fabiana Murer, no salto com vara. Desta vez, a delegação brasileira saiu de mãos abanando.

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Gonçalves entende, porém, que algumas ressalvas precisam ser feitas em relação à participação do Brasil neste Mundial. "Uma gestão longeva se encerrou e uma nova gestão assumiu com novas idéias. Acreditamos que o trabalho deles merece um voto de confiança. Não podemos julgá-los por esse Nundial, meses após o início do trabalho. Com certeza é hoje, dentre as maiores confederações, a que tem maiores desafios", ponderou o secretário.

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No início deste ano, após um mandato de quase 27 anos à frente da CBAt, Roberto Gesta de Melo deixou o comando da entidade, entrando em seu lugar o ex-presidente da FPA (Federação Paulista de Atletismo), José Antonio Fernandes. Antes do Mundial, ele reuniu a imprensa na sede da entidade, em São Paulo, e ao fazer uma avaliação sobre as chances brasileiras no Mundial, foi bastante sincero: a meta era chegar ao maior número de finais possíveis.

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Na ocasião, os dirigentes da CBAt também se mostraram bastante cautelosos para avaliar o potencial da equipe para as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, lembrando que a base será a mesma que esteve nos Jogos de Londres e no Mundial de Moscou. "Eu acho que existe uma base que pode apresentar resultados em 2016. As chances existem e o esforço deve ser feito no sentido de aproveitá-las", disse Gonçalves, ressaltando que estão sendo feitos investimentos do Ministério do Esporte pensando na formação de atletas.

"Estamos com um trabalho de base no atletismo em curso. Estamos modernizando pistas que estavam abandonadas há décadas e atingimos 23.000 escolas no Programa Atleta na Escola com provas de atletismo. Mas isso é para o futuro", afirmou Gonçalves.

Procurado pelo iG , o presidente da CBAt, José Antonio Fernandes, não pôde comentar as declarações de Ricardo Leyser Gonçalves pois está em viagem ao exterior, avaliando centros de treinamento em Portugal.

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